Como a educação infantil pode salvar a vida das mulheres

 Todos já ouviram falar sobre o caso da menina de 16 anos violentada no RJ. Depois de ouvir e ler diversas opiniões, questionamentos e teorias sobre o assunto, uma me chamou a atenção de modo especial: o que efetivamente fazer sobre casos como este? Você pode estar lendo isto e achando que estou louca ao “misturar” a educação infantil com estes casos “distantes e horríveis” que aparecem na TV. Mas não! Não há loucura em misturar os temas nem em trazer à tona uma discussão sobre o que acontece bem perto da gente.

Nossa sociedade patriarcal (ou machista) só vai mudar quando nossa educação mudar. Ou seja… Podemos começar já, trabalhando com nossos filhos e alunos!

Este modelo de sociedade, em que ainda vivemos, oprime as mulheres, mas também os homens. Quem já ouviu: “Isto é coisa de menina”, “Homem não chora”, “Tinha que ser mulher no volante”. Poderíamos listar diversas destas frases de efeito (efeito destruidor).

Mas o que efetivamente podemos fazer? Educar nossas crianças para a igualdade de gênero.

Os meninos e meninas precisam saber cuidar de si mesmos e dos outros. As meninas precisam brincar de carrinhos e ferramentas; os meninos precisam brincar com utensílios domésticos e bonecas.  Homens e mulheres choram sim. Não temos que ensiná-los a não chorar. Chorar é uma forma de expressão; precisamos ensiná-los que todos podem chorar, mas que não adianta chorar por muito tempo… É preciso respirar fundo e pensar em formas de resolver aquela tristeza, frustração ou raiva. As crianças precisam aprender a verbalizar seus sentimentos, se não a forma mais fácil será batendo, mordendo, chorando… E quando adultos: violência, agressões, depressões.

Por que não criar o hábito nas salas de aula da educação infantil de uma vez por semana ou quinzenalmente acontecer o dia de carros: um circuito de carros, ruas, oficinas, postos de gasolina: Neste dia cada criança teria seu carrinho e cada um terá que cuidar e realizar a manutenção pois sem manutenção o carro não anda.  Também o dia da casa ou do hospital: neste dia organização e cuidados com os bebês (filhos ou pacientes) são o objetivo da brincadeira.

Sei que em nossa região os professores de educação infantil trabalham a igualdade e estimulam todas as brincadeiras. Mas o olhar precisa ser cada vez mais atento e os objetivos claros. Não serão 20 minutos de brincadeira livre com carrinhos ou bonecas que vai incentivar as crianças a serem conscientes e livres destes preconceitos de gêneros que acompanham nossa sociedade a tempo demais.

E dentro de casa? O que mães e pais podem fazer? Pais: meninos e meninas arrumam suas camas; meninos e meninas ajudam na organização da cozinha; meninos e meninas podem ir a jogos de futebol ou aulas de dança. Meninos e meninas falam com licença, por favor, obrigada; Meninos e meninas tem voz e precisam ser ouvidos e respeitados. Poderíamos trocar meninos e meninas, por homens e mulheres: e então? Como está a igualdade de gêneros em sua casa? Faltam linhas para explorarmos todo o potencial e importância que o exemplo de dentro de casa tem.

Precisamos ensinar nossas crianças a serem autônomas e respeitosas desde a época da educação infantil.  Deste modo saberemos que casos como a menina carioca de 16 anos ou a mulher que passa em frente a um grupo de homens e é hostilizada ou a mulher que diz NÃO em casa e sofre algum tipo de represália…  Não terão sido em vão, terão sido parte de uma luta importante que todos (homens e mulheres) batalharam juntos e venceram. Pois onde há respeito todos ganham!

 

TEXTO POR: Tanymara Paganelli – Professora de Educação Infantil
Imagem: woodleywonderworks

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *