Política reflete a sociedade ou a sociedade reflete a política?

Pouca gente querendo trabalhar, muita gente querendo aproveitar: vivemos a cultura do oportunismo, a idéia é tirar vantagem.

Estamos vivendo a cultura do comodismo, do oportunismo, da crítica sem embasamento, infundada, apenas por criticar. Sociedade vazia, fútil, com valores invertidos onde trabalho e honestidade são vistos como uma coisa ruim. Se for vantajoso os critérios mudam e a malandragem impera, já não existem parâmetros, prevalecem os valores errados, conceitos distorcidos do que é correto. O imediatismo é privilegiado em detrimento ao futuro, se for bom agora o amanhã que se dane, todos querem o que for vantajoso hoje não importando como isso irá repercutir no futuro.

O egoísmo é tanto que se ocorre um acidente com caminhões que carregam objetos de valor é mais a vontade em roubar do que em socorrer quem está ferido. E o pior: não consideram roubo e sim oportunidade. Existe um ditado popular que diz: a oportunidade faz o ladrão. Discordo desse ditado e acho que o ladrão cria qualquer oportunidade pra roubar, pois se até em uma situação assim uma pessoa pensa em roubar é porque falta caráter! O que é certo será sempre certo e o errado sempre errado; se você não comprou ou ganhou diretamente do dono não é seu, uma regra simples que antes era passada dos pais para os filhos com muito rigor e hoje finge-se que foi esquecida!

Nossa política totalmente sem valores, sem ética, onde vemos notícias sobre corrupção diariamente e isso é muito, muito ruim, tanto por acontecer como por todos comentarem como algo normal e o pior uma grande porcentagem se tivessem oportunidade fariam exatamente igual. Triste, muito triste. Uma grande parte do povo brasileiro são pessoas honestas e trabalhadoras mas existe infelizmente em todas as classes socias pessoas que criticam a política corrupta mas se errarem o troco não falam nada, se tiverem oportunidade levam sem pagar pequenas coisas, nas empresas em que trabalham praticam fraudes e por aí vai. Parece que se for vantajoso não há problema em praticar fraudes, roubar, mentir, trair. Não se pensa no outro que está sendo prejudicado.

As notícias do bem, de tanta gente que trabalha, estuda, se esforça, ajuda o próximo não são divulgadas criando no inconsciente coletivo a falsa idéia que ninguém presta, que o mundo está perdido, que o errado pode ser certo e salve-se quem puder. A mídia principalmente a televisão reforça essa idéia com programas e novelas onde se mostra o roubo, a malandragem, o adultério, a pornografia , a traição como coisas normais alimentando o mal e dando forças para que tudo de ruim se torne maior. Os programas e novelas não mostram tantos brasileiros que trabalham e estudam e nas raras horas de folga praticam o trabalho voluntário ajudando muitas pessoas, tantos heróis anônimos que fazem o bem sem querer recompensa, sem a vaidade de aparecer na televisão ou em redes socias, pessoas que fazem o bem apenas pela recompensa de terem orgulho de si mesmas, de fazerem o que é correto. O que é bom, o que é do bem não é valorizado, não dá notícia.

Vemos várias pessoas que nunca contribuíram com o INSS querendo aposentar, todos querem uma fatia do bolo, mas um bolo errado com a receita errada. Deveria ser pensado no coletivo, no bem comum, no futuro, nas conseqüências de cada ato, é como se todos quisessem apenas receber sem dar nada, sem contribuir. Muitos querem viver as custas do seguro desemprego e o que era para ser um seguro para quem realmente precisa virou uma alternativa para quem ás vezes não quer mesmo trabalhar.

Todos sabem em quem não votar, porque esse não presta ou aquele e no final não sabemos em quem votar. E por que? Porque as boas coisas não são observadas; embora raras existem ações que dão certo, projetos que renderam bons frutos mas esses ninguém conhece, ninguém se interessa em saber. E por isso vemos tantos votos brancos e nulos, todo mundo falando sobre a falta de opção. Ninguém quer elogiar o que deu certo, ninguém quer se informar de verdade sobre o que deu certo simplesmente porque criticar é mais cômodo, mais fácil, exige mais do outro e menos de nós mesmos.

É aí o segredo: exige-se muito dos outros e pouco de nós mesmos. Quando alguém reclama e você dá uma idéia de solução que exige um pouco de esforço e trabalho fazem-se de surdos e cegos. Não querem ouvir, não querem ver, apenas reclamar. É muito fácil culpar somente a política e não a sociedade; assim mudamos apenas quem está no comando e está tudo certo, continuamos fazendo as mesmas coisas, alienados sem realmente pensar, contribuir, se esforçar. Esquecemos que quem está no poder está pelo voto do povo e reflete em parte, o que somos.

É claro que em algumas situações é preciso reivindicar os diretos, mas deve-se primeiro conhecer e praticar os deveres. Observe o que é feito de bom e vote com consciência. Critique com consciência. Proteste com consciência. Não é isso que vemos: essa tal liberdade de expressão acaba com o respeito pelo outro e abre espaço para críticas que podem até serem infundadas, ações depredatórias onde se destroem patrimônios privados e públicos sem o menor respeito por nada nem por ninguém.

Não adianta só protestar, tem que aprender votar. Escolher cuidadosamente quem irá ocupar os cargos mais importantes do país, observar se existe real preparação dos candidatos, se possem nível superior, se já tiveram experiência prática em áreas como administração, saúde, educação, segurança, etc. É de extrema importância que os candidatos tenham habilidades necessárias para poder decidir sobre leis, sobre projetos, sobre nosso futuro, tem que ter conhecimento para criar projetos que realmente transformem em fértil esse terreno árido e hostil que se tornou nossa política e é claro que sejam principalmente pessoas de princípios e sobretudo honestas.

Em épocas de eleição vemos vários eleitores correndo atrás dos candidatos mas não é para discutir projetos, dar novas idéias, não, o que se procura são favores pessoais em troca de votos e depois é assim que definem quem foi bom ou mau: apenas pelo que foi vantajoso para si próprio. Não é pensado no coletivo, no bem comum. Em campanhas eleitorias ganha mais visibilidade na mídia quem fala mal do candidato oponente e não quem fala sobre idéias. É muito raro ouvir um candidato elogiando o projeto de um oponente e dizendo que vai levar esse projeto adiante e aperfeiçoá-lo porque o interesse da cidade, do estado, do país, está acima dos interesses pessoais.

Vamos pensar um pouco mais, observar um pouco mais, prestar atenção ao que está sendo feito de bom para depois saber em quem votar e aí sim votar com consciência e se tiver que protestar fazer com ordem e com foco em resultados coletivos que visem o bem comum e a construção de um mundo melhor sem que seja preciso destruir nada. Vamos ser mais seletivos com o que vemos e o que ouvimos: a mídia gosta de propagar desgraça tornando-nos seres depressivos e acomodados sem motivação necessária para promover mudanças transformadoras que geralmente começam principalmente por nós mesmos.

Pensem bem e analisem cuidadosamente: é possível criar uma política que funcione simplesmente criando uma sociedade melhor, que pense mais, que faça mais, que contribua mais, que saiba votar, que saiba criticar e que saiba elogiar, uma sociedade criteriosa e com valores corretos, uma sociedade que pense no coletivo, uma sociedade que saiba cobrar e fiscalizar o que está sendo feito, sem essa comodidade que vemos hoje onde não se participa, não se pesquisa, não se conhece o que está sendo feito, que realmente não aceita desonestidade e corrupção e uma será sem dúvida reflexo da outra: onde não existe o mal o bem prevalece! Sempre!

 

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Lucilene Antunes

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