Conexão Emocional: para onde vão nossos relacionamentos?

Esses dias, comendo um pão de alho e tomando uma água com um querido amigo meu, começamos a falar sobre relacionamentos e namoros. No culto diálogo entre dois jovens de 22 e 25 anos, cheios de experiência e vivências, eu falei: “a coisa mais difícil do universo é desconectar emocionalmente de alguém, é muito doloroso”. Imediatamente, ele me respondeu: “sim, é muito doloroso mesmo, por isso eu já nem me conecto mais, para evitar essa dor”. Esse diálogo se instaurou na minha mente de uma maneira sinistra, levando-me a pensar sobre conexão emocional: “somos otimistas por estar em relacionamentos e criar conexões ou somos apenas trouxas indo em direção a mais uma dolorosa desconexão? ”

            Pensando no assunto, conversei com alguns amigos que estão em relacionamentos. Todos me disseram que o amor é muito bom, que ter alguém do seu lado é incrível, que relacionamentos valem a pena. No entanto, ao questioná-los sobre a desconexão emocional, a maioria ficou com um pé atrás, é como se eles quisessem voltar atrás e mudar a resposta da última questão, especialmente essas três palavrinhas: “valem a pena”. Há um culto tão grande às conexões exteriores que se torna insuportável a ideia de não estar com alguém ou a própria ideia de perder alguém.

            Estando eu mesmo em um relacionamento, procurei, sem cessar, a resposta para esse enigma. Como lidar com relacionamentos se eles estão todos fadados a acabar? É como uma espécie de masoquismo, cultivamos relações e amamos até o momento em que não o fazemos mais, e, quando, enfim, a dor acaba, iniciamos o processo inteiro com outra pessoa. Talvez meu amigo realmente esteja certo em não criar conexões, talvez ele esteja errado, ou talvez não haja certo e nem errado nessas questões. É tudo muito delicado.

            Mais tarde naquele dia, após despedir do meu amigo, cheguei em casa e deitei. Eu estava tão cansado, tão exausto, meu dia tinha sido extremamente cansativo. Nesse momento parei e pensei em tudo, em meu relacionamento, nas minhas brigas, nos momentos de felicidade e tentei, de alguma forma, colocar tudo em uma balança. O mais interessante é que não cheguei a lugar nenhum, é como se a balança nem tivesse funcionado. Muito estranho isso. Talvez a vida seja realmente igual a uma música da Taylor Swift, amar e desamar, namorar e terminar. Talvez sejamos cegos à procura de um sentido e de uma razão para viver.

            Penso que um dia alguém vai trazer esse sentido, alguém que já está presente ou alguém que vai chegar, mas, até lá, somos apenas mais um na multidão, apenas outro ser humano qualquer. Se eu e você fôssemos especiais, talvez, não passaríamos por isso, mas, infelizmente, não somos. Infelizmente, como todas as outras pessoas do universo, temos que lidar com as desconexões, e isso dói muito. Meu conselho é sempre pense bem antes de qualquer coisa, pois a dor da perda é a maior, e não há quem aguente sempre estar perdendo.

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Informações do Autor

Ricardo Bibiano

Mineiro, Letras e professor de redação. Publico textos há aproximadamente 1 ano. Socialite falido.

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