Brasil, o país do futuro, do carnaval, do luxo, do lixo e da lava-jato

Assisti a uma reportagem na TV que falava sobre a discrepância que existe entre o Brasil e o Japão no quesito limpeza, higiene, cuidados com a saúde. Tóquio possui 35 milhões de habitantes, mais que São Paulo e Rio de Janeiro juntas. Pois lá os cidadãos são voluntários na limpeza dos bairros em que vivem e/ou trabalham, juntamente com a prefeitura. Literalmente pinçam as menores partículas de sujeira, como uma guimba de cigarro jogada no meio da folhagem. Um exemplo fantástico de maturidade cidadã.

Enquanto por estas bandas o pátio da Fundação Nacional de Saúde de Manaus virou um criadouro de mosquitos da dengue. Uma entidade que deveria dar o exemplo, faz justamente o contrário. Mas está chegando o carnaval, é hora da fantasia, de maquiar as mazelas.

Entretanto, com tanta violência nas grandes cidades, como o Rio de Janeiro, a Força Nacional vai embora dois dias antes do carnaval. Será que a missão é apenas garantir a votação de interesses do governo? E a cidade maravilhosa lotada de encantos mil, turistas e oportunistas, como fica no carnaval? Cidade que, de ponto turístico mundial, foi parar no CTI do abandono, graças a um  ex-governador que ao que tudo indica esvaziou os cofres públicos. E teve dois mandatos. Eleito pelo povo.

“Que país é esse?” Já cantavam há décadas Renato Russo e Cazuza. Temos tudo para dar certo: aqui não há tsunamis, terremotos, guerras (exceto as urbanas). Somos quase um continente, recheado de recursos naturais. No Brasil, em se plantando tudo dá, não é o lema? E mesmo com crise, secas ou chuvas, exportamos alimentos e matérias-primas que os países ricos transformam em produtos. Depois vendem para nós muito mais caro do que se fossem produzidos aqui.

Mas tem futebol e é quase carnaval: hora de comemorar. Só que eu me pergunto: comemorar o quê? Será que o Ultraje a Rigor continua com razão quando diz que “a gente não sabemos escolher presidente, não sabemos tomar conta da gente… a gente somos inútil!”? O carnaval deveria ser um sonoro samba do silêncio. A cuíca chorando a vergonha de um país violento, corrupto, desleixado consigo mesmo.

O povo vem pagando os desmandos de governos que vivem de locupletar o erário. Verdadeiras quadrilhas. E cuidado, o carnaval pode ser a cortina de fumaça que os poderosos precisam para levarem seus escusos planos adiante. Do Oiapoque – passando pelos 3 Poderes – ao Chuí, estamos mal das pernas. Mas sabemos sambar.

Só que depois vem a quarta-feira de muitas cinzas. E aí, com os olhos embaçados delas e de quatro dias de folia, eles votam aumento de impostos e tributos com a maior desfaçatez, como se a culpa pelo Brasil sucateado fosse do povo.

Eu adoro o feriado do carnaval, me desligo de tudo sem precisar cair na folia. É um feriado democrático. Ninguém precisa cumprir obrigações sociais. No entanto, teima em minha mente um pandeiro e um cavaco, cadenciando essa letra de samba: “De quem é, de quem é a culpa, dessa confusão que se meteu nosso Brasil? É do governo, dos empresários, ou também do nosso povo varonil? Diz aí!”

Imagem: flickr/AK Rockefeller

Informações do Autor

Mauro Barbosa Gomes

- Escritor, palestrante e músico da banda Quinta Nota. - Dois livros de crônicas/contos: A Chave do Seu Coração e Olhares. - Faz eventos promocionais com palestras e música em livrarias e Cafés. - Participação na Bienal Internacional do Livro 2016 no Anhembi São Paulo com tarde de autógrafos para “Olhares” , publicado pela Chiado Editora. - Integra a Antologia Poética Além do Céu Além do Mar que reúne poesias de vários autores Brasileiros em 2017. - Autor do Projeto literário Musical "O Tom da Letra" levado há dois anos em bares, restaurantes, etc. - Cronista por dez anos da revista eletrônica InfoWebNews (www.infowebnews.com) - 2001 a 2011 - Dois trabalhos publicados em Antologias literárias vencedoras do Prêmio Porto Seguro de Crônicas em 2008 e de Contos em 2009 - Dois contos selecionados para a Antologia de Contos 2009 do concurso da Editora Guemanisse, em Teresópolis. - Curso de Oficina Literária Afrânio Coutinho (OLAC) – 1992 - Curso de Redação Publicitária - 1987 (Faculdades Integradas Hélio Alonso) Gosto de falar de relacionamentos, cotidiano, a vida em geral.

5 Comments
  1. Fátima V.

    22 de fevereiro de 2017 de 08:22

    Esse país do futuro, cada vez mais parecido com um certo passado… Teorias da conspiração pra tudo quanto é lado… Hein ? Carnaval ? Onde ? Chegou o carnaval? Que alívio !!! A Midiatrix nos permitirá o relaxamento das tensões ?
    Mas ando tão esquizo, que não sei se aproveito o feriado pra ler a Veja ou o decálogo do Noam Chomsky sobre técnicas de manipulação.

  2. Renato

    16 de fevereiro de 2017 de 19:26

    Precisamos sair desta eterna mania de reclamar dos políticos e governantes e colocar a mão na massa. Excluir estes facínoras dos postos de comando e exigir melhores serviços. Mas para isso é preciso que o povo queira isso, e quando falo de povo, falo dos milhões de pessoas que, infelizmente, não se ligam nessas necessidades e ainda teimam em votar de maneira errada. Li nos jornais que o Lula ainda está na frente na corrida presidencial de 2018, com 30% dos votos. Pode ?

  3. Odilon Pilli

    16 de fevereiro de 2017 de 17:42

    Parabéns Mauro! palavras simples e repletas de verdades doloridas , tanto na alma como no bolso. mas… estou percebendo uma onda de conscientização coletiva, impulsionada pelas redes sociais e um novo brado de revolta nacional e patriótico acontecerá em 26 de março próximo. VIVA A LAVA-JATO!

  4. Cíntia

    16 de fevereiro de 2017 de 10:01

    Perfeito!

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