Desafios da gestão profissionalizada – em tempos bons e ruins

O Brasil, devido à multiplicidade de fatores que comprometem a visão de futuro de um negócio, os empresários acabam se adaptando às circunstâncias e seguindo o movimento da onda. Quando as coisas vão bem, o mercado está receptivo, chegam a confundir gestão com acompanhamento de rotina. Só que, como toda onda, o mercado tem seus altos e baixos, mas nenhum empreendedor imagina que pode, de repente, morrer na praia. Por isso, se expõe a riscos que poderiam ser evitados. Para resolver, só com uma gestão profissionalizada.

Ter um mínimo de previsibilidade é fundamental para manter-se na ativa, principalmente quando o mar não está para peixe. A própria dinâmica da economia acaba forçando ajustes na rotina e a criação de referências para monitorar o cenário de negócios. Mantendo a metáfora praieira inspirada pelo verão,quem não se movimenta nesse sentido, de se proteger com dados minimamente seguros sobre desempenho e perspectiva, tende a ficar mais vulnerável a eventuais caixotes (tropeços), que podem ser fatais.

Quando a situação se complica, bate a necessidade de contratar consultoria para profissionalizar a gestão da empresa. E os conceitos começam a saltar aos olhos como se fossem palavras mágicas e milagrosas.“Precisamos ser mais profissionais”, diz o chefe geral aos seus subordinados. Uma frase dessas já evidencia que não estavam sendo profissionais. Eis o primeiro equívoco. Não precisam ser mais nem menos profissional, apenas profissionais, desde tivessem a noção certa do significado da palavra.Mas ficam na aparência e não aprofundam o entendimento. O que impede a construção de uma postura permanente diante dos desafios, que não pode oscilar conforme as circunstâncias.

Se o consultor coloca provisoriamente a casa em ordem, vem a conclusão enganadora de um conceito mal entendido: “Estamos organizados e agora a coisa vai. Nos profissionalizamos”. Passada a euforia das ações emergenciais do gestor contratado para estancar os gargalos, começam as cobranças por disciplina e a obediência a uma sistematização na conduta de toda a equipe.Essa manutenção, para o empresário inexperiente, é como um sinal de que a situação foi contornada e não precisa mais do consultor. Não faz mais sentido manter aquele profissional se é só para manter a rotina. Ele se esquece de que a essência da questão ainda não foi tocada e a profissionalização da equipe e dos procedimentos não está completa. Pior. O empresário que contratou a consultoria no fundo no fundo queria apenas um salvador da pátria, para livrá-lo daquele tropeço. Não alcança a visão de que a profissionalização propriamente dita é o restabelecimento da rotina, a partir da qual poderá vislumbrar novos movimentos ascendentes em ondas mais promissoras.

Alessandro Natal

Crédito imagem: freedigitalphotos.net

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