Educação libertadora: o desafio de ser autêntico em meio ao social

No mundo contemporâneo ainda é possível perceber a necessidade que o homem tem de se encontrar. Reconhecendo esse desafio, algumas ciências vêm tentando superá-lo. Umas com bases em teorias mais antigas, e outras com bases em práticas mais atuais. Felizmente, há uma ferramenta para isso: a educação libertadora.

O ser humano, sendo resultado da evolução biológica, vivencia experiências interiores e sociais. E por essa razão, acredita que produz a realidade, quando na verdade é produzido por ela. Em paralelo à biologia, à psicologia, à sociologia e à pedagogia, outras fontes de saberes se cruzam e nos fornecem informações, levantam questionamentos e sempre abordam discussões sobre a essência humana, suas sensações, verdades e ideias.

Do ponto de vista da psicologia, as características humanas foram aprendidas em algum momento através do contato, com experiencias individuais e a partir das ações sociais. Portanto, o que na maioria das vezes consideramos natural foi, na realidade, criado socialmente.

Coincidentemente a essa concepção, a sociologia também não enxerga o “eu” como o centro do mundo. A configuração da sociedade é uma troca e acúmulo de conhecimentos, costumes, valores e aprendizados, embora o sujeito já tenha consciência do conceito de liberdade e tente de todas as formas agir individualmente. Isso se torna impossível, visto que, em convivência com a espécie, o modelo humano de viver, é desejável para a manutenção da sociedade que a ordem social continue existindo e impondo a padronização e a obediência dos nossos corpos.

Conhecido também como “Regime Disciplinar”, esse sistema de dominação, às vezes invisível, interfere nas nossas escolhas, desejos e postura. Nesse contexto, a pedagogia e a escola, como um espaço de circulação do saber e de instrumento de poder, assumem o papel de demonstração social ao fazer da aprendizagem e do conhecimento uma esfera de novos modos de se relacionar, de sentir e de fazer estranhar as coisas que nos são comuns. Pois, sempre que aprendemos, evoluímos e nos sobrepomos à demanda do ambiente.

Dessa forma, superamos desconfortos e, em alguns casos, mudamos padrões de comportamento. Assim, adotamos uma nova postura e o nosso corpo não entra mais em contato com o movimento que é nosso, e aos poucos vai deixando de ser perseguido e dominado pela ordem social, que não nos permite criar, apenas reproduzir. Porque a criatividade, para um sistema que prega pela obediência e pelos bons costumes, pode ser muito perigosa e inconveniente. A nossa liberdade, cheia de regras e limitada.

Por isso, tanto a psicologia quanto a sociologia consideram que não somos um só, mas sim, a soma de outras pessoas. E que através das nossas vivências, observações, lucidez e criatividade, podemos aprender e cultivar outras visões da natureza humana e do mundo.



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Informações do Autor

José Domingos

Acadêmico do curso de Letras-Português e Francês da UFS, è bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica). No universo corporativo atuou em vendas e em relações administrativas. Hoje, prefere ver o mundo através das páginas. À frente do projeto Cine Qua Non, desenvolve trabalhos voluntários nas áreas de literatura , artes e comunicação . Têm artigos publicados em Webartigos.com.br, e é também colunista no Portal Sucesso Jovem.

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