Crise econômica: por que ela influencia tanto a área cultural?

Os tempos de crise econômica sempre foram marcantes para a área cultural. Por que justamente a cultura perde mais? Será ela um depósito de sobras e futilidades que só é lembrado na abundância? Como compará-las às outras áreas como Saúde e Educação?

 Poderíamos analisar pelo viés da utilidade política que, em diversos momentos da história, a cultura teve sua importância, embora não um reconhecimento, quando a sociedade era manipulada pelo entretenimento. As crises mundiais por conta das guerras ou as crises políticas, lembraram da cultura como um perfume inebriante para se oferecer à sociedade.

 Nos últimos anos vivenciamos o uso da arte, seja de qualquer setor, sem que por ela haja o devido respeito por parte do poder público.

Pensamos então: a tendência política é diminuir a intervenção na área cultural ou aumentar daqui algumas décadas? A questão é profunda porque observamos que os avanços que em algumas administrações aconteceram caem por terra em outras gestões.

Enquanto algumas leis como legalização de artistas de rua que se apresentam nas sinaleiras são acionadas, nos deparamos com proibições de grafiteiros em grandes cidades ou cortes de fundos para a Cultura.

Por isso, é bom refletirmos sobre o que queremos como um ser social que somos tanto nos serviços básicos como na promoção da vida cultural que também é um serviço de carência humana.

As políticas culturais precisam, acima de tudo, entender a capacidade que a sociedade tem de criar, fazer, representar e apreciar a arte nas comunidades e no centro urbano. Para isso, há um apelo a quem planeja o orçamento cultural da cidade e estrutura os espaços da cultura.

Quando as leis ou as finanças públicas paralisam as atividades culturais de uma cidade, o mal estar social surge na vida cotidiana do cidadão mesmo que ele mesmo não exerça um papel crítico sobre o fato. A cultura faz parte do ser social permanentemente, independente do que se estabeleça como lazer ou manifestação cultural.

A formação da cidade é, sem dúvida, uma rede de comportamentos e ações políticas, sociais e econômicas que vão permitir uma qualidade de vida maior e uma visão mais tolerante em relação às diversidades.

Enfim, torcemos pela música, teatro, circo, dança, literatura, pinturas, artesanatos e centenas de manifestações artísticas que precisam interagir com o meio social numa caminhada crescente, expandindo a inteligência criativa.

Imagem: flickr/Centro Culturale Khatawat

 

 

Informações do Autor

Maria Rosa de Miranda Coutinho

Sou mestre em Ciências Sociais pela UFSCar e além da experiência como professora, circulo na área literária com publicações para o público infantojuvenil. Administro uma loja virtual que comercializa livros de autores da cidade de Joinville e sou membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais da mesma cidade.

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