Profissional maduro: é raro, caro ou simplesmente não existe?

Depois da maratona escolar, o jovem chega ao ambiente de trabalho e os problemas comportamentais que carrega consigo começam a aparecer, refletindo no desempenho da empresa que o acolheu. No entanto, o empresário, que deveria ter um plano de desenvolvimento dos profissionais, prefere sonhar com um profissional pronto e maduro, o que é raro, caro ou não existe.

Rompida a sintonia entre as partes da engrenagem social, família, educação, formação técnica e iniciativa privada – se é que em algum momento o Brasil alimentou de forma segura e duradoura alguma conexão entre essas partes –, o impacto negativo no mundo dos negócios se torna automático, fazendo com que as lideranças empresariais sintam dificuldades redobradas ao se orientar e orientar suas equipes, seja por falta de capital humano disponível no mercado ou por todas as deficiências de formação.

O agravante é que parcela expressiva dos empresários não percebeu ainda que a responsabilidade social pela formação e capacitação do profissional que sua empresa precisa vem sendo, por livre e espontânea pressão, transferida para o ambiente de trabalho, ou seja, para dentro da empresa.

É simples entender o que está acontecendo. Juntando as pontas, temos o seguinte:

A primeira coisa que o empresário precisa admitir é que não tem oferecido aos novos colaboradores nada além do elementar. Uma das perguntas que fazemos para constatar isso é sobre suas dificuldades de atrair bons profissionais: “Qual o seu sistema de aperfeiçoamento de equipe?” Normalmente a resposta é nenhum. Ou seja, ninguém quer dispor de tempo para formar, porque estamos vivendo a cultura do imediatismo, que considera a formação um gasto adicional e improdutivo. O profissional para esse tipo de empresário tem que estar pronto e para agora, seja porque ele corre riscos financeiros e precisa reverter desesperadamente a situação de sua empresa ou porque muitos não fazem um planejamento de longo prazo.

Diante dessas dificuldades, o empresário deve ter bem definido seu negócio, os profissionais que precisa e o que cada um deve fazer para a máquina funcionar bem. Além disso, precisa ter em mente que não encontrará colaboradores à altura de suas expectativas, por isso, será obrigado a transformar sua empresa em uma “escola”. Assim poderá dar a forma que deseja à sua equipe.

Lamentável é constatar a cada reunião com executivos que treinamento e capacitação estão fora de seu vocabulário e do vocabulário dos seus superiores. É como se, ao invés de enxergar nessas ações investimentos duradouros, vejam apenas gastos que precisam ser evitados. Um equívoco.

Crédito foto: freedigitalphotos.net/sippakorn

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Alessandro Natal

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