Quer ser palestrante? Confira aqui o dia a dia da profissão

marcelo-carreira-palestranteEntrevista com Marcelo de Elias sobre a carreira de palestrante.

Poucas pessoas sabem, mas dia 15 de julho é comemorado o Dia do Palestrante, um profissional bastante requisitado nos dias de hoje.

As palestras se fazem muito necessárias para todos os públicos, pois além de oferecer um conteúdo direto, tem o objetivo de levar as pessoas a uma mudança de comportamento. Por outro lado, os palestrantes têm a missão de levar conteúdos relevantes e atuais de modo que consiga aliar suas ideias às esperadas pelas instituições que os contratam.

Neste sentido, o mercado de palestras é muito grande no Brasil todo. De acordo com a Academia do Palestrante, atualmente estima-se cerca de 150 palestrantes da elite no país que cobram mais de 20 mil reais por suas apresentações. Além disso, outros tantos profissionais realizam, de forma exclusiva ou não, o trabalho de levar conhecimento aos mais diversos públicos espalhados pelo país.

Em Cruzeiro, interior de São Paulo, o especialista em mudanças, Marcelo de Elias se destaca nesse grupo. Em 2015 ele esteve no rol de 40 palestrantes mais bem avaliados por um site independente especializado no assunto.

Conversamos com Marcelo para nos ajudar a entender um pouco sobre o trabalho de palestrante e dar algumas dicas preciosas para quem gostaria de seguir esta carreira promissora com alto valor agregado para a sociedade como um todo.

1. Por que ser palestrante?

Ser palestrante é mais que um trabalho, é uma missão de vida. Além de você contribuir para a formação de milhares de pessoas, a atividade em sim é extremamente agradável e posso citar alguns dos motivos:

– Você se relaciona com muitas pessoas diferentes;

– Você tem a oportunidade de viajar para vários lugares e conhecer muitas culturas;

– Não há uma rotina, que faz do trabalho algo muito motivador.

– Mas o principal é poder desenvolver pessoas e saber que está fazendo diferença na vida delas.

2. A carreira de palestrante é rentável?

Sim, mas não é fácil. Atualmente a concorrência é muito grande.

Diversas pessoas decidem ser palestrantes profissionais, embora muitas delas ainda não consigam viver exclusivamente de palestras e workshops. Ou seja, elas mantém suas funções e fazem da carreira de palestrante como algo paralelo.

Isso faz com que elas não consigam se aperfeiçoar tanto e contribui para que o mercado de palestras acabe tendo uma concorrência muito grande.

Eu diria que é possível sim ganhar dinheiro. Existem palestrantes extremamente bem remunerados, mas não é tão fácil chegar nesse nível.

Precisa de muito foco, muita determinação, muito estudo, muita competência e também muita capacidade gerir o negócio. É preciso enxergar as palestras como um negócio e não como uma atividade paralela.

3. O que é preciso fazer ou ter para ser um bom palestrante?

Quando eu decidi, há muitos anos atrás, ser palestrante, eu pensei que o básico era o suficiente, ou seja, ter uma boa oratória e um bom conhecimento sobre alguns assuntos. Com o tempo eu fui descobrindo que isso não bastava para ser um palestrante profissional.

Eu entendo que para ser um palestrante dentro da empresa, como um multiplicador interno ou que faça isso por lazer ou como um trabalho voluntário, talvez essas características sejam suficientes. Mas para ter uma carreira de palestrante é preciso ver o trabalho de palestrante como um negócio mesmo.

4. O que significa ver a palestra com um negócio?

– Ter a cabeça de empresário e não apenas de palestrante. Ter clareza sobre o mercado em que atua, as estratégias e especificidades da gestão de todas as etapas como em uma empresa.

– Ter uma ou algumas palestras carro-chefe. Trata-se de palestras que sejam a marca registrada desse palestrante.

– Ter uma apresentação forte, poderosa e marcante. Não basta só falar bem em público, mas a palestra tem que cativar, tocar o coração das pessoas e mobiliza-las para alguma atitude.

– Fazer um bom marketing pessoal, pois o produto do palestrante é ele mesmo. A palestra que ele oferece também é um produto, mas o primeiro produto é ele enquanto profissional. Essa imagem precisa ser vendida. Para isso vale a pena se dedicar também ao marketing digital e criação de autoridade.

– Ter um bom sistema de vendas. Existem palestrantes muito bons, mas com dificuldade de “se vender” ou “serem vendidos” pelas agências de palestras e eventos. Então ter um bom sistema de vendas é um dos pontos que garantem o sucesso do palestrante.

5. Quais os principais erros que os Palestrantes Iniciantes cometem?

Existem vários erros, mas gostaria de citar alguns:

– Não ter um posicionamento. Ou seja, querer falar de tudo: vendas, liderança, relacionamento, trabalho em equipe, comunicação, inteligência emocional. Na verdade o palestrante deve escolher uma linha de trabalho, uma palavra forte, um tema que faça com que as pessoas o identifiquem. Por exemplo, o Cortella é o palestrante da Ética e, ao falar de ética, ele fala de motivação, de liderança, de relacionamento. O Roberto Shinyashiki é o palestrante dos Campeões; então ele pode falar de vendedores campeões, profissionais campeões, de pessoas que querem vencer na vida. Mas ele se posiciona como alguém que revoluciona campeões.

– Não ter uma palestra de trabalho. Isso tem muito a ver com o primeiro erro. Se o palestrante não se posiciona, ele acaba querendo fazer cada palestra de uma maneira, com um tema extremamente diferente do outro. Dessa forma ele fica dependente da demanda do cliente. É claro que as palestras deve ter um grau de customização para cada cliente. Mas o palestrante já precisa ter algo estruturado de forma que identifique a linha de trabalho dele.

– Acreditar que palestra é igual à aula. Ser palestrante é uma coisa, ser professor é outra. Fazendo uma comparação simples, podemos dizer que o professor é um corredor de maratona. Ele ter que manter o ritmo para que chegue ao objetivo final, mas ele tem mais tempo para estruturar o objetivo. Já o palestrante é um corredor de 100 metros rasos. Em pouco tempo ele tem de fazer grande diferença na vida das pessoas. Ele precisa dar o tiro certeiro. Enquanto a aula tem o objetivo de levar o conhecimento e as ferramentas, a palestra tem o papel de levar as pessoas a uma mudança, principalmente uma mudança de comportamento. Então a palestra não é o momento de se dar aula.

– Falar o óbvio de um jeito muito óbvio. É estranho dizer isso, mas, na verdade, no mundo muitas coisas já foram ditas e dificilmente um palestrante vai conseguir trazer um conceito ou conteúdo extremamente inovador. Por mais que ele estude, pesquise, ele sempre vai trazer algo que já foi dito. Mas alguns falam o óbvio de um jeito muito óbvio. Então o ideal é que os palestrantes digam aquilo que as pessoas precisam ouvir, mesmo que aquilo já seja do senso comum, mas de um jeito inteligente, que leve á reflexão, e faça com que as pessoas sintam aquilo de verdade por meio de histórias, exemplos, dados de pesquisa, estudos que demonstrem que aquilo faz a diferença e que toque o coração das pessoas.

Esta foi um pouco sobre a carreira de palestrante. Saiba mais!

Imagem de capa: ClubTransatlântico

Informações do Autor

Marcelo de Elias

Palestrante, professor e escritor especialista em mudanças e em gestão de pessoas. Suas palestras estão entre as mais bem avaliadas do Brasil.

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