Inteligência Competitiva e Inteligência Empresarial Inovadora

Hoje em dia as empresas têm seus custos e preços afetados fortemente pelo aumento da competitividade, pela modernização, pela economia globalizada e por ameaças ou barreiras geopolíticas. Desse modo, prosperar nesse cenário é o grande desafio para empresas de qualquer porte. O conceito da Inteligência Empresarial está, em geral, associado ao de inteligência competitiva, gestão do conhecimento e capital intelectual e, embora haja diferença entre eles, é razoável imaginar essa aproximação ou convergência. Pode-se admitir, numa tentativa simplificada de conceituação, que Inteligência Empresarial é uma atividade estratégica que visa articular o processo de coleta, análise e disseminação de informações relevantes para uma organização, de modo a favorecer o processo de tomada de decisões. Ela se apoia em tecnologias adequadas, na interação intensa entre as fontes e usuários de informação, na construção de cenários para novos negócios e na disposição para inovar.

O conceito de Inteligência Empresarial parte do princípio de que não basta uma empresa dispor de um bom sistema de informação para uma gestão bem sucedida, sendo fundamental que a mesma tenha capacidade para utilizar adequadamente as informações geradas para agregar valor ao negócio. Assim, para que haja efetividade no uso das informações, a empresa deve ser capaz de alavancar o conhecimento disponível dentro da organização, de forma explícita ou implícita, junto às pessoas ou grupos.

A visão tradicional a respeito da gestão da informação nas organizações, fundada na captação de dados e na geração de informações, deve ser ampliada no sentido da incorporação de dois novos elementos ao processo: conhecimento e inteligência.

A importância do conhecimento da missão e dos objetivos organizacionais, como fundamento para a gestão estratégica da informação, está associada a informações e sistemas que deve ser construído para apoio ao processo de gestão.

A partir do conhecimento dos objetivos de desempenho e das metas a serem alcançadas, a gestão da informação pode subsidiar a direção do negócio com indicadores de desempenho, que devem constituir os marcos, através dos quais se pode avaliar os resultados da gestão.

O conhecimento representa a habilidade de alguém para explorar a informação disponível, agindo em sequência como resultado de um entendimento obtido. Neste caso, o gestor já dispõe de uma experiência anterior no tratamento de situações similares e possui uma formação em marketing que o habilita a realizar uma análise mais acurada do problema.

A inteligência é a capacidade de reconhecer (perceber) um problema, necessidade ou oportunidade, a partir de sinais explícitos (informações) e do conhecimento do gestor, que precede a escolha de uma alternativa entre possíveis hipóteses de ação. Neste caso, a análise das informações disponíveis levaria o gestor a decidir sobre campanhas promocionais alternativas para manter ou alterar o comportamento de compra de um ou mais segmentos de consumidores.

O trabalho intelectual, característica essencial de um novo conjunto de profissionais, os trabalhadores do conhecimento, está inserido no contexto da sociedade instruída na qual a ampliação do conhecimento e da educação constituem fatores chave para a conquista de bons empregos e para uma carreira bem sucedida. Tais considerações nos remetem à discussão das questões relacionadas à inteligência empresarial.

Em uma sociedade baseada no conhecimento o futuro pertencerá mais a quem usa a cabeça em lugar das mãos. Neste contexto, a habilidade de gerenciar o que se chama de “intelecto baseado no conhecimento” está rapidamente se tornando à exigência crítica para os executivos contemporâneos.

Além das formas clássicas de treinamento, o conhecimento deve ser acumulado de forma espontânea, a partir do compartilhamento das experiências e habilidades individuais adquiridas, o que na maior parte das vezes exige uma interação intensiva e laboriosa entre os membros da organização.

Cabe aos executivos dos níveis hierárquicos superiores desempenharem este papel inovador de integrar as pessoas dentro das organizações.

O Planejamento adequado a sua Empresa com elevada Inteligência Estratégica, segue os seguintes tópicos:

1. Não perder de vista a essência: Estratégia é a palavra chave para o conhecimento do processo de planejamento que aborda mercados, produtos, inovações, vantagens competitivas e novos negócios. A estratégia dos negócios consiste na alavanca organizacional mais importante para um mundo competitivo. Estratégia é a essência, a síntese da busca da direção que a empresa vai tomar no caminho para o futuro. O raciocínio estratégico deve girar em torno do que é essencial no contexto externo.

2. Ambiente: Entende-se por ambiente tudo o que é externo à empresa: ecologia, regulamentação governamental, política econômica, poder do cliente, concorrência, disponibilidade de recursos etc. (cenários), deve-se, portanto, procurar as situações favoráveis para a empresa.

3. Capacitação: A capacitação vem depois da estratégia. Todos os envolvidos no negócio, inclusive os funcionários devem passar por uma reciclagem para ganhar novos conhecimentos e habilidades. Às vezes é necessário comprar novas tecnologias de produtos e de processos.

4. Sistemas de Planejamento: O perfil de um profissional de planejamento exige características subjetivas de percepção do que está acontecendo, criatividade para formular alternativas, poder de síntese, extroversão para busca de informação. Neste sistema engloba o plano de capacitação. O sistema de planejamento define quem vai fazer o quê e quando, especifica quais as informações necessárias para que sejam tiradas conclusões. Portanto, um planejamento só é bom quando se conhece o ambiente e quando motiva os executivos e trabalhadores com programas de capacitação.

5. Planejamento extrapolativo: Esse tipo de planejamento funciona em ambientes de pouca turbulência. Os planos vêm de baixo para cima e determinam a direção da empresa. Cada executivo tem uma visão do ambiente limitada a sua função e os objetivos em geral são financeiros.

6. Microanálise: É uma avaliação e projeção de cenários. Implica em verificar as mudanças na política que mexem com a economia e alterações sociais. Ex. Um aumento da dívida interna pode aumentar os juros e reduzir a demanda de bens e serviços.

7. Análise econômica: Acompanha a análise macroeconômica e seus efeitos sobre a firma. É uma análise de como anda a inflação, exportação, aumento de renda per capita, importações, investimentos públicos, fronteiras agrícolas.

8. Analise política: Conduz à descoberta do que está atrás da fachada, a diferenciar as verdades que são ditas das intenções que não são faladas. As orças políticas afetam as empresas como sindicatos, partidos políticos, lideranças populares, grupos de interesse, grupos de governo, etc. E, trazem prejuízos à firma.

9. Empresas globais: São as empresas que atuam em outros mercados e ampliam a macro análise para o ambiente internacional. A macro análise é fundamental e tem que ser realizada continuamente para se chegar a uma estratégia certa.

10. Posicionamento setorial: É a analise de mercados, concorrentes, fontes de tecnologia, fontes de financiamento e regulamentação do governo para as empresas que atuam em determinado tipo de indústria. Implica em conhecer o histórico da indústria desde como surgiu. Nas empresas globais a análise tem que ser permanente, pois, as mudanças políticas/econômicas mudam diferentemente de país para país, fazendo com que a empresa tenha riscos.

Na dianteira dos rumos de uma empresa, um bom líder deve deter a palavra chave para dirigir a Gestão de Mudanças. As palavras (as frases, o discurso, a linguagem) têm poder sobre os homens, podem mudar convicções, paradigmas, opiniões, perspectivas, cenários, realidades. Isto é, armados de palavras, os homens podem mudar o mundo e a si mesmos.

Nesse contexto, a voz do líder é de suma importância para convencer , vencer pela palavra, os seus parceiros e colaboradores de que é preciso mudar. A diferença basal que aponto é que não se trata apenas de promover mudanças para “dançar conforme a música” do mercado, oscilante e incerta em tempos de crise. Trata-se de “mudar para melhor”. As lideranças, os empresários, os gestores devem ter a sabedoria de discernir as demandas mercadológicas imediatistas e as reais necessidades de mudança.

O líder é o protagonista da Gestão de Mudanças. Por “líder”, não necessariamente nos restringimos à alta cúpula da presidência de uma empresa, muito pelo contrário. A verticalização da hierarquia empresarial deve ser repensada para a atualidade, uma vez que não somente os dirigentes devam possuir voz ativa na sua dinâmica interna, mas praticamente todos os participantes dessa grande ópera corporativa. Um maestro, em meio à balbúrdia polifônica, é vital.

A voz da liderança não se resume à voz de fato, cimentada na oralidade e no impacto causado pela repercussão acústica, mas compreende a voz presente nas conversações corriqueiras nos corredores das corporações, a voz impressa e transmitida em informes oficiais, e até a voz inaudível nas negociações decisivas em que uma simples sílaba pode alterar globalmente o trajeto de uma reunião e, consequentemente, de uma empresa como um todo.

O desafio da liderança consiste em cinco premissas básicas: Desafiar o estabelecido – O que está estabelecido, sedimenta, cria teias de aranha, envelhece. Mesmo os padrões tradicionais estabelecidos como fortalezas “desde sempre” tendem a desmoronar como castelos de areia no intensamente veloz mundo contemporâneo. Por esta razão, o líder deve estar sempre à frente de seu tempo. Inspirar uma visão compartilhada – Para sequer vislumbrar a possibilidade de concretizar mudanças organizacionais, o líder precisa saber partilhar o conhecimento com vistas a mudanças benevolentes para a empresa integrada como um todo.

Permitir a ação e interação dos outros – Para a ação de mudança, interação é essencial. Inter-ação, a palavra diz, leva à convergência, ao diálogo, à influência mútua, ao intercâmbio de experiências, à comunicação. Líder, é bom lembrar, não é guru, tampouco é dono da verdade. Nenhum rei constrói seu reinado sozinho. Logo, é preciso interagir para agir: Interagir com os outros é ponto de ignição para o motor de transformações. Apontar o caminho – Nos turbulentos mares nunca dantes navegados, apontar o caminho é realmente um grande desafio. Apontar o caminho torna-se uma tarefa de capitão, de comandante, de quem detém o conhecimento sobre as movimentações mais sutis das marolas. É com este líder com quem contamos. Encorajar o coração – o líder deve encorajar o coração de seus companheiros. Ao inflarmos nosso próprio coração com a coragem, encorajamos os corações de quem caminha em nossa companhia.

Coerência argumentativa, postura assertiva, voz persuasiva, empatia, simpatia, são todas as palavras-chaves para a liderança. Chaves que nos abrem portas para o novo. Contudo, o líder ainda possui uma “chave de ouro”, que nos leva ao mais valioso tesouro: esta chave é a comunicação estratégica.

Uma mudança organizacional só advém se a liderança conta com uma estratégia de persuasão coerente, embasada na comunicação. Para acompanhar as impressionantes guinadas do mundo contemporâneo, não basta reformular tradições e esperar pacientemente para que as coisas caminhem naturalmente para seu devido lugar. É preciso transformar, alterar, formar de novo, e esse processo muitas vezes pode ser radical, o que faz com que nos deparemos com um muro de resistência.

Para a mudança vingar, um líder precisa traçar e comandar uma campanha de persuasão estratégica. Arar a terra, armar o terreno, preparar as sementes, são fases pelas quais se cultiva essa estratégia: preparar o solo para que nele brotem as sementes e aflorem mudanças inovadoras esteadas na sustentabilidade corporativa.

A trajetória não é fácil, mas é humanamente possível: a persuasão nos conduz à compreensão das propostas de mudança; a compreensão nos leva à aceitação da mudança; a aceitação gera decisão.

A grande jogada das empresas de sucesso é justamente esta carta na manga: a comunicação, um diferencial de competitividade. “O futuro das organizações e nações, dependerá cada vez mais de sua capacidade de aprender coletivamente” Peter Senge.

Conhecimento compartilhado e inteligência coletiva caminham de mãos dadas, deixando o potencial da comunicação, como potencia comum, pois unir forças é fundamental em nossa era. No presente, assistimos à configuração de uma nova faceta do ser humano: o ser sustentável.

A figura do líder é central na vinculação da sustentabilidade corporativa e da sustentabilidade humana global, pois as duas esferas convergem e dialogam. Nesse panorama as corporações precisam afinar seus princípios com a noção de sustentabilidade, que envolve o comprometimento com a verdade, a honestidade, a coerência. Para tanto, as organizações precisam se comunicar com a sociedade, com os públicos de interesse interno e externo, com a mídia, com as nações, com o mundo. Para lutar por sua sustentabilidade corporativa, os líderes das empresas devem disseminar tais valores, assim como acreditar neles. Afinal, em que nós acreditamos? Que futuro desejamos?

A sustentabilidade deve ser universal. É esse o futuro que desejamos. E é por este futuro que mudamos, revemos nossos conceitos, transformamos nossas vidas.
Nancy Assad – especialista em comunicação estratégica e marketing. É jornalista, pós-graduada em Marketing pela FGV. É autora dos livros: “Media Training – Comunicação Eficaz com a Imprensa e a Sociedade” – Editora Gente 2009 e “As Cinco Fases da Comunicação para Gestão de Mudanças – Como aplicar Conhecimento na Sustentabilidade Corporativa” – Editora Saraiva 2010. É palestrante e professora de comunicação e ética dos cursos de MBA da FIPECAFI.
Crédito foto: freedigitalphotos.net/Dreamdesigns 

Informações do Autor

Nancy Assad

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