Paulo Freire: afinal, quem foi este polêmico educador?

Considerado patrono da educação, Paulo Freire nasceu em Recife (Pernambuco), onde concluiu seus estudos secundários e formou-se em Direito. Foi educador, pedagogo e filósofo. Teve papel fundamental no campo da pedagogia por ter métodos que divergiam dos quais em sua época eram válidos para uma educação de qualidade.

A perspectiva Freiriana a respeito do conceito “Educação” pode ser definido em dois: A educação bancária e a educação libertadora. Bancária, porque essa modalidade não possibilita ao educando a busca pela produção do conhecimento e a reflexão da matéria que está sendo aprendida. Nesse modelo educacional, o aprendiz escuta as teses apresentadas pelo professor como algo sempre verdadeiro e inquestionável. Está na sala de aula somente para receber conteúdo programáticos. Além  disso, a metodologia dessas práticas educativas são sempre as mesmas, visto que, na educação bancária a escola é capitalista, sendo assim, impõe cultura dominante e nunca entra em contradição com o ritmo da sociedade.

Contrária a educação bancária, Freire chama de educação libertadora aquela em que não tem separação entre o educador e o educando. Por esse motivo, nela existem diálogos, questionamentos, reflexões e transformações humanas e sociais. Dentro desse contexto, a educação libertadora pode ser entendida como um desafio para tornar o indivíduo um ser autêntico ao meio social, já que , vivemos em um meio onde pensamentos e ideias inovadoras são reprimidas, por aqueles que dizem ter o saber, o controle sobre todos. Mas, são poucos aqueles que realmente defendem suas ideias, alguns somente aceitam “a submissão” e passam a seguir conceitos comuns.

Paulo Freire acreditava que as escolas poderiam funcionar de forma favorável ou contrária aos processos de inovação e reflexão pessoal, estabelecendo a ruptura de objetivos estratificados que em diversas vezes são encontrados nas atividades escolares.

Coincidente a concepção Freiriana, de que não existe liberdade sem disciplina, um outro educador do século XX, o filósofo Michel Foucault, também se preocupou com os contrapontos na educação. Nascido em 15 de outubro de 1926 em Poitiers, França, faleceu em 25 de junho de 1984, aos 57 anos em Paris. Ficou conhecido por suas grandes contribuições na educação, filosofia e na história. Seu pensamento era transversal, por isso, mantinha contato com outras áreas do conhecimento, como o Direito e a Sociologia. Suas teorias eram acerca da relação entre poder e conhecimento, e como estes são usados para o controle social através das instituições. Do mesmo modo, destacou-se por ter renovado a psicologia como ciência.

Na obra Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão, Foucault analisa as formas de poder e controle na era clássica da monarquia, e os tipos de punição aqueles que não obedeciam a soberania do rei. Entres elas, o Suplício, ligado aos castigos físicos, e a Prisão, que acabou tornando-se uma regra dos países europeus.

Uma amostra do que caracteriza esse vínculo é o exame. Através dele é possível vigiar e punir quem precisa ser controlado, para excluir ou modificar algum tipo de comportamento considerado divergente dos mais aceitos socialmente.

Desta forma, na educação bancaria , por exemplo, o saber do professor referente ao conteúdo e o poder central que ele exerce sobre a turma pode decidir se o aluno pode ser reprovado ou não. Por essa razão, Foucault diz que além dos hospitais e presídios, a escola também é um dos mecanismos de controle e correção, pois, a reprovação é um ato de punição e uma forma de disciplinar. Mas, o aluno desconhece porque apenas permanece quieto, não questiona, somente obedece, devido ao que está instituído socialmente sobre a imagem escolar.

Nesse sentido, a obediência também é uma ação punitiva,já que obedecer significa aceitar algo que nos é comum. Assim sendo, na educação o poder está associado ao castigo, antes físico na época da pedagogia humanista do século XVIII, e nos dias atuais como método de reprovação. Outra ferramenta de vigiar e punir é através da identificação pessoal, uma vez que, é a partir do documento que o indivíduo se torna cidadão, com isso adquire um nome, CPF, e um endereço. Ou seja, ganha um registro e passa a existir no mapa da sociedade.

Em vista disso, para Foucault não existe poder sem saber, como também não existe a possibilidade do ser humano escapar dessas relações. Ele acreditava que as punições nem sempre eram opressoras, mas às vezes,criativas quando serviam como meios de organizar as normas de conduta no aspecto de convivência social entre as diversas classes existentes.

Nessa lógica, a análise de sujeição e autonomia do aluno foi uma das inúmeras contribuições deixadas pelo educador brasileiro e pelo filósofo francês, uma vez que ainda dialogam com o campo educacional no ato de formular metodologias que incluem mecanismos disciplinares e descartam práticas de liberdades.



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Informações do Autor

José Domingos

Acadêmico do curso de Letras-Português e Francês da UFS, è bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica). No universo corporativo atuou em vendas e em relações administrativas. Hoje, prefere ver o mundo através das páginas. À frente do projeto Cine Qua Non, desenvolve trabalhos voluntários nas áreas de literatura , artes e comunicação . Têm artigos publicados em Webartigos.com.br, e é também colunista no Portal Sucesso Jovem.

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