Case administrativo: as lições de gestão da Igreja Católica

Quando o cidadão argentino Jorge Mario Bergoglio embarcou em Roma, com destino à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, já sabia da importância de sua presença e de como ele seria vital para o sucesso de certas ações estratégicas que serão executadas no mundo inteiro. Tal como numa grande corporação, o experiente e simpático homem de 76 anos, começou justamente no Brasil, uma caminhada digna de reconhecimento, em busca da retomada de mercado, de reformas de posturas e, principalmente, para a fidelização dos milhões de clientes espalhados em todo o planeta. Estancar o vazamento e a perda de clientes é essencial para sua corporação: a Igreja Católica.

Bergoglio, ocupa a função de CEO da maior e mais antiga corporação (com mais de dois mil anos de fundação – inclusive proprietária privada de um país, o Vaticano), num mundo de muitas transformações. Hoje esse carismático profissional atende pelo “nome fantasia” de Papa Francisco e se transformou numa instituição tão grande e de tanto brilho quanto a própria instituição que ele representa, a Igreja Católica!

Já não é de agora que assim como outras grandes corporações, a Igreja Católica vem percebendo o vazamento de seus fiéis, clientes e simpatizantes. Esse “desgaste na carteira de clientes”, “perda de terreno e de mercado” tem inúmeras motivações, afinal assim como essa grande corporação é antiga, também é gigantesca sua Zona de Conforto e sua baixa produtividade.

Essa inoperância quase comercial, tem dificultado que essa corporação evolua e atualize sua ligação com os seus prospects, clientes, consumidores e fiéis seguidores. A Igreja se viu desconectada do seu público.

Mas parece que finalmente caiu a ficha do Conselho que comanda a Igreja. Ações começaram a ser meticulosamente preparadas para restabelecer a retomada de mercado.

A própria renúncia do antigo CEO da Igreja Católica (Bento XVI) se tornou um grande e importante evento, com intuito de marcar significativamente os novos rumos dessa gigantesca estrutura que tem bases ligadas à religião, política, economia e sociedade. Não necessariamente nesta ordem.

Diante dessas situações, o comando religioso, além de eleger o novo #Papa, novas diretrizes e planos, escolheu justamente o Brasil para apertar o “start” e começar a aplicar suas estratégias de marketing para recuperar os clientes perdidos e conquistar novos adeptos.

Adeus muchachos!

Afinal de contas o Brasil ocupa a primeira posição no ranking de países com população católica, onde mais de 126 milhões de pessoas se declararam seguidoras da religião. Ainda assim, o Brasil também é o país em que a igreja mais perdeu seguidores, diminuindo sua representatividade de 65% para 57% do total de sua população.

 

No meio neste “imbróglio” todo, consegui enxergar nas ações do novíssimo (nem tão novo assim) #Papa #Francisco, atitudes e posturas que certamente o torna um dos Melhores Vendedores do mundo moderno. Talvez o mais bem preparado na “bíblia de vendas”!

Digam se não estou certo:

  • A primeira impressão é a que marca! Seu cartão de visitas é o sorriso! Bergoglio sabe o grande valor que um sorriso causa nas pessoas. Chegou sorrindo e contagiou todos, ganhando a simpatia geral.
  • Jorge Mario veio com posturas nada ostentosas. Em sua chegada ao Brasil foi notadamente humilde, principalmente quando comparado com a postura arrogante da presidente Dilma;Sabe ouvir! Ouve mais do que fala. Mostrou isso claramente até mesmo quando tentaram fazer de sua vinda no Brasil, um ato político. Ouviu muito. Falou apenas o necessário.
  • Ao falar, o faz de forma agradável e fala as coisas certas, na hora adequada e no volume correto; Baita orador!
  • Chamou a atenção mais por sua simplicidade do que pelo “cargo” que ocupa;
  • Entende sua importância no papel de líder e de porta-voz da sua corporação;
  • Soube reconhecer erros e até mesmo desculpar-se por esses erros. Só os grandes vencedores conseguem realizar esse desapego; Só os grandes vencedores são grandes vendedores!
  • Não entrou nas discussões de assuntos “íntimos” do país visitado. Procurou agregar mais do que divergir;
  • Não aceitou ser utilizado como “arma política” dos governantes anfitriões. Principalmente neste momento de grande turbulência nas ruas do país;
  • Superantenado ao momento mundial, o @pontifex (perfil do Papa no Twitter) publicou várias mensagens nas redes sociais, onde é usuário frequente. Sabe que lá estão reunidos muitos dos formadores de opinião e cerca de 70% dos usuários de internet, ou seja, milhões de prospects e potenciais clientes!
  • Mostrou-se um excelente negociador ao mudar sua agenda para beneficiar as incontáveis delegações de peregrinos que foram ao Rio de Janeiro especialmente para vê-lo;
  • Soube conquistar mais ainda a opinião pública, distribuindo beijos e abraços em crianças e pessoas idosas. Demonstrou saber que as decisões e a simpatia tem razões emocionais e não racionais. E isso atrai clientes!
  • Trabalhou muito bem com o marketing e com as palavras para estabelecer canais diretos com os jovens, novos prospects da Igreja Católica, usando termos e referências juvenis. Falou a língua deles; Ganhou a galera!
  • Francisco quebrou os protocolos de segurança que o afastavam da população causando uma comoção generalizada. O bom vendedor não reage. Ele age e causa impacto!
  • Provocou todos a saírem de suas Zonas de Conforto, conclamando apoio e luz sobre suas ideias; Só os líderes sabem fazer isso. E todo líder é um vendedor nato!
  • Conquistou o carinho de muitos novos fieis ao pedir que rezassem por ele, demonstrando muita humildade; Podem ter certeza que desde agora já existem milhares rezando por ele! Novos fãs! Novos clientes!
  • Quebrou alguns preconceitos e paradigmas da ala mais conservadora da Igreja Católica, defendendo a renovação espiritual e novas práticas para a instituição;
  • Soube direcionar e conquistar a opinião dos jovens consumidores afirmando que “Jesus bota fé na juventude”; Uma grande sacada de marketing direto!
  • Francisco praticou o networking positivo com excelência, transformou sua viagem numa importante e qualificada fonte de novos negócios. Alinhou novos parceiros (inclusive de outras religiões) e representantes das novas ideias de sua organização; A Igreja Católica saiu bem mais fortalecida depois dessa vinda de Francisco ao Brasil.
  • Mostrou muito carisma inclusive para dar os recados profissionais e mais duros, justificando suas especialidades e os objetivos de sua grande corporação. Foi um especialista!
  • Como um ótimo vendedor, Bergoglio estudou bastante sobre o Brasil, e planejou muito sobre suas atividades, demostrando o acúmulo de grande conhecimento local. Como resultado acabou não sendo flagrado em situações que poderiam ser embaraçosas. Soube analisar e recolher as informações sobre os pontos Fortes, sobre as Fraquezas, sobre as Ameaças para poder explorar muito bem as Oportunidades do país. Aplicou a matriz SWOT com maestria, como condiz aos melhores vendedores;
  • Por fim, Bergoglio conseguiu ir embora deixando para as pessoas aquela sensação de “quero mais”, de saudade e de esperança para que ele volte o quanto antes. Esse é um dos melhores feedbacks que um excelente vendedor pode ter, pois prova que além de ter cumprido muito bem suas tarefas, fez com que seus clientes (novos e antigos) queiram receber todos seus “produtos e serviços”.

 

Seja como for, essas foram apenas algumas das similaridades que ao meu ver, fazem de Francisco um excelente vendedor, talvez o melhor vendedor de todos os tempos…

 

Emir Pinho – @emirpinho
Skype: Emir Pinho
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Crédito: igrejacatólica/divulgação

 

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Emir Pinho

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