Brasil – país do futuro?

Você já ouviu falar sobre Stefan Zweig? Pois bem, ele, que apelidou o Brasil de “país do futuro”, se suicidou. Não é uma sentença, mas não deixa de ser um indício. Se ele ainda respirasse hoje, com certeza cometeria suicídio de novo ao perceber a longitude da realização sua profecia se encontra, pouco mais de sessenta anos depois.
Nosso futuro está hipotecado porque não cuidamos do nosso mais importante patrimônio, o maior bem que um País tem: seu capital humano.
Se dependermos da qualificação dela para progredirmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de lupa e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem de China, Índia e outros países menores. Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos lidar com os alunos em sala de aula.
Os alunos estão a mercê de docentes desmotivados e que pouco sabem sobre o que ensinam. Entusiasmo é uma palavra que desconhecem e em uma era onde a tecnologia impera são pouco dotados de conhecimentos que possam leva-los a atingir a alta performance e a excelência humana. Poucos conseguem controlar suas emoções e em meio a “futricas e fofocas” seguem suas vidas arrastando correntes e acorrentando que se quer passar perto dele. Perdidos em meio ao comodismo nunca ousam a pensar fora da caixa, engessados em um sistema cuja democracia fica somente nas pautas de um papel, onde todos sonham com um Brasil melhor, mas se esquivam de tomar as decisões corretas, se esquecem de que para fazer “gemada é preciso quebrar os ovos”. Presenciamos as salas de aulas como se fosse matadouro, como se vivessem em meio ao ano de 1964.
Você achaque é exagero? Infelizmente não é. De acordo com o último levantamento do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizadas. Deixe-me repetir: três quartos da nossa população não são capazes de “ler e compreender” um texto como este. Na outra grande área do conhecimento, a Matemática, a situação é também desoladora: somente 23%, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para compreender gráficos e tabelas. No quesito emocional fica ainda mais complicado mensurar as pessoas pensantes, empreendedoras e criativas e quando surgem tenha certeza o sistema aniquila.
Esses indicadores não são meras coincidências, é produto final de um sistema de educação que apresenta deficiências e está praticamente fadado ao fracasso de modo geral, em todas as etapas do ensino, em todo o país (ainda que as tradicionais diferenças regionais também se manifestem na área educacional) e tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro preto e branco que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram (Coreia) e têm atualmente (China) quadros coloridos. Na área da educação, especialmente de ensino básico, nossos pares são os países falidos da África subsaariana.
Com essa qualidade deprimente, a educação brasileira deixa de ser o magnífico e tão sonhado investimento que ela é em quase todo o mundo, na possibilidade que se vê de usar uma beca e receber um diploma e passa a ser um fardo pesado para o aluno. Terá mais vantagem em ir trabalhar do que perder horas e anos a fio em aulas onde se aprende quase nada ou nada. O resultado é inescapável: abandono, evasão, desistência. Mas calma que sempre buscaram um subterfugio e sempre haverá um culpado para burocracia principalmente se esse culpado não estiver presente.
Aos poucos fortes e bravos que ainda persiste em seguir o sistema, nunca terão voz ativa, viverão algemados e encarcerados dentro si mesmo, apenas observando os sonhadores que partirão em busca de algo enriquecedor.
Todo o acúmulo de imperfeições e descasos da nossa educação culmina em um sistema de ensino superior limitado e infrutífero, para muito poucos.
O círculo se fecha: temos e vemos de iletrado aquilo que outros países estão formando em bacharéis. Como escreveu Claudio de Moura Castro com a acuidade de sempre, precisamos de uma crise. E estamos nela, até o pescoço, ainda que não tenhamos nos dado conta.
Uma transformação na maneira de ensinar e a aposta no professor estão entre os desafios a serem enfrentados pela educação atual. Reformular o jeito de ensinar é um dos maiores desafios da educação. Este fazer diferente já ocorre em diversas escolas, que têm provado que o método tradicional de ensino pode ter dado muito certo no passado, mas está longe de atender aos anseios de um universo no qual as crianças e jovens crescem tendo as novas tecnologias como companheiras e mentoras. A preparação do professor para a sala de aula é o processo mais urgente e mais desafiador para o salto na qualidade da educação que se sonha.
Os melhores sistemas de educação do mundo colocam os professores em igualdade com as demais profissões, estimulando o orgulho profissional. Para isto, atraem os melhores alunos para se tornarem professores, lembra o físico alemão Andreas Schleicher, responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Países como a Finlândia recrutam os seus professores a partir de uma nata dos 10% melhores graduados. Em seguida eles fazem com que sejam professores na prática, isso mesmo ação é o próximo passo, através, por exemplo, de treinamento em sala de aula, desenvolvimento de líderes escolares fortes e permitindo que os professores propaguem seus conhecimentos e suas inovações. Professores de Cingapura lembra Schleicher, tem cem horas de formação, desenvolvimento profissional pago integralmente a cada ano. Em terceiro lugar, os melhores sistemas de educação colocaram em prática, incentivos e sistemas de suporte diferenciados para garantir que cada criança seja capaz de se beneficiar de excelente instrução. São professores que usam os dados para avaliar as necessidades de aprendizagem de seus alunos e ampliam seu repertório de estratégias pedagógicas. Aqui no Brasil se algum aluno ousar ter mais conhecimento que um professor está pronto sua forca, com certeza morrerá a mingua nas mãos dos impiedosos ladrões de sonhos.
A sala de aula é um conjunto de pessoas conectadas. Não tem mais espaço para o professor que apenas procrastina ou empurra conhecimento, ele tem de ser um facilitador e isso mexe com a zona de conforto, vai á cima da crença de que o professor é o centro das atenções. E isso faz com que cause diarreia nos docentes crucificando assim os discentes sedentos pelo aprendizado e conhecimento.
Eu te pergunto por que calar a voz dos destemidos guerreiros que pouco se vê andando nas ruas, nas empresas ou nas escolas. Vale a pena viver sob o julgo de uma cultura desmedida e passada? O mundo muda tudo muda você é o único que deseja ficar imutável?

Crédito imagem: freedigitalphotos.net/taesmileland

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Tathiane Silva

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