A Dor que faz crescer e a Dor que dói: qual é a do seu relacionamento?

Ainda na temática de relacionamentos, discutindo a questão da dor (falei dos dois tipos nesse texto), torna-se imprescindível discutir os impactos negativos dela. Enquanto a dor que faz crescer pode ser necessária às relações amorosas, a dor que dói pode ser a razão do fim delas. Para compreender tal questão, deve-se ter em mente que tudo gira em torno da questão dos sentimentos, de como nos sentimos com a outra pessoa.

Dessa forma, é plausível fazer um paralelo. Ao mesmo passo em que minhas produções textuais são expressões dos meus anseios, das minhas inseguranças e de todos os outros sentimentos que permeiam meu cotidiano, as atitudes das pessoas também são expressões de seus sentimentos. É possível ver se um indivíduo está feliz ou triste, bem ou mal pela maneira como ele age. Afinal, ações são o meio pelo qual se manifestam os sentimentos internos.

Tal situação transforma-se em um problema a partir do momento em que entendemos que nossas ações individuais afetam as outras pessoas. Se estamos tristes, felizes ou irritados, nossas ações expressam isso, o que, por conseguinte, atinge diretamente aqueles que estão ao nosso redor. Assim, entende-se que a maneira que externalizamos nossos sentimentos dita a maneira como os indivíduos ao redor vão responder às nossas ações (ou à falta delas).

Para ilustrar o paradigma acima, pense em uma pessoa muito chata e desagradável que sempre está atrapalhando e irritando. Se ela faz isso, é porque você deixa. Se há alguém desrespeitando seu relacionamento, é porque você deixa. Se você está em uma relação e você responde mal, não gosta de conversar sobre as dificuldades do dia a dia e achar soluções mútuas, é óbvio que seu parceiro vai ficar magoado. Ou seja, nossas ações têm reações, e estas podem causar dor a alguém.

Mas como saber quando a dor que faz crescer acaba e quando a “dor que dói” domina?

Todo indivíduo possui paradigmas e sentimentos diferentes, o que naturalmente vai individualizar a sua forma expressar seus sentimentos. Todavia, quando se está em um relacionamento, o jeito de lidar com as adversidades deve ser diferente, pois há de se levar em conta os sentimentos da outra pessoa. Dois indivíduos, quando juntos, devem sempre preocupar-se com como o outro se sentirá, com como o outro vai “receber” aquela mensagem.

Quando há esse tipo de sintonia, em que um se importa com a recepção que o outro terá de seus sentimentos, cria-se um relacionamento agradável e saudável. A melhor forma de ter um relacionamento em que ambos os lados estão felizes é quando ambos os lados procuram fazer o outro feliz. Claro, é impossível manter um relacionamento perfeito o tempo todo, é óbvio que haverá atritos, e estes servem para melhorar e aproximar [leia-se dor que faz crescer], mas o problema começa quando há apenas dor que dói.

A dor que dói é aquele estado em que não há lição e nem crescimento, somente tristeza. Não se importar mais com como o outro se sente, relevar o que o outro sente, não se desculpar e ser indiferente são sinais de que se atingiu o estado da dor que dói. Quando alguém se preocupa em ser gentil e agradável e nós respondemos de maneira desleixada (tanto gestos grandes, como declarações de amor, quanto simples coisas, como um bom dia), estamos dando àquela pessoa “dor que dói”. Ela não cresce, não melhora, aliás, acontece o movimento oposto.

Quando se trata de relacionamentos, como saber quando já deu? – Carrie Bradshaw

Finalizo esse texto com a citação acima, ela talvez seja um pensamento necessário. Após entender que a dor que faz crescer aproxima os indivíduos, fortalece o relacionamento e que a dor que dói apenas… dói, talvez seja preciso perguntar o que está mais presente no nosso cotidiano. Se estamos conscientes de que estamos com alguém que não se importa com nossos sentimentos, estamos voluntariamente nos machucando e negligenciando o nosso bem-estar. E o que pode ser pior do que isso?

Informações do Autor

Ricardo Bibiano

Mineiro, Letras e professor de redação. Publico textos há aproximadamente 1 ano. Socialite falido.

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