O movimento Bermuda Sim: evolução não é revolução

Alguns jovens começaram, na semana passada, o movimento chamado Bermuda Sim, que pede que os patrões flexibilizem o traje de trabalho para que assim, a população do Rio de Janeiro possa usar bermuda no escritório.

Isso acontece quase ao mesmo tempo em que, no Rio de Janeiro, uma determinação do fórum permite que os homens não usem terno e gravata durante o período de verão (até março/2014), para quem vai a audiências de primeira instância. Já é um bom começo para melhorar os dias de calor das ultimas semanas.

Embora sejam movimentos sociais parecidos, acho que há uma diferença enorme entre o movimento Bermudas Sim e a decisão do fórum. Acho lícito o desejo dos jovens de mudança, acredito que os jovens tem a vitalidade necessária para realizar grandes transformações na sociedade, mas nem tudo que é demandado por eles é, necessariamente, uma boa ideia.

A cultura de uma sociedade não muda de uma hora para outra. É um processo longo, lento, permanente, evolutivo, como um grande navio faz para desviar-se de uma rota pré-definida. Virar o leme do navio é difícil e ele não se move na velocidade que gostaríamos.

A nossa sociedade pós moderna, classificada como líquida por Bauman http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/102755_VIVEMOS+TEMPOS+LIQUIDOS 

nos mostra que nesses tempos em que tudo acontece muito rapidamente, a forma como uma pessoa se apresenta para nós está muito ligada à avaliação que fazemos dela. Imagine ir a um médico e encontrá-lo vestindo uma bermuda? Será que você terá a confiança de que este médico tem conhecimento, experiência e maturidade para lidar com a sua saúde? O mesmo conceito pode ser aplicado aos advogados, aos contadores, enfim, para uma gama enorme de profissionais com os quais lidamos no nosso cotidiano. Até acredito que em empresas de TI ou em agências de propaganda essa norma possa ser implementada sem maiores consequências, mas não se aplica a todas os serviços.

Sempre fez calor no Rio de Janeiro. Sempre se usou calças compridas. A evolução da sociedade em abolir o terno e gravata já é um bom avanço. Creio que em breve, as novas gerações vão olhar para os ternos e gravatas como olhamos para as roupas da corte imperial e se perguntarão como podíamos usar uma indumentária tão fora de propósito , inadequada para o nosso clima.

A sociedade faz evoluções melhor que revoluções. Sou a favor de incorporar o traje social ao invés do terno e gravata, porque para isso a sociedade está prontíssima. Por outro lado, aconselho a deixarmos bermudas para nossos momentos de lazer, que combinam bem com nossos chinelos e sandálias, ideais para enfrentar o calor do nosso país, especialmente em cidades praianas. Porque cada cidade também tem seus “códigos” e, num Brasil continental, há diferença em como as pessoas se vestem.

Eline Kullock – Formada em administração de empresas pela FGV-RJ e MBA Executivo pela Coppead – UFRJ, Eline também é sócia, há 15 anos, da Stanton Chase Internacional, multinacional de executive search baseada em Londres. A profissional é também, há vários anos, pesquisadora de tendências do comportamento dos jovens e a influência dos videogames em sua atuação profissional, sendo considerada fonte de referência no assunto, especialmente quando se fala em “Geração Y“.

Crédito foto: freedigitalphotos.net/pakorn

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Eline Kullock

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