Cultura da Estética: A busca pela beleza não conserta tudo

Sob uma ótica científica, a beleza estética está relacionada à simetria da face, à proximidade entre os lados direito e esquerdo do rosto. Em uma perspectiva biológica, acredita-se que o atraente é a saúde e a juventude. Já do ponto de vista artístico, há a concepção de que bonito é a arte, o artístico, aquilo que leva à reflexão. Essas visões, apesar de, em sua maioria, serem subjetivas, são formas de apreciação de qualidades humanas. Entretanto, há um último conceito, que certamente domina a forma de pensar dos sujeitos da sociedade: a beleza da mídia.

Por séculos, nós, seres humanos, programados a interagir socialmente, procuramos estar desejáveis ao olhar de nossos semelhantes. Tal comportamento é natural, estar em sintonia com a aparência é positivo e agrega felicidade à vivência em grupo. Porém, hoje, houve mudanças na definição de beleza, atribuindo a esta valores estéticos muitas vezes não acessíveis. Dessarte, conceitua-se beleza como magreza, olhos claros, narizes e bocas finos, altura, definição muscular e afins.

A partir daí, iniciou-se uma busca infinita por adequação a padrões sociais, que são determinados por entidades midiáticas – muito bem cientes do que estão fazendo. Muitas pessoas e vidas foram arruinadas nessa jornada por beleza estética e, mesmo sabendo disso, ainda há quem se preocupe exageradamente em atingir padrões que são, muitas vezes, fora da realidade. Resta, dessa forma, um questionamento: se todos os indivíduos estão cientes da irrealidade das imagens publicadas na mídia, porque elas ainda possuem um impacto enorme na vida das pessoas?

“Um corpo perfeito não é a fórmula mágica para alcançar a felicidade, embora a televisão dê a impressão de que ser bonito facilita. Não é nem mais fácil e nem mais difícil. ” – Andréia Schmidt

À luz da citação acima, torna-se possível compreender mais claramente a problemática em pauta. O objetivo comum ao ser humano durante a vida é ser feliz, é encontrar-se alegre e realizado. Portanto, fica óbvio: as pessoas associam beleza exterior à felicidade interior. Atire a primeira pedra quem nunca se olhou no espelho e pensou: “ah, se eu tivesse um pouco menos de gordura, alguns centímetros a mais e o cabelo mais sedoso, eu seria tão lindo e feliz”. A busca pela beleza estética é, na verdade, a busca pela realização interior.

De fato, a assimilação entre beleza e felicidade é propagada pela mídia digital que nos cerca. Ícones da internet, como Gabriela Pugliesi e Lalá Rudge, exibem suas vidas de glamour, podendo dar a si mesmas o luxo de cuidar da aparência em tempo integral. Claro, meu objetivo não é problematizar o trabalho delas, o qual não é fácil e simples como muitos dizem, mas sim o impacto que esse tipo de publicação tem na vida do ser humano. Quando se vê a imagem de pessoas lindas sorrindo e brindando a vida numa quarta-feira à noite, acaba-se criando a ideia de que seremos felizes se adequarmos àqueles padrões.

Dessa maneira, cria-se um ideal de felicidade inatingível, pois a verdade é: beleza não conserta tudo. Pessoas bonitas não são mais felizes e nem mais tristes, são apenas pessoas. Claro, é nítido que beleza tanto abre quanto fecha portas, mas, quando se trata de satisfação, seu impacto não é tão grande quanto parece. Ao contrário, problemas internos como depressão e ansiedade não são, na maioria dos casos, resolvidos por mudanças na aparência, e sim por mudanças internas.

Beleza não resolve tudo, não resolve problemas na vida amorosa – aliás, quando ela é um requisito, ela não é nada mais que um empecilho –, nem nas relações sociais e familiares e nem na vida acadêmica. Aliás, de acordo com pesquisas, indivíduos com coeficiente de beleza acima da média têm mais dificuldades de se aproximar das pessoas e, geralmente, são isoladas por elas. Tal fato não condiz com a realidade mostrada pela mídia, que exibe pessoas lindas e cheias de amizades.

Se há uma proposta para esse texto, é que as pessoas comecem a compreender que beleza externa provavelmente não é a saída para a felicidade, nunca foi e nunca será. Para confirmar o que eu digo, liste todos os problemas que você tem e corte aqueles que podem ser resolvidos por mudanças estéticas. É provável que nenhum foi retirado da lista. Então, faça, a partir daí, uma nova reflexão sobre valores e objetivos, há grandes chances de você encontrar felicidade nesse caminho.

Imagem: Arquivo

Informações do Autor

Ricardo Bibiano

Mineiro, Letras e professor de redação. Publico textos há aproximadamente 1 ano. Socialite falido.

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