Há milhões de pessoas competentes, repletas de diferenciais para oferecer, mas são mal sucedidas profissionalmente. Elas trabalham intensamente, e bastante, porém, não conquistam resultados expressivos. Por que isso acontece? Elas mantêm na Caixa da Vida delas uma mente perdedora, fraca, que não sabe se proteger contra os ataques constantes dos problemas e dificuldades que o mercado de trabalho apresenta. Ou seja, têm tudo, menos um estado mental de vencedor.

Quando algo dá errado na vida profissional delas, logo se entregam aos acontecimentos, canalizando ideias negativas, pensamentos de fracasso, e procuram, mentalmente, justificativas e desculpas para o que deu errado. E pior, se alguma coisa dá certo, dizem que foi sorte. Não acreditam em si mesmas. Não creem que podem ser maiores do que são, terem mais resultados do que têm.

Quem tem um Estado Mental de Vencedor, quando não bate as metas, foca toda a sua energia para saber o que fez de errado e procura correções. Já, quem mantém um Estado Mental Deteriorado se curva, atrofia, se encurta diante das falhas.

O ser humano começa a cair quando reconhece que não tem condições para se levantar mais uma vez. E infelizmente o mundo está repleto de pessoas com o EMDEstado Mental Deteriorado, e carente de gente com um EMV Estado Mental de Vencedor.

Vencedores não procuram desculpas, nem dão justificativas e explicações. Eles procuram a raiz dos problemas, e reconhecem suas culpas. A partir disso vão atrás das soluções, de maneiras de como fazer dar certo o que ainda não saiu como esperavam.

Você tem um EMD ou um EMV?

Pessoas com EMV parecem blindadas, como um carro forte. Elas sabem que haverá problemas, falhas, crises. Porém, focam nas soluções, acertos e oportunidades. Contra tudo e contra todos, vão desacreditando de previsões catastróficas, rompendo barreiras, sem parar. Nadam contra a correnteza, mergulham ainda mais, mesmo que todos estejam fora do rio, gritando para que saiam, senão vão se afogar.

Não são pessoas aventureiras, que desafiam os limites da sanidade. São pessoas que apenas desafiam os próprios limites, que têm imunidade contra o pessimismo e o que está acontecendo no mundo de fora. Elas pensam em vender e lucrar mais, e não em apenas reduzir os custos. Elas não ouvem os sermões dos chefes, mas os elogios dos clientes. Não estão nem aí para quem faz previsões negativas, e mal olham para os noticiários sobre crises. Simplesmente acordam cedo, pedem ao Papai do céu que dê a elas energia, saúde e fé, e vão fazer o que precisa ser feito.

O foco delas não está em quanto vão ganhar mantendo esse EMV. O foco é quantas pessoas vão ajudar fazendo um trabalho de excelência. Em quanto o universo vai conspirar a favor delas por manterem essa energia positiva de quem sabe que no fim das contas, as coisas se ajeitam para quem conserva um EMV. Elas criam um momento próprio, no qual reconhecem que depois dos tsunamis se reconstrói mais fácil quem não fica lamentando o que perdeu, mas sim quem mantém o foco no que precisa reconquistar.

Já imaginou um cirurgião sem um EMV? Há cirurgias que levam cinco, dez horas para serem concluídas. Se o cirurgião desfocar por um instante, seu paciente morre. Pode estar chovendo, caindo canivete, os juros aumentando, o dólar subindo, mas o cirurgião continua ali, focado. Muitos sequer vão ao banheiro. Eles entram num Estado Mental de Vencedor tão grande que o cérebro bloqueia qualquer outra necessidade, a não ser a de operar com sucesso o paciente.

O mundo pode estar desabando, inclusive, o mundo do próprio cirurgião. Quem sabe as coisas não estejam bem em casa, talvez o filho dele esteja com problemas na escola, com os amigos. Porém, nada mais importa naquele momento. Tudo o que interessa a ele, ou ela, é manter o EMV lá em cima para que o paciente não morra.

Novamente, você tem um EMV? Você consegue manter esse foco total naquilo que está fazendo, sem se importar se o mundo está desmoronando lá fora?

Quando assumi uma empresa, praticamente falida, sem prestígio e credibilidade, por uma série de erros e deslealdade de alguns funcionários para com os clientes, muitos me chamaram de louco. Diziam que a maioria dos clientes iria embora, pois um falaria para o outro que teve prejuízos por culpa da empresa. Falavam que a empresa estava condenada a fracassar rapidamente. Não era uma empresa grande, porém, considerada a proporção do seu tamanho, o prejuízo mensal que a empresa tinha era monstruoso, além do risco de realmente perder clientes.

Mas eu fechei os ouvidos às ponderações que faziam. Eu sabia que a empresa era maior do que seus erros. Que os colaboradores que ficaram eram maiores, mais honestos, e mais competentes do que os que foram embora. Me reuni com cada funcionário e expliquei a real situação da empresa. Ninguém me abandonou. Fiz o mesmo com cada cliente. Contei a verdade, e assumi que de fato alguns colaboradores haviam cometido atrocidades em relação aos clientes, no entanto, resolveríamos tudo (embora eu não tivesse muita noção de como fazer isso). Apenas dois clientes foram embora.

Resumindo, em menos de dois anos nosso faturamento havia triplicado, bem como os lucros e o número de clientes. Pagamos todas as dívidas que a antiga administração deixou, e a empresa passou a desfrutar de um belo fluxo de caixa e de uma extraordinária rentabilidade.

Quem tem um alto EMV não fica lamentando a falta de água: constrói um poço artesiano e sai vendendo água. Não reclama da falta de clientes: para todo cliente que diz não, a pessoa liga para outros dez que podem dizer sim. Não fala mal do governo meramente: pinta a cara e sai às ruas exigir seus direitos sem destruir os direitos dos outros.

Como manter um EMV e fugir do EMD?

 

Assuma a responsabilidade

 

Quem quer manter seu EMV precisa assumir a culpa pelo que não dá certo na sua vida. Não importa se era para alguém ajudar e não ajudou. Se o mercado em que atua deveria receber mais investimentos públicos e não recebeu.

Se você quer manter seu EMV não pode gastar energia lamentando aquilo que os outros deveriam fazer e não fizeram. Gaste-a chamando a responsabilidade para si e siga em frente.

Metas não são atingidas porque o vendedor fica esperando os clientes, culpando a empresa pela falta de investimento em propaganda. Equipes não são formadas porque os líderes sonham que os conflitos vão se resolver por si só, enquanto desfruta de sua imponente sala, e de sua bela cadeira giratória, com os pés sobre a mesa de madeira importada da Alemanha. Excelentes resultados não são atingidos porque o colaborador está esperando ganhar mais para trabalhar mais, e o diretor esperando ele trabalhar mais para aumentar seu salário.

Não adianta. A Caixa da Vida de ninguém chamará o sucesso profissional para dentro dela, enquanto a pessoa não assumir a responsabilidades pelos seus resultados.

Você assume 99,9% da responsabilidade pelos seus resultados? Não resolve. Tem de ser 100%. Se alguém ajudar, ótimo, senão, você vai lá e faz!

 

Ataque a origem

 

Quem tem dor de cabeça vive tomando analgésico. Mas, geralmente a dor de cabeça é um sintoma, e não a origem do problema.

Conta a história que um homem passou a vida com fortes dores de cabeça. Foi a vários especialistas e tudo o que faziam eram exames, sem encontrar nada de errado em sua cabeça. Tomou medicamentos a vida inteira, porém, cada vez mais, porque as dores aumentavam, até o dia em que só conseguia sentir menos dor à base de morfina.

Não suportando a dor, o homem pedia insistentemente para morrer, até que morreu. Ao chegar ao céu, foi recebido por Cristo. Com raiva, ele perguntou a Cristo a razão de ter sofrido tanto com aquelas dores de cabeça, sendo que fazia constantes orações e era uma pessoa justa. Cristo olha para ele e pede para que olhe no calcanhar. O homem notou que estava inflamado e perguntou o que aquilo tinha a ver com suas dores, afinal, o que lhe incomodava era dor na cabeça e não no pé. Cristo olha par ele e diz: “vou lhe dar mais uma chance. Volte para a Terra e peça para um médico olhar no seu calcanhar”. Retornando à Terra, o homem se viu num leito de UTI, e imaginou que havia apenas sonhado. Porém, chamou o médico e pediu para que ele olhasse o que tinha de errado com seu calcanhar. O médico olhou, viu que estava um pouco inflamado e pediu um raio-x para dar o diagnóstico. Quando recebeu o raio-x percebeu que havia um pequeno espinho no calcanhar daquele homem. Fez então uma pequena incisão e, com uma pinça, extraiu o espinho. Na mesma hora o homem sarou da dor de cabeça.

Pessoas com alto EMV atacam a origem dos seus problemas, e não os sintomas.

Muitos empresários reclamam que os clientes não vão até suas lojas. No entanto, não permitem que os vendedores saiam prospectar, só porque é uma loja de varejo. Em vez de liberarem 50% dos vendedores para saírem às ruas, visitar clientes, prospectar, ou pelo menos, ligar para o maior número possível de pessoas convidando para virem à loja, preferem que eles fiquem andando para lá e para cá dentro da loja, ou que fiquem encostados pelos cantos, sem ter ninguém para atender.

Profissionais reclamam de que o chefe não vê seu serviço, e o culpam pelo baixo salário. Dizem que só os puxa-sacos sobem na empresa. É mentira. A verdade é que você precisa contar sobre suas capacidades para seu chefe. Você precisa falar com ele, mostrar suas competências. E não custa nada elogiar sutilmente a chefia. Não é criticando ou falando mal dele ou dela nos bastidores da empresa que você será promovido.

Analise quais os problemas você vem enfrentando, na vida profissional. Veja o que está dando errado fora da Caixa da sua Vida, e faça uma lista disso tudo. Porém, vai precisar olhar o que está errado dentro dela para descobrir a origem desses problemas.

Procure o espinho no seu calcanhar!

 

Corrija os erros

 

Só descobrir a origem dos seus problemas não resolve nada. É por isso que muitos psicólogos, terapeutas e psiquiatras não têm sucesso. Eles ajudam o paciente a descobrir a origem dos seus erros e problemas, mas não participam mais da etapa de correção.

Depois que você fizer a sua lista de problemas externos que estão afetando sua vida, e se aprofundar nas origens deles, precisa agir.

Não adianta concluir: “nossa, que legal, agora sei porque sou alcoólatra. Meu pai me abandonou, batia na mamãe quando eu era criança, e graças a um especialista descobri isso numa sessão de hipnose”, porém, continuar bebendo. É necessário que você comece um tratamento, tanto para resolver seu conflito pessoal, existencial, em relação ao seu pai, bem como dar um basta com a bebida, evitando festas, bares, e tudo o que ativa o gatilho da bebida.

Há pessoas que sabem exatamente quais são as causas dos seus problemas. Por exemplo: sofrem de gastrite, e a causa é o excesso de refrigerante, condimentos e conservas, alimento gorduroso, bebida alcóolica, nervosismo. Mas o que elas continuam fazendo? Tomando refrigerante, cerveja, comendo pepino azedo acompanhado de uma suculenta costelinha suína, e se irritando até quando o cachorro abana o rabo.

Se você sabe, por exemplo, que a causa de você não ter uma empresa de sucesso é porque não atende bem aos clientes, você precisa treinar seus vendedores e todos na empresa. Não adianta fazer propaganda e chamar os clientes. Vai quebrar mais rápido sua empresa, pois eles serão mal atendidos.

Se a sua carreira não evolui, seu salário não aumenta, e você sabe que a razão é porque na empresa só é promovido quem tem uma pós-graduação, não adianta reclamar. Vá fazer terminar a faculdade e fazer uma pós-graduação. Ou saia da empresa e procure algum lugar onde ela não seja necessária para crescer profissionalmente.

 

Mantenha o foco

 

O foco das pessoas com EMV está sempre no que elas precisam fazer para que suas metas sejam alcançadas, e não no que fazer para diminuir os prejuízos.

Você precisa desconectar-se do mundo externo muitas vezes para conseguir realizar o que você quer, como o cirurgião no momento da cirurgia, o atleta no momento do salto, o lutador no momento do golpe perfeito.

Sempre que faço treinamentos observo quem vai sair dali e atingir mais resultados. Alguns participantes estão mais preocupados com as postagens no Facebook do que com o treinamento. Outros focam mais na blusa da colega do que no conteúdo da palestra. Alguns ainda chegam bem cedo, mas para ficarem lá atrás, bem no fundo, só para conversarem e falarem mal dos colegas que estão lá na frente da plateia. É engraçado, mas muitos focam mais na mosca que os incomoda do que em se qualificar para bater metas.

A Hortência, uma das maiores jogadoras de basquete do mundo é um exemplo fortíssimo de foco. Na hora do arremesso, depois de uma falta, ela parecia ignorar qualquer situação, a torcida adversária e a própria torcida naquele momento. Ela estava 100% compenetrada em acertar o arremesso. O que acontecia? Ela acertava na imensa maioria das vezes.

Você precisa focar, se isolar do mundo quando estiver realizando alguma coisa que pode mudar sua vida, e a vida dos outros, seja um treinamento, uma cirurgia, um salto, um arremesso.

Foco traz sucesso e felicidade para dentro da Caixa da sua Vida.

 

Crie uma casca grossa

 

Boa parte das pessoas não tem uma casca grossa. É só um pequeno aborrecimento acontecer que elas param com tudo. E mesmo sem contratempos muitas não começam nada, só por prestarem mais atenção a videntes, horóscopo, e gente pessimista, do que na própria capacidade.

Não há como construir uma carreira ou um negócio de sucesso se você é suscetível demais às condições externas ou aos pontos fracos que possui.

Como vimos, você precisa descobrir a origem e corrigir esses pontos. Contudo, nem sempre tudo vai dar certo só porque fez as correções. E é nessa hora que sua casca precisa ser grossa para suportar a pressão.

Essa casca é uma espécie de blindagem, onde, aconteça o que acontecer, você sabe que seu papel não é chafurdar no lodo das lamentações, mas sim, de erguer a cabeça e procurar soluções.

Na maior parte das vezes na vida, você vai ter que ser como um tatu, que ao pressentir o perigo, se recolhe para dentro da casca para não ser atacado.

Sua casca é grossa para suportar quando for atacado?

Você merece ser um sucesso, merece ser feliz, venha o que vier, aguente firme.

Torço por você!

Paulo Sérgio Buhrer

Palestrante

www.professorpaulosergio.com.br

Crédito imagem: http://www.freedigitalphotos.net/suwatpo

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