Empreendedorismo nas escolas: educação para uma vida próspera

Mostrar às crianças que todas elas têm condições e capacidade de alcançar seus objetivos e metas, independentemente das dificuldades. Esse é o objetivo do projeto Empreendedorismo nas Escolas, do Núcleo de Jovens Empreendedores da Acijs, cujos diálogos começaram em 2009 e que, no ano passado, teve seu primeiro ano de aulas práticas e teóricas a alunos de 6º ao 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Helmuth Guilherme Duwe, no bairro Rio da Luz.

O projeto, que está inserido no Programa Mais Educação, do Governo Federal, foi inspirado em um modelo semelhante idealizado pelo Núcleo Jovem Empreendedor de Rio do Sul e disseminado para todo o Estado: levar aos alunos lições de empreendedorismo que vão desde a educação financeira até o marketing, análise de mercado, plano de negócios e planejamento estratégico para que, utilizando ferramentas de gestão, eles consigam modificar o próprio caminho.

Aqui, o modelo original precisou ser modificado para se adequar à realidade local. Nos primeiros anos, o projeto Jaraguaense se limitava a palestras de educação financeira nos auditórios da Acijs, disponíveis para qualquer escola interessada do município. A partir de 2014, no entanto, o programa foi reformulado para se adaptar à realidade local. “Fizemos uma reunião com a Secretaria da Educação e, em conjunto, resolvemos modificar os parâmetros”, conta a arquiteta e coordenadora do Núcleo de Jovens Empreendedores da Acijs, Ana Maria Marangoni. Segundo ela, as primeiras aulas foram planejadas com base em assuntos pré-determinados, semelhantes ao do projeto rio-sulense.

“Já na primeira aula percebemos que nossas expectativas estavam equivocadas. O empreendedorismo ainda é algo distante, muitas das crianças não tinham sequer o básico e viviam realidades muito carentes, com diversos problemas familiares de todo tipo, mas mesmo assim foram muito receptivos. O sonho da vida de algumas delas era conhecer o Parque Malwee. Assim, começamos a fazer tudo diferente. O primeiro passo era fazê-las perceber que seus sonhos são possíveis de serem alcançados, e que eles conseguem fazer muito mais”, relata Ana.

A partir de então, a ideia inicial – de promover um “Mini-Empretec”, como desenvolvimento de planos de negócios e empresas fictícias – foi abandonada para viabilizar um novo estudo. Durante o ano de 2015, o projeto foi reelaborado em conjunto com a escola e a secretaria. A partir de então, após cada aula, a próxima era planejada de acordo com o desenvolvimento alcançado.

Como funciona o Empreendedorismo nas Escolas

A intenção do projeto é trabalhar com uma escola por ano, em um modelo contínuo. Este ano, diálogos estão ocorrendo com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Cristina Marcatto, no bairro Jaraguá Esquerdo. As aulas ocorrem sempre no contra turno, fora do horário letivo normal, para os alunos que permanecem na escola durante o dia.

O foco é o resgate da autoestima dos participantes e fornecimento de estímulos para que planejem a realização dos seus sonhos, atuando de forma empreendedora e fortalecendo a presença da criança como agente de transformação da sociedade.

Resultados

O projeto virou uma pasta dentro do Núcleo e hoje conta com um Grupo de Trabalho que, além de organizar o projeto, também ajuda a ministrar as aulas nas escolas. “Já dei aula também, e é uma experiência muito legal. Sempre fazemos aula envolvendo teoria, dinâmicas e tarefinhas para os alunos. Eles adoram e se envolvem muito”, conta Ana.

Além de trazer alguns conceitos empreendedores para as aulas, com foco na vida e desenvolvimento pessoal dos alunos, as tarefas são também relacionadas ao tema e, como as aulas acontecem uma vez por mês, é esse o prazo para colocá-la em prática. Geralmente, os alunos são convidados a mudar algum comportamento, ou aplicar algum conceito trabalhado durante aula em sua vida diária.

As próximas aulas devem ter início este mês. No final do ano, a última aula é uma confraternização. No ano passado, dois alunos ainda foram escolhidos para, junto à diretora da Escola, apresentar o projeto na plenária da Acijs. A ideia foi tão bem aceita que, agora, a intenção é expandir para mais escolas e no futuro, quem sabe, levar o projeto a outros municípios catarinenses.

Imagem: Arquivo do Projeto

 

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

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