Conheça o primeiro carro elétrico brasileiro

Parece um sonho: um veículo pequeno e sustentável, abastecido com eletricidade, produzido aqui mesmo, no Sul do País, com custos menores e proporcionando ao consumidor a satisfação de utilizar um veículo que é um marco na história automobilística brasileira.E se para o leitor a ideia já é atrativa, imagine para o idealizador dessa novidade. João Alfredo Dresch, lajeadense de 70 anos, desde 2011 dedica seus esforços a conseguir investidores interessados na produção em larga escala do JAD – veículo automobilístico de pequeno porte que leva no nome as iniciais do inventor e que funciona exclusivamente com eletricidade. Se bem-sucedido, o carro de João Alfredo será o primeiro carro elétrico produzido em escala industrial no Brasil. Mas, por enquanto, toda essa potencialidade não tem sido tão bem aproveitada.

Créditos: Reprodução/G1
Créditos: Reprodução/G1

A primeira versão do veículo ficou pronta em 2010, e ao todo já são mais de cinco anos de desenvolvimento, com a segunda versão finalizada em 2014. Desde que o primeiro modelo chegou às ruas, o JAD já foi notícia em diversos dos veículos de imprensa mais importantes do país, além de ter demonstrações no canal de vídeos Youtube e ter sido apresentado no programa da Ana Maria Braga, na Rede Globo. Só o que não aconteceu até agora foi a conquista de investidores por parte de João. Muito pelo contrário: o inventor já foi até multado, em sua própria cidade, por estacionar o carro na posição contrária em uma vaga de estacionamento. “Coloquei na posição contrária porque ele é tão pequeno que cabe, deixando espaço para outros veículos. Mas mesmo explicando, já ganhei duas multas por esse mesmo motivo”, conta o inventor.

Além de compreensão, está também difícil encontrar incentivos. João conta que propostas já foram enviadas tanto ao governo municipal, quanto ao Estadual e Federal, todos sem sucesso. “Até o momento já investimos mais de 500 mil reais nos dois modelos, e buscamos de diversas formas a iniciativa privada, mas o mais difícil é encontrar o dinheiro necessário para investir na produção”, explica Dresch.

Em 2014, o inventor abriu a empresa JAD Elétrico, com sede em Teutônia, no Vale do Taquari, para facilitar a viabilização do projeto. O desafio é captar capital suficiente para a produção em série do carro elétrico – até o momento, o projeto para a linha de montagem já está 90% pronto, com capacidade de produção para mil peças.

E se a cidade de Lajeado – RS não deu muito suporte ao projeto, existem outros municípios interessados na instalação de uma fábrica, inclusive em outros Estados e países como Uruguai e Paraguai. Na última semana de maio, João Alfredo e o sócio reuniram-se com empresários coreanos em Curitiba – PR. “Por enquanto não há nada definido, pois estamos estudando as propostas com muito cuidado. É uma operação grande, então não tomaremos nenhuma decisão sem um planejamento bem detalhado”, ressalta Dresch.

 

 

João Alfredo Dresch e a primeira versão do seu carro elétrico
João Alfredo Dresch e a primeira versão do seu carro elétrico

JAD 1

Sem maçanetas nas portas (a abertura é elétrica), ele não pode ser roubado sem que se roube também a chave. Feito com canos de aço e carroceria em fibra, o JAD 1 media 1,05 metro de largura, 1,20 metro de altura e pesava 295 quilos, com espaço para duas pessoas. Com motor de cinco cavalos de potência, alcançava 70 Km/h, com um custo de abastecimento de R$ 0,10 por quilômetro rodado. Alimentado por um sistema de 14 baterias que mantém uma corrente contínua, o carro exigiu um investimento inicial de R$ 40 mil para sua produção. Como não polui, o veículo ainda tem isenção de IPVA.

A ideia surgiu em uma viagem à Itália, e o projeto mesmo só foi feito dois anos e meio depois de o carro estar pronto, por exigência do Detran para viabilizar a documentação do veículo. “Arranjei R$ 10 mil emprestados e começamos primeiro com um protótipo de papelão, depois um de madeira e por último um de fibra, até chegar ao modelo de aço. Só usei a cabeça, não tenho nenhum curso na área. Acho que é essa criatividade que falta nesse ramo”, conta Dresch.

 

JAD 2

Nomeado de JAD 2 e já com uma aparência atualizada – em versão esportiva e na cor prata –, o modelo da segunda geração tem 2,5 metros de comprimento por 1,05 metro de largura e 1,2 metro de altura. O motor do carro elétrico passou a 15,8 cavalos de potência, dando suporte a velocidade de até 120 Km/h. Novas baterias de lítio garantem autonomia para rodar 120 quilômetros com apenas uma carga. A mudança de tamanho é para facilitar futuras adaptações de baterias, acompanhando a renovação constante das tecnologias na área.

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

2 Comments
  1. Paulo Motta

    22 de fevereiro de 2017 de 08:25

    Saudações,
    Desculpa, mas esse não é o primeiro carro elétrico brasileiro, Amaral Gurgel em 1975 já fabricava carros elétricos, não podemos esquecer desse grande empreendedor que foi boicotado na sua época, então sugiro que seja corrigida a matéria.

    Att.

    • Bruna Borgheti

      Bruna Borgheti

      22 de fevereiro de 2017 de 09:07

      Obrigada pela observação, Paulo!
      Vamos ampliar nossas pesquisas e, quem sabe, fazer uma matéria sobre o inventor que você indicou! 😀

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