Como equilibrar as finanças da família durante a crise econômica?

Estamos há mais de um ano em crise econômica declarada no país. Como sempre acontece nas crises, empregos se foram, a renda caiu, empresas fecharam e a capacidade de consumo das famílias despencou. Como sempre acontece nas crises, desempregados, famílias e empresários ansiosamente aguardam que um anjo salvador restabeleça a ordem e lhes devolva a estabilidade e o fôlego financeiro para resgatar planos desfeitos e retomar por eles o rumo de suas vidas.

O problema é que o anjo salvador não está atendendo o telefone. O governo ainda não está entregando soluções capazes de reequilibrar o rumo da economia em curto prazo. Não há reservas para investir em obras públicas. A pouca poupança das famílias foi rapidamente consumida em uma inflação maquiada ao longo de anos. Restaria contar com ajuda externa, mas perdemos completamente nosso crédito para financiamentos internacionais. Não há dinheiro para investir na recuperação do que foi perdido nos últimos anos. Em outras palavras, aquilo que convencionamos chamar de crise não deve passar tão cedo.

Escrevo não para pintar o terror, mas para que você entenda que não basta apertar um pouco o cinto para atravessar um período turbulento como uma crise econômica. O período será longo. Em termos de estratégia, devemos abandonar a esperança de que o ambiente melhorará e iniciar, nós mesmos, mudanças para nos adaptar ao novo ambiente.

Em época de crise econômica, empresários colherão muitos frutos se ajustarem seus negócios para atender famílias de consumo mais básico e menos sofisticado ou terão de se fortalecer perante a concorrência se o objetivo for disputar a preferência de nichos de alta renda cada vez mais raros.

Famílias que não conseguem fechar as contas no fim do mês devem rever suas escolhas e baixar o padrão de consumo para um nível mais sustentável, em que os necessários lazer e cuidados pessoais se tornem compatíveis com um padrão mais econômico de moradia e de transporte.

Poupar continua sendo tão necessário quanto antes, para poder lidar com tranquilidade com os imprevistos que vêm pela frente. Além de necessário, o momento é oportuno, pois títulos públicos e todos os produtos financeiros atrelados a eles continuam com comportamento estável, seguro e generosamente mais rentável do que a poupança.

Venho insistindo que o cenário de crise econômica pede mudanças e que, enquanto elas não acontecem em nível macro, devemos fazê-las no micro nível familiar, para que cada célula da sociedade se fortaleça e se prepare melhor para o futuro – que, independentemente de ser otimista ou pessimista, exige planejamento para que seja equilibrado e com menos sofrimento. Aja, portanto, em vez de esperar.

 

Gustavo Cerbasi é a maior referência em educação financeira do Brasil. Consultor, palestrante e autor de 15 livros, escreveu o best-seller “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, que deu origem aos filmes da franquia “Até que a Sorte nos Separe”, a primeira trilogia do cinema brasileiro.
Imagem: Tax Credits

 

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

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