Originalidade: a necessidade de se adequar a um grupo social

Passeando pela cidade essa semana, percebi o número de homens com barba estilo “lumberjack” e coque samurai. Vale falar sobre um cara da faculdade que adotou esse estilo… alguém deveria falar que não está legal. Além disso, na balada, no último fim de semana, assustei-me com o número de rapazes que usavam camisa xadrez amarrada na cintura e com o excesso de meninas de cropped. Originalidade, será?

Essas tendências são interessantes, pois mostram como as pessoas saem do ensino médio, comemoram o fim do uniforme e, deliberadamente, pouco tempo depois, voltam a utilizá-lo. No entanto, o principal das “modas” da contemporaneidade é que elas acabam evidenciando a necessidade dos indivíduos de adequar-se a um grupo social. Em outras palavras, trata-se aqui da falta de originalidade.

De fato, fica cada dia mais nítido como as pessoas estão ficando iguais. Não falo apenas de roupas, mas de absolutamente tudo, viagens, ideologias, gostos, trejeitos e até bordões. Antigamente, era pouco comum encontrar conhecidos em praias, eventos, festas; agora, entretanto, é quase impossível não encontrar. Não vou mentir, já cheguei a esbarrar em colegas de classe em outros estados e em festas de família (ressalta-se aqui que minha família não é grande).

Não se enfureçam comigo, por favor. Tudo o que tenho por objetivo dizer é que o mundo está ficando cansativo. Se vivemos em um planeta em que todos são iguais, qual a diversão? Vamos ser honestos, comprar o celular do ano não é mais interessante, todos têm. Aí não se pode mais usar roupas com o símbolo da grife aparecendo, pois todos vão saber de onde é e comprar igual. Se defender ideais liberais, metade da população também defende, e, se defender ideologias de esquerda, a outra metade está aí (agora, compreender tais conceitos, ninguém quer).

Viajar tem o mesmo problema, todos os destinos já estão batidos. Honestamente, nunca pisei em NY e afirmo que não estou com muita vontade, afinal, todo mundo já conhece. É impossível ir à balada no sábado à noite e apenas se divertir. Parece que o objetivo das pessoas se tornou publicar momentos nas redes sociais – vou ser honesto sobre isso, é bacana postar fotos nas mídias, mas se deve ter muita cautela.

Francamente, é chato saber que o que antes era feito por só alguns agora é feito por todos. Mas o que pode fazer-se sobre o assunto? Nada. Infelizmente temos que conviver com isso, pois, se reclamamos, recebemos uma enxurrada de críticas. Será que é tão errado assim assumir que as coisas perdem o sentido quando se tornam populares? Atire a primeira pedra quem nunca disse a frase: “eu adorava aquele lugar há dois anos, agora só tem um povo estranho lá”.

Sou franco sobre o que faço e o que gosto de fazer. Adoro cinema, academia, clube, restaurantes e baladas. Todavia, amo a academia da universidade em que estudo, pois ela sempre está vazia; amo o clube do qual meus pais são sócios, uma vez que lá não é modinha; adoro o restaurante que frequentava no meu antigo relacionamento, porque era supervazio e reservado, era quase um pedacinho da Europa no Brasil. E é completamente normal eu desejar que essas atividades continuem as mesmas, que não sejam atacadas pelo gosto popular.

Enquanto as pessoas abrirem mão de partes de si mesmas para ficarem parecidas com o coletivo, teremos uma população triste e deprimida. A graça do mundo é encontrar indivíduos diferentes e nos relacionarmos com eles, procurando sempre aprender mais. No instante em que todos se tornam iguais, a convivência com o próximo perde o sentido.

Resta, então, o questionamento: se não há graça em ser igual a todos, qual a sensação de ser diferente? Pois bem, só há uma maneira de descobrir.

Informações do Autor

Ricardo Bibiano

Mineiro, Letras e professor de redação. Publico textos há aproximadamente 1 ano. Socialite falido.

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