Liberdade e Segurança: a ambivalência da vida e como lidar com ela

Hoje falamos muito em dois termos que regem nossa vida e são essenciais para a sobrevivência homeostática de todo ser humano: Liberdade e Segurança.

Dizemos que uma pessoa livre é também uma pessoa segura. Um equivoco que beira a ingenuidade. Ao buscarmos uma reflexão mais profunda e analisarmos os dois termos através de uma visão mais acurada e realista, percebemos que liberdade e segurança se contrapõem, ou seja: São antagônicas entre si.

Das várias interpretações que podemos encontrar, no geral entendemos que a liberdade, está relacionada ao estado de uma pessoa livre e isenta de restrição externa, coação física ou moral. A impressão que temos é que a liberdade dita desta forma é algo totalmente arbitrário enquanto a segurança é relacionada a alguma coisa livre de risco, ou seja, garantido.

Pensando desta forma, afirmo mais uma vez que liberdade e segurança são fenômenos ambivalentes pois a medida que busco liberdade, me afasto daquela segurança pensada como uma garantia livre de ameaça.

Assim como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, não existe uma coisa melhor que a outra, pois ambas são essenciais para uma vida satisfatória, recompensadora e relativamente feliz. Não conseguimos viver de forma plena sem segurança ou sem nos sentirmos livres, pois a primeira sem a segunda é escravidão, e a segunda sem a primeira é caos – não nos é possível planejar nada e nem prever minimamente o futuro.

Pense em quantas vezes abriu mão de ser livre em prol de segurança. No mundo em que vivemos isto é um fato cada vez mais recorrente. Nos trancafiamos, nos protegemos e nos isolamos para que assim possamos nos sentir seguros e inatingíveis à violência que nos cerca.

Por outro lado, nos envolvemos com pessoas desconhecidas, nos expomos em redes sociais e agimos impulsivamente na busca de uma liberdade, abandonando completamente a segurança de nossa integridade pessoal e psicológica inclusive.

Não me refiro a ela como algo ruim, ao contrário, sou amante de uma vida criativa, consciente e transformadora, mas também prezo pela segurança, pois acredito que apesar de antagônicas, elas são complementares.

É fato que precisamos de ambas, no entanto o problema reside no equilíbrio entre as duas sentenças, é preciso compreender que quanto mais segurança temos, entregamos um pouco de nossa liberdade, ao passo que quanto mais liberdade buscamos, abrimos mão de parte da nossa segurança. É um ganhar algo para perder algo, coisa que nem sempre estamos dispostos a renunciar.

Crédito foto: freedigitalphotos.net/Michal Marcol

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Gisele Meter

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