Por vezes a palavra motivação é tida como a culpada por vários problemas que ocorrem nas organizações. Se a produção está baixa, a qualidade fraca, se há dificuldade em aprendizagem, pouco compromisso com a organização, existência de muitos conflitos, entre outras situações, logo se culpa a falta de motivação. O dirigente empresarial diz: “meu pessoal é pouco motivado”. O funcionário diz: “não me sinto motivado para trabalhar aqui”. Mas, o que é realmente motivação e como as partes – empresas e colaboradores – devem agir para mover o mundo?

Motivo, motivação, mover, movimentar e motor são palavras originadas da palavra latina motivus, que significa aquilo que movimenta, que faz andar. A palavra motivação indica as causas ou motivos que geram comportamentos1. A motivação é geralmente descrita como um estado interior que induz uma pessoa a assumir determinados tipos de comportamentos2. Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta3.

Vê-se, portanto, que é necessário que existam motivos para que a motivação aconteça. E a motivação é evidente quando alguém tem direção, tem propósitos claros com suas ações. Quando faz com energia, intensidade e interesse algo. E ainda, age com direção e intensidade persistentemente, às vezes, por anos a fio.

Outro aspecto importante é a discussão sobre a fonte da motivação: interna ou externa. Se você já ouviu ou disse a frase: “ninguém motiva ninguém, porque a motivação é de cada um”, saiba que isso não está errado. E se ouviu a frase: “é possível motivar alguém dando-lhe bons motivos para isso”, isso também está certo. Parecem situações contraditórias, mas não são.

As pessoas podem se automotivar desde que tenham bons motivos para isso. Um exemplo clássico que envolve automotivação é a realização de um curso superior. Muitos estudantes enfrentam algum tipo de dificuldade durante a realização do curso superior: ter que refazer uma disciplina em que teve dificuldade, ter problemas generalizados de notas em mais de uma disciplina, não conseguir cumprir horários por conta de distâncias ou compromissos, ter problemas financeiros para pagar o curso ou manter-se numa cidade distante para estudar, ou não suportar a ausência da família, ou ter problemas de relacionamento com os colegas de sala, entre tantas outras situações. Mas, muitos alunos que passam por situações semelhantes a essas têm bons motivos para serem direcionados, intensos e persistentes. Sabem que investir num curso superior será valioso para suas carreiras apesar de que isso não lhes dará garantia de emprego ou sucesso, mas, têm ciência de que conquistarão uma condição favorável para buscarem novos horizontes profissionais.

Outro bom exemplo de automotivação é quando a pessoa trabalha em algo que lhe dá prazer, que está em acordo com suas aspirações e projetos de vida. Ser professor para muitos, e para este autor, é uma prazerosa missão apesar das dificuldades existentes para o bom exercício desta nossa profissão. Ver a evolução de nossos alunos nos gera alto nível de satisfação e, portanto, estes são para nós bons motivos para seguirmos em frente com direção, persistência e intensidade. Mas, não somente um professor, se o profissional tem a clara percepção de que faz o que gosta, certamente terá uma evidente automotivação, perceptível por qualquer um que lhe conheça.

Mas, as organizações podem contribuir e criar bons motivos para ampliar a automotivação das pessoas. Condições salariais justas, um plano de remuneração variável interessante e uma política de benefícios em acordo com o que esperam seus colaboradores, aliadas a uma boa condição de trabalho – liderança incentivadora, bons relacionamentos com colegas, condições de segurança, saúde e bem-estar, chances de carreira e outras – ajudam e muito a criar um ambiente motivador. Uma boa condição de trabalho conectada à motivação interna das pessoas gera resultados espetaculares às organizações e às pessoas. Se o colaborador estiver minimamente satisfeito com suas funções e estiver num ambiente em que valha a pena estar, então, há chances de que o trabalhador passe a gostar das condições de seu trabalho e torne-se um colaborador automotivado, pois determinará a si mesmo bons motivos para estar ali e não em outro lugar.

Contudo, se a empresa faz a sua parte, mas a pessoa não se sente motivada, provavelmente será porque ela não faz o que gosta. Nesse caso, empresa e profissional erraram ao fazerem um acordo de trabalho e o desligamento será um triste fim da relação entre ambos. A empresa precisaria melhorar seu processo de Recrutamento e Seleção e a pessoa deve prestar mais atenção no que realmente gosta de fazer e, numa próxima oportunidade, buscar uma oportunidade em sintonia com suas expectativas. Outra situação é quando a pessoa está motivada, a fim de trabalhar com intensidade, mas a empresa insiste em não dar, nem a ela e nem aos demais colegas de trabalho, bons motivos para que ofertem o melhor. A tendência nesse caso é que o trabalhador faça apenas o básico para manter-se no emprego, até que se desligue, seja por conta própria ou da empresa.

Enfim, a motivação é uma palavra que implica atitudes de um lado e de outro. Os profissionais tendem a uma maior motivação quando fazem o que gostam ou quando possuem genuínos motivos para estarem na organização. E, por outro lado, a organização precisa rever constantemente suas condições de trabalho visando dar aos colaboradores bons motivos para se engajarem cada vez mais no sucesso da organização e deles próprios.

A todos os que estão extremamente motivados e aos que certamente estarão em breve, o meu abraço.

Crédito imagem: http://www.freedigitalphotos.net/franky242

Informações do Autor

Adolfo Plínio Pereira

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1 Comentário
  1. Uma Outra Artista

    25 de dezembro de 2015 de 09:42

    Motivação é muito importante.Penso também que pode ter vezes que um funcionário pode não estar rendendo no trabalho,na empresa,não por falta de vontade,mas pode estar acontecendo algo em seu íntimo,ou com sua família.Pode estar havendo algum problema de saúde,pode ter até depressão.Nestes casos,não há relação entre a causa (vida particular do funcionário) e a satisfação com a empresa em que trabalha.Das duas uma:ou o seu trabalho será a única fonte de satisfação,ou este funcionário,quando num quadro de alguma desordem particular,não se sentirá motivado,não conseguirá render em nenhuma área da vida.
    Não falo aqui o caso em que o próprio trabalho possa estar deixando o funcionário deprimido.Não,falo aqui na depressão independente da empresa,com causa na vida particular do funcionário,mas que esta depressão possa chegar a afetar o seu trabalho.
    Seria bom que todas as empresas tivessem uma equipe especializada para identificar algum problema comportamental,motivacional,psicoló
    gico e procurasse dar apoio para qualquer funcionário que estivesse precisando.
    Num nível macro,dentre as muitas coisas que devem ser feitas a favor de todos os habitantes,deveriam as autoridades do país desenvolverem mais maneiras para aumentar a motivação,a capacidade e a plena utilização dos talentos,em qualquer área profissional.

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