Machado de Assis e o caleidoscópio de possibilidades

Aconteceu aquele fato que ninguém queria: Pode ser uma multa por não cumprimento, pode ser um analista que não viu e não enviou ao terceirizado um documento, pode ser o advogado interno que pulou uma cláusula no contrato que foi tanto a comento… Sempre fica a reflexão: De quem é a culpa, então? E, diante de tal assertiva, que tal uma nova perspectiva? Machado de Assis, assim nos brinda, explicando um caleidoscópio de possibilidades:

Uma Criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.

Machado de Assis

 

Quem sabe, numa reflexão importante, pensamos em uníssono: Ao invés de achar culpados e cruficicar alguns Cristos, vamos pensar na rotina e no porque do erro assim ter vindo.

De tal sorte que a poesia nos acompanhe, a vida nos seja eterna, e o amor reine em nossa taberna.

Pois, se mesmo falando em desgraça podemos ver versos de poesia, o que seria da vida, se a visão nossa fosse sempre uma, singular, sozinha?

Faça da sua visão não um conto de fadas ou uma ilusão daninha: Faça da sua visão uma segunda possibilidade de verdade, diante de um fato difícil, tente ver sob outro prisma, outra ótica, outra maneira…

Um caleidoscópio de possibilidades…

A luz (fato) é uma só, mas a decomposição em possibilidade de maneiras de ver a verdade (cores) pode ser enorme.

A luz sempre será a mesma, pois não se muda aquilo que já aconteceu no tempo da certeza, entretanto as cores variam de intensidade e beleza, dependendo da forma que a vejamos e possamos compreender a sua beleza.

#NãoéMesmo?

____________________________________________________
Artigo escrito por Gustavo Rocha
GustavoRocha.com – Gestão e Tecnologia Estratégicas
Celular/WhatsApp/Facebook Messenger: (51) 8163.3333
Contato Integrado: [email protected] [Email, Gtalk/HangOut, Twitter, LinkedIn, Facebook, Instagram, Youtube]
Web: http://www.gustavorocha.com

Informações do Autor

Gustavo Rocha

Ainda sem descrição

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *