Como suas posturas diante da vida influenciam seus relacionamentos

O ser humano é um ser complexo e sistêmico. Diferentemente dos demais animais, um ser pensante. Um ser movido por suas emoções. E neste contexto, um ser que irá se formar a partir da leitura que ele faz de si mesmo, do mundo e dele no mundo.  Desta forma, iremos encontrar seres com comportamentos: psicóticos, esquizoides, orais, rígidos e os masoquistas. Seres que agem e reagem ao meio conforme as leituras que fazem deste meio. E aqui, não estamos falando se eles têm ou não têm razão. Estamos falando de posturas comportamentais que irão influenciar e interferir nos relacionamentos interpessoais.

Nosso intuito, portanto, é mostrar aos senhores a importância de entendermos esses diferentes tipos comportamental; uma vez que os encontraremos compondo os diferentes tipos de climas organizacionais [públicos ou privados]. Certamente que não iremos tecer comentários sobre como tratá-los psicoterapicamente, uma vez que não se trata de um estudo psicoterápico, mas apontar características de estrutura de personalidades que possam nos auxiliar no convívio diário com diferentes tipos de pessoas em seus ambientes organizacionais.

Como dissemos, estamos apresentando aos senhores a oportunidade de podermos discutir sobre a forma como diferentes tipos de pessoas nos apresentam diferentes espaços organizacionais.

Lembrando que, a partir de uma perspectiva humanista, as organizações são constituídas por pessoas; e, neste contexto, não existem empresas sem pessoas, pois tudo começa e termina com pessoas.  Veja bem, não se trata de um trocadilho, porém de uma questão de postura organizacional. O líder gestor precisa ater-se a este fato: pessoas agem e reagem diferentemente em diferentes situações e em diferentes espaços de tempo. Saber conquistá-las é um passo importante para o estabelecimento de um clima organizacional mais produtivo e harmônico. O que não significa dizer que não possa haver conflitos. Os conflitos são peças estruturantes em todo e qualquer tipo de relacionamento. E, nas organizações não são diferentes.

Não se pode pensar numa organização sem pessoas, consequentemente, não se pode pensar numa organização com pessoas sem que haja conflitos e, em havendo conflitos, há a oportunidade do crescimento. Os conflitos indicam que há leituras diferentes sobre um contexto específico. Certamente que, não se trata aqui de sabermos quem está certo ou errado. A questão não é esta, mas percebermos que, por se tratar de pessoas, estamos falando de postura e percepções diferentes.

Ora, estudos apontam que “a inteligência emocional revela a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles”.[1] Naturalmente que quando falamos em reconhecimento do outro é bom que se diga que se trata de um reconhecimento impreciso, não há, obviamente, como alguém reconhecer o outro em sua plenitude. O mais próximo que se pode chegar é assumindo uma postura empática; a saber, colocando-se no lugar do outro e exercer a capacidade de perceber e sentir como o outro percebe e sente sem perder o referencial de si mesmo[2].

Conhece-te a ti mesmo!

            Sócrates – filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga – acreditava que este aforismo[3] refletia a missão de todo ser humano: o autoconhecimento.

            Em Gestalt Terapia falamos em awareness, ou seja, uma habilidade para estar consciente com algo sobre si mesmo.

O mestre dos mestres[4] nos fala que devemos amar uns aos outros. Ora, é claro que esta condição só é possível quando se tem domínio sobre o próprio ser, o si mesmo. Este si mesmo deve ser entendido como uma capacidade [ou habilidade] para estar consciente com o que ocorre consigo mesmo. E que, aqui, estamos tratando como inteligência emocional.

            No caso dos gestores espera-se que, os mesmos, tenham [ou tomem posse de] tal condição para que possam lidar com as demais pessoas. Quando o foco do nosso trabalho está atrelado ao convívio com outras pessoas é preciso que saibamos exercer uma atitude empática. Este equilíbrio emocional só é possível quando – de fato – têm-se domínio sobre o si mesmo. Nos conflitos sociais o que se observa, normalmente, são os desgastes por conta dos desequilíbrios emocionais. Os ânimos se alteram e as pessoas costumam perder o senso da razão. Não conseguem atinar para o bom senso. E o que seria o bom senso senão a homeostase, uma capacidade natural que tende ao equilíbrio?

Daniel Goleman – no livro: Inteligência emocional – defende a ideia de que a importância da inteligência emocional depende da ligação entre sentimento, caráter e instintos morais. A condição como cada indivíduo é educado e preparado para a vida lhe darão subsídios para que o mesmo faça uma leitura de vida a partir desses princípios [éticos] que irão lhe influenciar fortemente. Claro que, cada pessoa dará [ou fará] uma leitura a partir daquilo que acredita como sendo a sua verdade. O que implica a dizer que: nem sempre a minha verdade é a sua verdade, gerando, dessa forma, caminho para os conflitos.

Acredita-se, portanto, que o ponto homeostático da inteligência emocional reside no fato do ser humano poder usar de sabedoria e entender que é preciso educar seus próprios instintos e não deixar-se dominar por eles. Uma máxima cristã nos adverte que (…) “O homem que se desvia do caminho da prudência repousará na companhia das trevas”.[5] Lógico que as trevas aqui devem ser entendidas como ignorância, falta de conhecimento, estupidez. Não é à toa que o ser humano possui uma única boca, mas duas orelhas e dois olhos.

 


[2] Estamos falando de EMPATIA.

[3]  É uma sentença concisa, que geralmente encerra um preceito moral.

[4] Em Jo. 15,12

[5] Pr. 21,16

 

Crédito foto: freedigitalphotos.net/arztsamui

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salatieldiniz

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