Nem tanto ao mar, nem tanto à terra; o equilíbrio está no meio

As notícias difíceis continuam, à despeito da nossa vontade, preces ou expectativas. Estamos em meio a um momento não tão lindo. Necessário aceitar para doer menos.

Por conta disso ou daquilo, falta de dinheiro, trabalho, amor, descrença nas instituições, amigos leais, gentileza, etc., os ânimos em geral estão exacerbados, as pessoas andam com pé atrás com tudo e com todos, conhecidos ou não. Principalmente os não. Muito embora, já dizia um mafioso do filme “O Siciliano”, quem trai é amigo, não inimigo ou desconhecido.

Frases de efeitos à parte, a verdade é que precisamos de menos dedos apontando para o outro e mais reflexão. Um ator errou na mão, se é que se pode dizer isso, e foi acusado de assédio. OK, não sei da história exata, não posso julgar. Se, contudo, o sujeito cometeu um erro, deve responder por ele. Mas daí a brotar uma saraivada de acusações intermináveis, como ocorreu, mesmo ele tendo pedido perdão em cadeia nacional, vai uma distância razoável. Gente: atire a primeira pedra quem nunca errou feio na vida.

Calma que o santo é de barro. Estamos todos à flor da pele – sei, não se deve pedir calma a quem está sem – mas é preciso paciência quando a impaciência reina absoluta. A avalanche começa com uma bolinha de neve que rola do alto da geleira. O mundo está mudando rápido demais e os ânimos andam alterados. Respiremos fundo. Um minuto que seja.

EXEMPLO Nº 1

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Fonte: UFMG

No meu tempo – sei que é clichê de quem beira os sessenta, mas é minha referência – Enfim, no meu tempo, uma boa e merecida palmada dos pais, um castigo, etc., não servia de motivo para ONGs, que nem existiam na época, e a turma dos direitos humanos surgissem com todas as armas apontadas na direção de nossos progenitores, com o intuito de condená-los por maus tratos ou coisa pior.

Trote era normal, não havia violência. Bullyng era apenas zoação com amigo gordo, magro, sardento, branco demais, negro demais. Sem traumas. Eu, por exemplo, era magro e apelidado de quatro olhos por conta dos óculos. Sem contar outros mais elaborados. Mas nenhum de nós, diferentes de alguma forma, ficamos traumatizados por isso. Sabe por que? Não havia truculência, nem tampouco a violência que campeia hoje contra qualquer um que seja “diferente”. Defina diferente. No final vai terminar em loop.

Naqueles tempos, falar de homossexualidade era proibido. Atualmente não; o mundo evoluiu não é mesmo? Mas então por que o tema ainda é motivo para tantas discussões infrutíferas?

A regra básica é simples: aceitar o outro como você quer ser aceito, e pronto. Todo mundo tem lá sua diferença. Afinal, o que seria do verde se todos gostassem do amarelo? Portanto, sem agressões ou injúrias pelas redes sociais. Por falar nisso…

EXEMPLO Nº 2

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Fonte: Machadinho

Certo dia, um vídeo circulou nas redes sociais. Mostrava um pai, com seu filho de doze anos, colocando reboco na casa onde moram. Quase de imediato veio a reação. Postaram que o homem estava explorando o filho, trabalho escravo, etc. A coisa viralizou de tal forma, que ambos se viram obrigados a desmentir tudo na TV. O pai chorou, enquanto o filho explicava que gostava de ajudar e queria seguir a profissão do pai. Fiquei boquiaberto e assustado. Trabalhei com meu pai desde os quatorze anos e me sinto orgulhoso por isso.

EXEMPLO Nº 3

Familiares estenderam faixas em protesto por morte de mulher espancada (Foto: Anna Gabriela Ribeiro / G1)
Fonte: G1

Há pessoas apanhando na rua sem saber por que, confundidas com outras, devido as calúnias na rede social, notícias mal divulgadas, mal lidas e, consequentemente, mal interpretadas. Inverdades que podem matar. Fofoca é fofoca, maledicência é maledicência na vida real ou virtual. A falta de caráter pode se esconder atrás de um sorriso amistoso ou de uma tela touch no Smartphone.

O mundo está um caos? Talvez. E quanto a nós? Acusar a todos por tudo e por nada ou se omitir tipo: “tô nem aí, não é comigo”, são extremos que alimentam este estado de coisas que nos rodeia. O equilíbrio está no meio. Bastar contemplar a sabedoria do universo ou, sendo mais atual, do multiverso.

Sejamos participativos nas causas que abraçarmos, mas tenhamos cuidado com o que dizemos. As coisas já andam complicadas o suficiente para atearmos fogo à labareda de violência, corrupção, atentados e guerras.

Ufa! De novo! E como atualmente as informações borbulham como estrelas no novo céu do satélite Hubble, temos o dever de ler com critério, atenção e discernimento, para, antes de emitir juízo de valor, separar o joio do trigo.

Com tantas redes sociais, blogs, vlogs, youtubers e mídias eletrônicas, fica difícil distinguir boato de realidade. As pessoas passam os olhos sem muita atenção e julgam o que viram de relance.

Eu mesmo caí numa promoção de ovos de páscoa de uma grande distribuidora. Bastava enviar o anúncio para dez amigos e voilá: um ovo de páscoa surgiria em sua sala como num passe de mágica. O negócio quase acabou com meu pobre Smartphone. A gente acredita em tudo que vem fácil. De preferência de graça.

Se vamos, por vontade própria ou força do trabalho, nos manifestar sobre determinado assunto, tentemos ser justos. Por fim, ficar indignado com a corrupção que suga nosso país e seus trabalhadores é justo. Falemos sobre, lutemos para melhorar. Mas antes de tudo, nos informemos. E o principal: não cometamos o mesmo erro na hora de votar em 2018.

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Imagem de capa: freepik
Informações do Autor

Mauro Barbosa Gomes

- Escritor, palestrante e músico da banda Quinta Nota. - Dois livros de crônicas/contos: A Chave do Seu Coração e Olhares. - Faz eventos promocionais com palestras e música em livrarias e Cafés. - Participação na Bienal Internacional do Livro 2016 no Anhembi São Paulo com tarde de autógrafos para “Olhares” , publicado pela Chiado Editora. - Integra a Antologia Poética Além do Céu Além do Mar que reúne poesias de vários autores Brasileiros em 2017. - Autor do Projeto literário Musical "O Tom da Letra" levado há dois anos em bares, restaurantes, etc. - Cronista por dez anos da revista eletrônica InfoWebNews (www.infowebnews.com) - 2001 a 2011 - Dois trabalhos publicados em Antologias literárias vencedoras do Prêmio Porto Seguro de Crônicas em 2008 e de Contos em 2009 - Dois contos selecionados para a Antologia de Contos 2009 do concurso da Editora Guemanisse, em Teresópolis. - Curso de Oficina Literária Afrânio Coutinho (OLAC) – 1992 - Curso de Redação Publicitária - 1987 (Faculdades Integradas Hélio Alonso) Gosto de falar de relacionamentos, cotidiano, a vida em geral.

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