Como entender a Arte Visual Pós-Moderna na Cidade

Na arte, como em outras áreas do conhecimento, é possível discorrer sobre a pós-modernidade como uma diversidade de ideias, atitudes e acontecimentos, onde o mundo contemporâneo se constrói freneticamente.

Hoje, esta contemporaneidade repensada e reconstruída é referência para muitos artistas e apreciadores, e é justamente sobre este aspecto que tratarei neste texto.

Ressalto aqui o papel da cultura e principalmente a importância das identidades artísticas sendo, a todo instante, revistas numa sociedade urbana globalizada.

As obras são criadas a partir do diálogo e da vivência do artista com o contexto social, político, econômico, filosófico, em que está inserido. Sendo assim, características que se fazem presentes no mundo contemporâneo refletem nela. Compreender a arte visual contemporânea, assim como qualquer outra, requer entendê-la vinculada ao contexto atual.

A arte contemporânea, assim como as obras de outros tempos, busca sentido. Da mesma forma, o espectador também busca um significado. O que acontece é que muitas vezes os espectadores não compreendem as manifestações a que estão expostos, o que os leva a duvidar de sua legitimidade.

A tecnologia, que parecia uma limitação à criatividade e à expressão, gerou um leque de opções e novidades no universo artístico. Inspirada em novos conceitos, a arte se amplia com outras linguagens e outras representações.

No contexto contemporâneo, ela pode imprimir qualidade no diálogo com o meio e uma compreensão mais acentuada por parte desse meio sociocultural em que a capacidade de criar não pertence somente ao artista, mas faz parte também da mente curiosa e interpretativa do apreciador no momento da interação. Neste caso, a sociedade interage somente até certo ponto com os simbolismos pós-modernos.

Enfim, se a arte visual pós-moderna é resultado de uma reformulação de códigos culturais, provavelmente encontra no meio cultural um ponto sensível de diálogo e troca de conteúdo com esse mesmo meio. No mundo contemporâneo, onde existe espaço para todas as esferas sociais coabitarem, a arte visual pós-moderna sabiamente se reelabora para existir enquanto identidade artística.

Por outro lado, o papel da mídia continua sendo de divulgação atrelada ao mercado econômico muito mais do que à representatividade artística. No mundo pós-moderno, o capital mantém sua relação estreita com o universo da arte encontrando nela, no entanto, posturas muitas vezes autônomas e pouco convencionais. Assim, o artista contemporâneo que se veste de sujeito criador, é também disseminador de signos coletivos, cujo acesso nem sempre passa pela esfera econômica.

Possivelmente, a sociedade contemporânea avança em suas conquistas e descartes sociais, se auto-conduzindo para uma indefinição no campo da arte.

Acredita-se, portanto, que novas identidades convergem para as infinitas possibilidades e representações neste universo de reelaborações permanentes.

Imagem: flickr/keith ellwood

 

 



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Informações do Autor

Maria Rosa de Miranda Coutinho

Sou mestre em Ciências Sociais pela UFSCar e além da experiência como professora, circulo na área literária com publicações para o público infantojuvenil. Administro uma loja virtual que comercializa livros de autores da cidade de Joinville e sou membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais da mesma cidade.

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