Em janeiro de 2014, um relatório especial sobre startups confirmou algo que eu já vinha observando há algum tempo. Diz que no mundo virtual também está acontecendo uma explosão empreendedora. Que startups digitais estão borbulhando em uma impressionante variedade de produtos e serviços, penetrando cada canto e recanto da economia. Que essa explosão de startups está reformulando indústrias inteiras e até mesmo alterando a própria noção de empresa. Acrescenta que este frenesi digital tem dado origem a um movimento global. E que a maioria das cidades grandes do mundo tem agora uma colônia considerável de Startups (“ecossistema”). Em tais “ecossistemas”, temos o lar de centenas de escolas de Startups (“aceleradoras”) e milhares de espaços de coworking onde os grupos cafeína em seus 20s e 30s anos labutam debruçados sobre seus laptops. Todos estes ecossistemas estão altamente interligados, o que explica por que os empreendedores de internet são uma multidão global. Como artífices medievais, eles viajam de cidade em cidade, laptop e não martelo na mão. E como diz Simon Levene, um investidor de capital de risco, em Londres “Qualquer um que escreve código pode se tornar um empreendedor em qualquer lugar do mundo”.

Com isso você pode pensar: aqui vamos nós de novo, acontecerá mais uma bolha dotcom. De fato, o número de startups de software puro pode ter já atingido o pico. E muitas novas ofertas são simplesmente iterações sobre as já existentes. Ninguém realmente precisa de mais um aplicativo de compartilhamento de fotos, assim como ninguém precisava de outro site para a parafernália de pets no primeiro boom da internet no final de 1990. O Sr, Andersen, cofundador da Netscape que viu a bolha de perto adverte que existe o perigo, pois mais uma vez muito dinheiro está sendo bombeado para startups e que “quando as coisas aconteceram na última vez, levou dez anos para repor a psicologia”. E diz ainda que mesmo sem outra explosão de bolha internet, mais de 90% dos startups vai quebrar.

Mas, desta vez, é diferente, pois o crescimento empreendedor de hoje é baseado em fundamentos mais sólidos do que na bolha da Internet da década de 1990, o que torna mais provável que continue no futuro previsível. Uma explicação é que agora temos menores custos de infraestrutura de tecnologia com hardware, software e comunicação; novos tipos de produtos (bits) e canais (virtuais); e os blocos básicos de construção para os produtos e serviços digitais – as “tecnologias de produção de Startups”, que nas palavras de Josh Lerner, da Harvard Business School, tornaram-se tão evoluídos, baratos e onipresentes que eles podem ser facilmente combinados e recombinados.

Alguns desses blocos de construção são trechos de código que podem ser copiados gratuitamente da internet, juntamente com frameworks de programação fáceis de aprender. Outros são serviços para encontrar desenvolvedores e designers, sites de compartilhamento de código e teste de usabilidade. Temos blocos conhecidos como APIs (interfaces de programação para aplicativos) – conectores digitais que estão se multiplicando rapidamente. As APIs permitem que um serviço use outro, por exemplo: chamadas de voz; mapas; e pagamentos. Os blocos mais importantes são “plataformas” de serviços que podem hospedar as ofertas das startups (computação em nuvem), distribuí-las (lojas de aplicativos) e comercializá-las (mídia social). E depois há a internet, a mãe de todas as plataformas, que agora é rápida, universal e sem fio.

Startups são melhor pensadas como experimentos em cima de tais plataformas, testando o que pode ser automatizado em negócios e outras esferas da vida. Alguns destes negócios vão funcionar, outros não. Hal Varian, economista-chefe do Google, chama isso de “inovação combinatória”. De certa forma, esses negócios startups, estão fazendo o que os seres humanos sempre fizeram: aplicar técnicas conhecidas para novos problemas. O falecido Claude Lévi- Strauss, antropólogo francês, descreveu o processo como bricolagem (ajustes).

A tecnologia tem alimentado a explosão empreendedora de outras maneiras também. Muitos consumidores se acostumaram a tentar serviços inovadores de empresas com nomes estranhos. E graças à web, informações sobre como fazer um negócio Startup estão mais acessíveis e uniformes. Padrões globais estão surgindo como: ferramentas de programação, termos de negociação para investimentos, código de vestimenta e vocabulário, tornando mais fácil para os empreendedores e desenvolvedores se moverem ao redor do mundo.

Startups acontecem no hype (mídia), as coisas são sempre “admiráveis” e as pessoas “super animadas”. Mas este mundo tem seu lado escuro também. O fracasso pode deixar cicatrizes, além disso, ser um empreendedor muitas vezes significa inicialmente não ter vida privada, dormir pouco e em alguns casos viver comendo miojo.

Grandes empresas também podem fornecer investimentos iniciais e depois usufruir de parcerias com startups para acelerar seus processos de inovação em paralelo a outros trabalhos internos, pois startups são mais ágeis e dinâmicas e com o devido apoio e orientação podem gerar melhores resultados, mas isto é assunto para outro artigo.

Crédito imagem: http://www.freedigitalphotos.net/jannoon028

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