Flor do Lácio: a Língua de Caetano e a cultura brasileira

Um dos maiores artistas da cultura brasileira, o poeta, compositor, cantor e escritor Caetano Veloso, presenteou seus leitores e ouvintes ao criar e interpretar a música Língua, lançada em 1984 no álbum “Vêlo”.

Todos os conceitos explorados de maneira intuitiva em cada estrofe da letra da música é a medida ideal – nem demais, nem de menos para homenagear a Língua Portuguesa. Língua tem a melodia que soa ao tom de glorificação ao poema “Língua Portuguesa”, do autor parnasiano Olavo Bilac. Onde diz: “Amo-te, ó rude e doloroso idioma”. Isso significa que apesar da nossa língua ser um desafio para quem escreve, o autor a ama.

Leia o poema:

Língua portuguesa

                                           Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Os versos acima foram retirados do livro “Poesias”, Livraria Francisco Alves – Rio de Janeiro, 1964, p. 262.

Percebe-se o contexto de ambas as obras, com coisas muito próximas, vívidas e familiares. Só a linguagem nos permite entrarmos nesse universo de paisagens nacionais e vidas no Lácio, onde a língua portuguesa se originou.

Mesmo “bela e inculta”, a última flor do Lácio, nos dias de hoje é a língua que perpassa quatro continentes e é tida como idioma oficial de dez países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Ilha da Madeira, Arquipélago de Açores, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O que ela pode, nós já sabemos. Mas, afinal, o que ela quer?

Apenas a valorização do idioma, e respeito à identidade cultural das pátrias. Acompanhada das circunstâncias históricas e das diferentes formas como é falada, Flor do Lácio, nasceu, se desenvolveu e conduz os rumos da sociedade, permitindo que todo falante expresse suas emoções diante do mundo.

Imagem: Ukecifras/Divulgação

 



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Informações do Autor

José Domingos

Acadêmico do curso de Letras-Português e Francês da UFS, è bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica). No universo corporativo atuou em vendas e em relações administrativas. Hoje, prefere ver o mundo através das páginas. À frente do projeto Cine Qua Non, desenvolve trabalhos voluntários nas áreas de literatura , artes e comunicação .É corretor de redação do portal Imaginie e também colunista no Portal Sucesso Jovem.

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