Eu me chamo Camila Ottati Pellegrini, nasci em 1988. Faço parte da geração que curte mais fotos no Facebook do que dias ensolarados, que aparentemente pelo Instagram só come comidas orgânicas ou gourmet, mas vem ganhando peso a cada dia. Uma geração viciada em tomar Melatonina a noite e beber RedBull de manhã, que almoça em meia hora para conseguir fazer a unha, tem dias marcados para lavar o cabelo e é tão raro encontrar os amigos que se faz necessário uma selfie para registrar o “evento”.

Faço parte de uma geração criativa que não tem tempo de criar, que se inspira pelo Pinterest e a notificação de passagens em promoção no celular é mais interessante do que o papo de muita gente. Não estamos há tanto tempo no mundo e já entendemos que nada vem de graça, somos especializados em politicagem, em sorrir quando se quer gritar.

Não queremos aquele relógio de ouro com a logomarca da cia: “agradecemos pelos seus 20 anos de dedicação à empresa”, porem bajulamos nossos chefes, sorrimos para os clientes, elogiamos as roupas da gerente, mas pelo mínimo tratamos mal nossos próprios pais porque simplesmente o cardápio da janta em casa não nos agrada. Estamos acostumados com a competição pela melhor apresentação, viagens, experiências e berloques.

Competimos com a pessoa ao lado que convivemos 10 horas por dia e até saímos juntos para o Happy Hour, contamos nossas brigas com o namorado, pedimos conselhos e até fazemos dieta juntos para nos motivar, mas não nos apegamos, sabemos que essa amizade empresarial tem prazo de validade.Na minha geração, quando as coisas não são tão rápidas quanto imaginávamos, quando coisas pequenas nos incomodam, saímos fora.

Pagamos com o trabalho nossa liberdade, o que um GV chamaria de “Escravos Modernos”. Não gostamos de assumir responsabilidades, tudo a longo prazo nos incomoda, relações, dívidas, promoções no trabalho, parcelamentos…Odiamos ser cobrados, mas se alguém já visualizou nossa mensagem no WhatsApp e não respondeu, começamos questionar vossa lealdade.

Faço parte da geração que vive em constante reflexão existencial, não sabemos pra onde queremos ir, mas sabemos que não queremos ficar onde estamos. Enquanto isso, participamos do que podemos, doamos sangue, ONG que constrói casas é moda voluntária, ter um cachorro vira lata é bacana, somos a geração Vegan, que virou alérgica a Lactose que acha que não deve comer glúten, a geração Whey Protein.

Questionamos mais, pesquisamos mais e qualquer Marca e Empresa está refém do nosso insensível julgamento, o que já faríamos de graça tem empresa que nos dá milhas para fazê-lo. Excelente.

Faço parte da geração que deveria assistir mais propostas políticas do que Netflix, deveríamos nos interessar mais em nossos direitos do que em beijos homossexuais na novela. Somos a chance da mudança para um País melhor, um Mundo melhor. Somos mais inteligentes e sabemos disso, estamos apenas distraídos, com uma mídia burra, com depressão, limitados, preconceituosos ou divididos.

Precisamos parar de marcar nossos passos em aplicativos e marca-los com sucesso, construção e ideias inovadoras, somos capazes, já conhecemos mais lugares no mundo do que nossos pais, aprendemos línguas sozinhos, num país em que educação virou franquia, que blogueira ganha mais que muito gerente.  Temos amigos do outro lado do mundo, a geração da globalização.

Sou da geração que inspira e quer ser inspirada, entendida e desenvolvida. O mundo vai precisar se adequar para nos atender em todos os formatos, somos os donos do mundo, não o contrário.

E aos que não se interessam pela minha geração “perdida” e tão pouco acredita nas nossas mudanças, capacidade e poder, a geração que vem atrás é muito, mas muito melhor e pior. #ficadica

 

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Camila Ottati

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