Filtre seus pensamentos: não é a crise que vai quebrar sua empresa

O pensamento não é real. Mas, é ele quem torna real seu comportamento. Uma pessoa dona de uma empresa que, por exemplo, pensa que sua empresa vai quebrar, pois todos estão falando em crise, e por isso precisa cortar custos, corta custos, até o ponto em que não há muitos custos para serem cortados. E a empresa quebra. Foi a crise que quebrou sua empresa? Não, quem acendeu a faísca da falência foram seus pensamentos.

Se essa mesma pessoa tivesse fechado os ouvidos para a crise, ou, se tivesse pensado: “puxa, precisamos vender e lucrar mais”, ela teria salvado seu empreendimento, porque seus pensamentos moldariam seu comportamento e de toda a sua equipe, que trabalhariam não para cortar custos, mas para vender e lucrar mais. Em vez de ficarem criando planilhas para controlar e cortar custos, teriam saído detrás do balcão para captar mais clientes.

A todo o instante você é bombardeado a pensar. Desde que você nasceu, e possivelmente, segundo estudos científicos, ainda no útero da sua mãe, você já começou a ter pensamentos.

Todos os sons, as imagens, os diálogos com os outros e com você mesmo, e tudo o que aconteceu, acontece, e acontecerá com você, fez, faz e fará com que você pense. Não dá para parar de pensar, porque até a tentativa de fazer isso já gerou um pensamento.

Pensar não é um problema, desde que você dome seus pensamentos, como um treinador doma seu cavalo. Se você não for capaz de reciclar, selecionar, modificar a forma como seus pensamentos ficam alojados na sua mente, aí sim eles se tornarão o maior problema da sua vida.

Talvez você já esteja com a mente lotada de pensamentos que bloqueiam sua capacidade, criatividade, competência, e também seus sonhos. A boa notícia é que é possível melhorar a qualidade deles, mesmo que já estejam há muito tempo perturbando você.

Como o pensamento não é real, ele precisa de um agente para impulsionar-se para fora da mente, em forma de comportamento. E adivinhe quem é esse agente, representante, mediador entre o pensamento e o comportamento? Isso mesmo. Você!

É o seu “eu” interior quem media essa negociação entre o pensamento e a realidade comportamental.

Pessoas com fobias, por exemplo. Elas enxergam uma barata, mas o pensamento, através da mediação do “eu”, transforma essa barata num monstro, num dinossauro, e o comportamento da pessoa torna-se real, a ponto de ela subir no sofá, como se fosse possível enfrentar um monstro mental subindo no sofá. O monstro, lá embaixo, seria esmagado completamente se a pessoa saltasse do sofá sobre ele. Porém, o pensamento, com o “eu” como representante, não permite que a pessoa faça qualquer coisa além de pedir por socorro, até que o salvador surja, e com um chinelo nas mãos, destrua o monstro.

O pensamento não é real, mas transforma em realidade o comportamento, com a permissão do “eu” de cada um de nós.

Agressões, ofensas, invejas, ciúmes, calúnias, difamações, nada disso é real. Por quê? Por que não nos pertencem, a não ser que o nosso “eu” interior aceite-os como realidade, fazendo-nos externar um comportamento ainda mais agressivo, ofensivo, invejosos, ciumento, caluniador, difamador.

Se você não permitir que seu mediador, o seu “eu” receba e abrigue o que estão querendo lhe entregar, nada disso será real. É como dizem “entra por um ouvido, e sai pelo outro”.

Infelizmente, a maior parte das pessoas reage da forma errada. Tudo o que ouvem, veem, entra pelos dois ouvidos, e geralmente sai coisa pior pela boca, pela ponta dos punhos cerrados, e pela ponta dos pés que chutam.

Quem ouve calúnias não deveria aceitar isso como verdade absoluta, e alojar essa calúnia de maneira especial na sua mente. Afinal, ela não é real, não pertence a pessoa.

Imagine que você vai até a loja de roupas, e observa que uma camisa que você gostou, ou um vestido, está sujo, rasgado, com as costuras mal feitas. Você compra esse vestido? Ainda que ele esteja em promoção, as pessoas sábias não levam esses produtos para casa. Porém, as pessoas estão comprando, a peso de ouro, todo tipo de comentários que tecem a seu respeito, abrigando na loja dos pensamentos – a mente -, camisas e vestidos sujos, rasgados e mal costurados.

Provavelmente você já abandonou este ou aquele projeto que sequer saíram da sua mente. Os pensamentos negativos invadiram sua cabeça, da nuca às sobrancelhas, e impediram que seus sonhos, que eram em menor número do que os pensamentos negativos, pudessem tornar-se real. Sabe de quem é a culpa? Sua? Não. A culpa é do seu “eu”, que não soube reciclar, questionar, duvidar e convencer sua mente de que os sonhos tinham grandes chances de darem certo. Eles só precisavam sair da prisão mental que o “eu” permitiu que fosse criada na sua vida.

Estamos entregues ao que pensamos sobre nós mesmos, e sobre os outros. E só há uma maneira de mudarmos o curso dessa história de terror: através dos filtros dos nossos pensamentos. Como isso funciona?

Primeiro filtro: você tem de se tornar um questionador de pensamentos. Não pode permitir que o seu “eu” registre pensamentos sem antes questioná-los. Quando você questiona as teses que as pessoas querem transmitir a você, como, por exemplo, “você é um fracasso, um derrotado, e incompetente”, automaticamente não aceita isso como verdade. Sem questionar, essa camisa e vestido sujos serão comprados por você, fazendo reagir de maneira mais agressiva, ofensiva, ou transformando você numa pessoa sem autoestima, com complexo de inferioridade, que vai atrapalhá-lo pelo resto da vida, pois a tese inicial que entregaram e você aceitou, tem o poder de se espalhar por todo o território da sua mente, e não apenas ficar no lugar em que foi registrada.

Questionamentos como: “quem disse que sou incompetente? Eu, ou quem está me dizendo? Qual a razão dessa pessoa estar falando isso? Por que ela me chama de fracassado? Será que ela nunca errou? Quem é ela para tirar o meu brilho?”

Sempre que você questiona sua mente, acerca das teses que são apresentadas, automaticamente já qualifica seus pensamentos, sem permitir que eles se instalem da forma como foram recebidos.

Segundo filtro: você deve ser convicto em dizer que não é nada daquilo que estão dizendo. Jamais aceite passivamente o que ouve sobre si mesmo. Este segundo filtro eleva sua autoestima, e protege sua mente, de maneira que os pensamentos não sejam registrados a ponto de prejudicar sua autoestima e comportamento. Você, ao receber as teses que são apresentadas, deve filtrá-las, dizendo, com convicção: “Eu não sou incompetente, tampouco fracassado, nem jamais serei um derrotado. Essa pessoa não tem cacife para me rotular como se eu fosse um pote de maionese. Sou único, competente, ousado, capaz e inteligente. Posso errar, falhar, mas sei como corrigir minhas rotas. Caio, mas logo me levanto, e me torno melhor do que era antes”.

Com o filtro da convicção, você não permite que as camisas e vestidos sujos sejam comprados por sua mente, e eles ficam com quem tentava vendê-los a você.

Terceiro filtro: você deve dar respostas surpreendentes ao vendedor de camisas e vestidos sujos. Jamais deve responder a ele no mesmo tom, no mesmo formato de comportamento dele. Afinal, ele é melhor do que você na arte de vender o que não presta. Você só consegue afastar esses vendedores de produtos tão contraproducentes para a sua vida, oferecendo a eles o que eles não esperam, que são respostas surpreendentes, que desmontem suas estruturas de agressividade.

“Entendo você, e o que está dizendo. Você não é a primeira pessoa que me diz isso, nem será a última. Mas, mesmo assim, preciso ter o direito de defesa. Quais são as razões que levaram você a me rotular dessa maneira?”.

Com uma resposta surpreendentes como essas, o vendedor de camisas e vestidos sujos não sabe reagir. Ele estava pronto para atirar mais pedras, porém, você jogou flores nele. E por mais que não pareça, as flores são mais resistentes que as pedras no território dos pensamentos.

Sabe por quê? Por que quando você sabe filtrar as teses, os pensamentos daquilo que estão falando sobre você, você transforma pedras em flores. E nunca, jamais, flores são transformadas em pedras nesse território.

Quem planta flores na terra mental das pessoas, corre o risco de receber pedras, mas não porque as flores foram transformadas em pedras, e sim porque as pedras não suportaram ficar ao lado das flores. E um dia, de tanto as flores invadirem o território das pedras, todas as pedras saem e vão embora, e a pessoa fica com um canteiro repleto de flores.

Seu “eu” interior precisa ser o engenheiro dos seus pensamentos. Ele tem de ser como o cão de guarda que vigia para o ladrão não assaltar sua casa ou empresa. Esse cão de guarda não precisa morder, destruir o ladrão. Deve apenas proteger, filtrar as teses daqueles que querem roubar sua paz de espírito, sua autoestima, competência e amor próprio.

A maioria das pessoas passa pela vida sem o filtro. O “eu” interior vira só um observador passivo, que apenas olha todas as teses sendo aceitas, virando pensamentos negativos no canteiro mental, que vão desencadear mais pensamentos e ideias negativas, e culminar em reações perigosas para a qualidade de vida delas, em todos os aspectos, pessoal, profissional, e, inclusive, espiritual.

Aceitar as teses alheias sempre faz mal? Nem sempre. Se você vai a um profissional ou alguém competente pedir orientação, por exemplo, e ele apresenta a você teses novas, positivas, elas podem renovar toda sua estrutura de pensamentos, vendendo para a sua loja mental, camisas e vestidos novos, limpos e atraentes.

A questão está sempre no filtro, na capacidade do seu “eu” interior fazer análises com base em questionamentos, convicção e em dar respostas surpreendentes.

Cristo foi o ser humano com o mais alto grau de filtragem psicológica. Nunca se viu respostas tão surpreendentes, e alguém tão preparado para filtrar todas as teses que lhe eram apresentadas. Ele nunca permitiu que as pessoas mudassem seu destino, ou que prejudicassem quem andava na sua presença. Não do ponto de vista teológico, mas na capacidade de filtrar estímulos psicológicos que arrombariam a caixa da mente de qualquer um.

Ele sempre respondia com parábolas, ou com o silêncio, ou com perguntas devolutivas que paralisaram quem pedia sua opinião sobre o que fazer. Certa vez, quando perguntaram se era ele o Cristo, respondeu: “vocês estão dizendo, não eu”. Enquanto todos esperam para apanhá-lo, suas respostas os deixaram sem reação.

Outra vez perguntaram se era justo pagar impostos. Ele pediu para que lhe trouxessem uma moeda, e os inquiriu sobre quem era a figura que estava na moeda. Responderam que era a de Cezar. Então sua resposta assombra os que queriam pegá-lo de surpresa: “daí a Cezar o que é de Cezar, e a Deus o que é de Deus”.

É uma pena que seu controle mental, sua capacidade psicológica, seu poder de filtragem nunca tenham sido estudados do ponto de vista psiquiátrico, e que sua autonomia, autoestima e competência não sejam discutidas nas salas das melhores faculdades do planeta.

O processo de filtragem não é um fácil. A quantidade de estímulos sonoros, visuais, as teses que são apresentadas a você todos os dias, frequentemente levam a pensar de maneira desordenada, prejudicial, roubando de você a energia para purificar seus pensamentos. Mas, imagine um celeiro cheio de sementes. Há um milhão de sementes ruins, e cem mil boas.

O que acontece, se a cada dia, você incluir no celeiro mais sementes boas do que ruins? Com o tempo, o número de sementes boas superará às ruins. Assim é na sua mente, com seus pensamentos. Se todos os dias você aprender a semear um bom pensamento, através do filtro, e, além disso, reciclar um pensamento ruim, convertendo-o em bom, em breve você terá uma mente saudável, com muito mais sementes boas do que ruins no seu celeiro mental.

Não permita, ao máximo, que pensamentos, acontecimentos, imagens, sons e ideias penetrem na sua loja mental sem antes passarem pelos filtros purificadores de pensamentos. Assim, mesmo que entrem algumas camisas e vestidos sujos, rasgados e mal costurados, você será capaz de limpá-los e costurá-los, deixando-os atraentes e brilhantes.

Grande abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

Paulo Sérgio Buhrer

Palestrante

Crédito imagem: freedigitalphotos.net/89studio

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