A beleza das palavras que não podem ser traduzidas

Linguagem é poesia; e uma poesia repleta de poder. Além de tornar a civilização humana possível, ela também nos ajuda a entender o que sentimos. Nem sempre, no entanto, sabemos denominar exatamente o que se passa conosco – por mais abrangente e rico que seja um idioma como a língua portuguesa, por exemplo, às vezes a cultura de outro país consegue captar melhor as nuances do dia a dia e cria as palavras que nos faltam para verbalizar alguma coisa.

Foi pensando nisso que a ilustradora britânica Ella Frances Sanders lançou o livro “Lost in Translation” (Perdido na Tradução, em tradução literal do original em inglês), um compêndio ilustrado de palavras intraduzíveis ainda sem previsão para lançamento em português. A seguir, você confere alguns dos termos mais inspiradores que ela garimpou em outras línguas e seus significados.

 

Mangata

Em Sueco. Mangata é a palavra utilizada para denominar “o reflexo da lua na água, que parece uma estrada”.

 

Hiraeth

Semelhante à nossa “saudade”, a palavra é oriunda do País de Gales e descreve a melancolia pela ausência de algo ou alguém.

 

Iktsuarpok

Substantivo dos esquimós do Ártico, é um sentimento “entre a paciência e a ansiedade” – como quando alguém entra e sai repetidamente, para ver se alguém está chegando.

 

Kummerspeck

Do alemão, é traduzida ao português como “bacon da tristeza”, e fala do excesso de peso ganho após o exagero na comida por questões emocionais.

 

Wabi-sabi

Termo japonês que significa “encontrar beleza nas imperfeições, uma aceitação do ciclo da vida e da morte”. Derivado do budismo, o wabi-sabi nos ensina que “entender nossa transitoriedade e a assimetria de nossas vidas pode nos levar a uma existência mais plena, porém modesta”.

 

Pisan Zapra

É um costume na Malásia para medir o tempo – se refere “ao tempo necessário para comer uma banana”. Termo semelhante existe na Finlândia: poronkusema, a “distância que uma rena pode caminhar confortavelmente antes de fazer uma pausa”.

 

Kalpa

T ermo em sânscrito que significa “a passagem do tempo em uma escala grandiosa, cosmológica”.

 

Boketto

Também japonês, o termo significa “perder o olhar no horizonte sem pensar realmente em nada específico”. Uma prática quase meditativa que faz muito bem à rotina de qualquer pessoa.

 

Imagem: Mikuzz

Informações do Autor

Bruna Borgheti

Jornalista formada pelo Bom Jesus/Ielusc, de Joinville-SC, é acadêmica do curso de Letras da UniCesumar. À frente da redação das publicações do Grupo Dom7, faz a edição e curadoria de conteúdo do site e já teve suas aventuras pelo mundo corporativo, mas gosta mesmo é de um documento de Word em branco. Tem sugestões pra dar? É ela que você está procurando. Entre em contato pelo [email protected]

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