Fazer acontecer com a geração de cenários

Estive pensando e lembrei de um acontecimento, e este recobrou outros, a maioria ligado a cenários separado pelo tempo. O primeiro que recobrei foi quando ocorria na empresa que a muitos anos atrás trabalhei, no qual recebíamos um convite para festa de fim de ano, no convite descrito para levar as crianças. A diretora de marketing da empresa preparava uma bonita e inesquecível festa, em especial com o tema do natal, contratava até um papai Noel e neve artificial. Resumindo, montava com muito capricho um cenário lúdico para as crianças.

Outra vez, há muito tempo um professor de direito chegava sempre na sala de aula de ciências da computação que eu estava e falava que as vezes se sentia confuso devido a sua vida corrida, porque pela manhã estava em uma reunião, em seguida diante de clientes, e a alguns outros momentos estava diante de um tribunal, e em instantes estava diante de alunos em uma classe. Assim falava que essa mudança de cenários as vezes o confundia. Ao andar pela cidade, no campo, na estrada, em um hospital, em uma escola, somos apenas plateia ou atores nestes ambientes. Note que a definição mais básica para cenário é o lugar onde se representam dramas, comédias, panos de teatro, ou qualquer atuação, o cenário representa lugares ou paisagens. Já o cenarista é o especialista em projetar e desenvolver cenários, é aquele que arranja a sequência das cenas de uma atuação, ou seja, o cenógrafo. Pode parecer estranho de certa forma este assunto, mas muitos empreendedores são de fato além de inovadores e geradores de ideias, são também mestres de cenário. Na atitude empreendedora observamos que os melhores empreendedores da livre iniciativa são mestres em desenvolver cenários que praticamente não existem, surpreendendo as pessoas, no qual estes cenários conseguem praticamente falar com o seu público alvo.

Este assunto remete a muitas coisas, e leva a mente a pensar na quantia de possibilidades e o potencial ainda possível de ser explorado na geração de cenários. Muitos empreendedores focam obcecadamente em produtos, processo e estratégias, mas muitas vezes esquecem da importância do cenário básico para fazer as coisas acontecer. Apenas para complementar, uma guerra não nasce do nada, antes da guerra normalmente há um campo aberto ou uma cidade, e gradualmente as máquinas, instrumentos, armas, equipamentos bélicos e materiais vão chegando, junto com as pessoas que farão as coisas acontecer. É certo que cenário sem pessoas não significa nada, mas o cenário é o ponto vital para instigar as pessoas, logo estas que farão as coisas acontecer de acordo com o cenário. Vejam o professor! Na atualidade mesmo sem o cenário da classe padrão este pode atuar, fazendo uso da Internet para interagir com seus alunos, e até mesmo por cartas ou outras tecnologias ou meios, ou seja, são cenários virtuais. Para quem ainda não compreendeu o potencial do negócio dos cenários basta compreender por outro ponto de vista! A atitude empreendedora pode focar sua ideia nos cenários, valorizando o potencial do seu negócio. Exemplificando, podemos imaginar a eleição política como a mesma é feita na atualidade! Se este processo fosse lançado nas mãos da iniciativa privada, como exemplo, poderíamos pensar nas possibilidades. O eleitor teria uma semana para votar, durante essa semana cada pessoa escolheria uma hora ou dia para ir votar. Poderia ser pessoalmente, ou pela Internet fazendo uso de códigos ou senhas criptografadas, além de cenários virtuais ou reais, com a possibilidade ainda de enviar o voto por telegrama ou outros meios. Como podemos observar neste exemplo, as possibilidades são infinitas se executada na iniciativa privada. Há muitas oportunidades em ponto de investimento, incluindo apenas algumas temos a agricultura moderna, biotecnologia, infraestrutura, medicina, nanotecnologia, inteligência artificial, biorobótica, energia renovável e principalmente os cenários iniciais. Muita gente critica que no Brasil há pouco ou nenhum desenvolvimento científico, mas como poderia haver se não há cultura para isso e sequer há cenários básicos para isso?

“Cenários são espoletas para fazer aquilo que não existe passar a existir! Um estopim apenas é suficiente para fazer muitas coisas se mover, inclusive considerando que um passo apenas é suficiente para não estarmos mais no mesmo lugar”.

Vejam o comércio de rua e os shoppings centers e tantos outros locais, estes fazem uso de cenários montados com o intuito de agradar os visitantes. Muitos cenários são praticamente padronizados, outros já inovam e surpreendem. Os cenários eficientes são aqueles com o objetivo de atingir bons resultados. Os governos também geram cenários, alguns bons e outros ineficientes. Não importando o negócios que seja, por mais complexo que seja, de música, produto, ciência, ou o que for, havendo cenário há respostas das pessoas, e sem cenário, consequentemente sem respostas! Os cenários que fazem as pessoas agirem e atuar. Se houver um mínimo de cenário para atuação as pessoas respondem a este estímulo. Porém, quando não há cenários as pessoas tendem a estática e a se isolar, tendendo a quase total paralisia, porque não há nenhum estopim para qualquer dinâmica ou ação. Exatamente isso, cenários podem ser estopins de atuações boas ou não. Nas cidades os cenários podem influencias também o comportamento das pessoas. Um caso disso é que o psicólogo de Harvard Steven Pinker conectou a quantidade de violência relacionado com o nível de conforto dos cidadãos de uma cidade. Embora não seja uma prova, é suficiente para o empreendedor compreender a importância e o potencial dos cenários, considerando que o conforto também pode ser manipulado nos cenários.

O próprio cenário bem montado já programa automaticamente as mentes das pessoas sobre o local e qual será a sua ação e atuação, e o empreendedor deve compreender isso. Ao entrar em um banco, o cenário já é claro, é praticamente um padrão do que ali se faz e o que deve ser feito, e a atuação das pessoas que ali se encontram, assim como um cenário de hospital idem, e assim por diante. Vejamos uma feira, o cenário já indica as ações de quem está presente deve fazer, assim como uma boa escola, com laboratórios de química e de física, o aluno sem qualquer palavra já saberá que a sua atuação no laboratório não será tão passiva quanto na sala de aula, e neste local terá que atuar. Aos bons entendedores já ficou claro que a questão do cenário é poderosa! Cenários envolvem arquitetura, mas acima de tudo novas tecnologias e estudos diversos e profundos sobre o comportamento de seu público alvo. Porém, os cenários também se desgastam e precisam ser modernizados. O cenário que era perfeito há alguns anos ou décadas atrás, na atualidade pode estar ultrapassado. Logo, a modernização sempre deve acompanhar as tendências tecnológicas, e acima de tudo o entendimento da psique do público alvo do empreendedor. Um cenário dirigido para adultos não atingirá o seu público jovem, e assim por diante. Este assunto é tão importante aos empreendedores que já fizeram pesquisas em cenários perfeitos servindo produtos de baixa qualidade, e a conclusão impressiona! Diante de um ótimo cenário as pessoas não reclamaram, e assim que verificamos o quanto este assunto pode ser prolongado, mas vamos reduzir para ficar mais concise.

É comum em toda parte e em todas áreas vermos pessoas competentes, capazes e com qualificação sem atuação, paralisadas e imóveis não encontram caminhos para ação. Por vezes por incompetência das chaves para atuação e por vezes pela simples falta de cenários. Imagine um repórter falando sem câmeras e sem bastidores e todo o aparato de telecomunicação necessário! Assim como um bom padeiro, excepcionalmente competente e desempregado, a sua máxima habilidade esvanece porque não há cenários para ação, para que possa atuar e expor na prática. Neste ponto deve ter ficado claro que a maior contribuição do empreendedor é a geração de ambientes que remetem desde os cenários mais básicos aos mais complexos. Uma economia rica e saudável é aquela que contém vários cenários, é diversificada e permite a liberdade e as condições para a geração e atuação de negócios e a atuação das pessoas. Gerar cenários é a primeira atuação da boa atitude empreendedora. Vamos ligar os cenários a ação das pessoas alvo do negócio! Lembremos um pouco Newton em sua lei sobre ação e reação. Se há cenário primário, há a reação. Creio que ficou claro que sem os cenários básicos iniciais as pessoas não possuem os estímulos para atuação. Portanto, indiretamente todo empreendedor é um desenvolvedor de cenários, desde um display, design ou grandes ambientes manipulados. Os negócios seguem de certa forma o envolvimento de pessoas e cenários. Para fazer as coisas acontecer é preciso compreender todo o jogo, e não apenas o foco exclusivo nos produtos ou serviços. Relembre as leis de Newton. A 1° Lei de Newton – Princípio da inércia, a 2° Lei de Newton – Princípio fundamental da dinâmica e a 3° Lei de Newton – Princípio da ação e reação. Perceba que estas leis também se aplicam aos negócios, cenários, as pessoas e aos produtos e serviços. Ainda mais na atualidade, com as novas tecnologias de interação que estão chegando, os governadores e empreendedores devem ser desenvolvedores de cenários e compreender muito bem toda essa psicologia envolvida, porque os que entender bem essa dica terão muito sucesso.

São cenários que geram facilitadores para o desenvolvimento e consequentemente, como reação as coisas acontecem. Sem a atitude empreendedora de se desenvolver cenários básicos, iniciais, seja para o que for, não importando quão complexo seja, a atitude empreendedora é que leva a atitude do cliente, e é assim que podemos fazer as coisas acontecer. Pensem bem, o que é um shopping senão um cenário muito bem montado e planejado para fazer as pessoas atuarem com suas compras. Não importa a razão, o produto, o serviço e até mesmo ações políticas ou militares, o governador ou empreendedor deve contemplar em seu conhecimento e planos que os cenários possuem alto poder para bons resultados. Embora na atualidade não haja políticos sérios e comprometidos com a mudança de cenários para o benefício da nação, ainda temos os pequenos e médios empreendedores não dependentes da dança da falsa economia e política, predominantemente especulativa Brasileira e nada inovadora. Não importa o que o empreendedor tenha em mente, deve incluir em sua ideia e plano de negócio os cenários ideais. Gerar pequenos cenários iniciais já é suficiente para notar que as pessoas irão sofrer os estímulos para a reação, e assim atuarão. Portanto, pense em uma coisa que não exista no mundo ou na sua cidade! A atitude empreendedora ideal deve considerar que os cenários tem poder e pode mudar muita coisa, como fazer o que não existe passar a existir, cenários inovam e pela atitude empreendedora este pode fazer as coisas acontecer.

Crédito foto: flickr.com/PedroHenriqueCorrêa

Informações do Autor

Edilson Gomes de Lima

Professor Edilson Gomes Lima – Pesquisador nas áreas de ciências e inovação. Biologista e ambientalista. Palestrante em escolas e faculdades para alunos em formação. Autor de vários livros sobre ciências e empreendedorismo.

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