Há muito tempo, numa tribo, havia um Cacique que tinha dois filhos em idades bem próximas, com pouco mais de um ano de diferença. Quando morreu, os sábios da tribo decidiram submeter os dois filhos do cacique a vários testes, para decidir quem seria o sucessor e novo líder da tribo. O costume era que o mais velho sucedesse o pai, mas quando as idades eram muito próximas, esses testes ocorriam.

Os dois foram submetidos a diversas provas: de inteligência, de criatividade, de coragem, etc…

Em todas as provas ficaram equiparados, e a derradeira prova, que desempataria os dois, seria a de velocidade.

O mais jovem, então, declarou:

– O meu irmão sempre foi o mais veloz. A vida toda ele sempre venceu as nossas corridas. Não há necessidade deste teste.

Dito isto, entregou o cocar a seu irmão, que se tornou o novo Cacique.

O tempo passou e esse jovem acompanhou o destino da tribo nas mãos de seu irmão, que

revelou-se um líder mediano, pouco ousado, mas bem intencionado. Sob seu comando a tribo manteve seus costumes, preservou a sua cultura, mas nada de revolucionário aconteceu.

Décadas depois, conversando com o seu neto, o irmão desistente contou essa história e completou:

– Olhe, eu realmente era mais lento que o meu irmão. Nunca venci uma corrida em todas as nossas competições. Mas, eu tinha outros planos para a tribo e queria realmente ser o sucessor. Porém, deixei que uma velha idéia se colocasse acima de meu sonho: a de que o meu irmão sempre fora o mais veloz. Naquele dia eu tinha realmente pelo que lutar, portanto, o resultado poderia ter sido outro. Os deuses poderiam me favorecer (se essa fosse a vontade dos Céus) fazendo com que meu irmão tropeçasse durante a corrida, eu poderia estar mais entusiasmado que ele, ou mais descansado. Enfim, outra história poderia ter sido escrita, mas eu deixei que uma velha ideia destruísse essa possibilidade. E durante todos esses anos um único fantasma me assombra. A maldita pergunta: – E se eu tivesse tentado? Vou levar essa dúvida comigo para o túmulo e, por toda a eternidade ela estará comigo.

MORAL DA HISTÓRIA: A dúvida é como um fantasma, que só afugentamos ao enfrentá-la.

 

Emilio Gahma

Extraído do meu livro “Crônicas corporativas”

Crédito foto: freedigitalphotos.net/samandale

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Emilio Gahma

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