Intercâmbio: saiba como funciona a aventura que pode mudar sua vida

Intercâmbio é uma troca. Quando a prática se popularizou, depois da Segunda Guerra Mundial, a intenção era justamente possibilitar aos intercambista um contato com outra cultura completamente diferente, em uma aventura capaz de transformar a sua vida e a do outro e trazer entendimento e aceitação do que é diferente.

Hoje em dia, esta continua sendo uma tarefa árdua, mas são cada vez maiores e mais acessíveis as chances de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, passar uma temporada bem distante da sua zona de conforto. Em Jaraguá do Sul, além dos diversos programas de intercâmbio disponíveis em agências de viagens, os interessados contam com o programa do Rotary Club, que chegou ao Brasil em 1972 e, a Jaraguá, por volta da década de 1980.

“O Intercâmbio de Jovens planta as sementes da compreensão ao oferecer a milhares de estudantes a oportunidade de conhecer outras sociedades e vivenciar costumes diversos. O programa oferece inúmeros benefícios tanto para os participantes, quanto para os anfitriões. Ao vivenciar os aspectos da vida em outro país e expandir seus conhecimentos sobre o mundo, os jovens amadurecem e passam a compreender-se melhor”, resume a Oficial de Intercâmbio do Rotary Club Jaraguá do Sul, Dirce T. Nunes.

E os benefícios não param por aí: dependendo do tipo de intercâmbio escolhido, ainda se tem a oportunidade de aprender ou praticar um idioma estrangeiro, ganhar experiência, turbinar o currículo, aprender a “se virar”, ampliar horizontes, superar medos, tornar-se mais flexível e tolerante, aprender a lidar com a distância e, ufa, passar a dar muito mais valor à sua própria família, cidade e costumes.

Medo e empolgação fazem parte do pacote

Sem dúvida, seja em um intercâmbio de um mês ou de um ano, desafios e momentos incríveis não vão faltar no roteiro. Na vida da família da professora Josiane Zaleski, 35 anos, essa experiência começou com a vontade do filho de 16 anos, Luis Eduardo Koslowski. “Eu sempre quis a independência e morar sozinho é uma consequência. Acredito que aprender um novo idioma, uma nova cultura e coisas diferentes agregará muito para a minha formação pessoal e, futuramente, profissional”, explica o estudante.

Apesar de apoiar a decisão, a família – que em janeiro de 2017 também receberá a haitiana Jenniffer para um intercâmbio de quatro meses – não consegue evitar a apreensão que naturalmente acompanha o processo. “Minha primeira reação foi de medo, sem dar crédito à ideia. Isto ocorreu devido à grande onda de violência que está acontecendo pelo mundo e o medo de perder o controle da situação, afinal o Luis estará longe dos meus olhos, o que gera insegurança”, conta Josiane.

O receio, no entanto, está sendo trabalhado com muita conversa e o esforço para viver uma etapa de cada vez, evitando o sofrimento por antecipação – afinal, a família reconhece que a viagem de Luis, que embarca em agosto de 2017, é uma experiência única e enriquecedora. “Acredito que irá fazer toda a diferença em sua vida tanto no âmbito pessoal quanto profissional, por viver experiências fora do seu cotidiano, precisando encontrar soluções responsáveis para cada situação. Considero único poder vivenciar outras culturas e hábitos, conhecer novas pessoas, lugares e principalmente a si mesmo”, completa a mãe.

O passo a passo dessa aventura

O processo do Rotary Club para o programa de intercâmbio é idêntico nos oitenta países participantes, e aberto a filhos de rotarianos e não rotarianos. Para participar, é preciso apenas ser um estudante de 14 a 18 anos de idade, que esteja academicamente bem e demonstre ter papel de líder na comunidade. Os candidatos precisam ser abertos e gostar de novos desafios, já que a intenção do programa é qualificar os jovens como embaixadores culturais.

A partir do início do processo, diversas etapas de seleção se sucedem durante um ano, com provas de proficiência, um acampamento com todos os outros candidatos e muita conversa com a família, além de um longo processo burocrático que, segundo Josiane, é a parte mais cansativa.

Dentre os países participantes, 8 mil estudantes viajam por ano. Jaraguá do Sul, até o momento, já encaminhou para intercâmbio 67 jovens. Este ano, ainda estão programados embarques para os Estados Unidos, Polônia, México e Bélgica. Luis Eduardo, que ainda não sabe qual será o país de destino – este só será definido em março de 2017 –, afirma não ter preferências, já que cada país tem suas particularidades.

“Eu tento ao máximo não criar expectativas sobre como será para não ter decepções, mas ainda tenho objetivos como aprender uma nova língua, uma nova cultura, mudar minha forma de pensar e perceber que existem outros pontos de vista. Quero também ajudar ao máximo as pessoas que estão à minha volta e são menos favorecidos. Isso me fará crescer como pessoa e me tornar alguém melhor”.

Imagem: Arquivo Pessoal

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

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