Rafael Biasotto: da sala de casa ao faturamento milionário

Por Francielle Buzzi

Com um capital de apenas 18 mil reais, Rafael Biasotto iniciou empresa que deve encerrar 2014 com faturamento de 130 milhões de reais

O bom empreendedor é aquele que é capaz de produzir o que desejou e idealizou. Através de uma capacidade constante de transmitir credibilidade e inspirar pessoas, eles se tornam verdadeiros líderes. Nessa descrição se encaixa o empresário catarinense Rafael Biasotto, 38. Com o slogan “espalhar coisas boas por aí” ele criou a Uatt?, marca que fabrica produtos diversificados e artigos para presentes e está localizada na região da Grande Florianópolis, em Santa Catarina. Há 12 anos no mercado, em 2014 a Uatt? deve alcançar um faturamento bruto de 130 milhões de reais. Em uma entrevista exclusiva para a Atitude Empreendedora, Biasotto contou como foi o início desta história, quais são seus planos para o futuro e como é possível superar os desafios impostos para quem quer materializar seus sonhos.

 

O início

Formado em administração e técnico em mecânica, Rafael Biasotto começou cedo a caçar oportunidades. O início da carreira como consultor de empresas do setor de presentes e decoração propiciou uma experiência valiosa na área em que mais tarde ele iria ingressar como empreendedor. Nessa época, enxergou uma oportunidade de mercado e tratou de planejar, com cuidado, os passos que daria em direção a seu futuro promissor.

Como fazem muitos jovens na casa dos 20 anos, Biasotto partiu em uma expedição pelo mundo. Com a mochila nas costas, além de fazer turismo, também aproveitou para buscar ideias em feiras e exposições ligadas ao setor.

Na volta, fez as contas e descobriu que do dinheiro reservado para as despesas da viagem, havia lhe sobrado 8 mil reais. O valor não era suficiente e o jovem, na época com 26 anos, recorreu à família para criar a empresa. “Minha primeira investidora foi a minha avó, que me emprestou mais dez mil reais. Com esse capital, comecei a fabricar produtos em uma sala de 30m² na casa da minha mãe”, relembra, avisando que essa é uma das histórias que gosta de contar. “A minha mãe, aliás, foi a minha primeira funcionária”, acrescenta. Usando chapas coloridas de polipropileno (plástico) e muita criatividade, Rafael confeccionava artesanalmente objetos como luminárias e porta-retratos, que mais tarde eram comercializados em lojas multimarcas e licenciadas da cidade. “Eu estudei a demanda do mercado. Vi que as pessoas gostavam de cores cítricas e de presentes que trouxessem uma mensagem positiva e que não havia ainda isso no Brasil, então resolvi investir”, conta.

 

Crescimento e sociedade

Ainda com o nome de Ethno – Presentes Nacionais, a empresa participou, em 2003, da House & Gift Fair, maior feira da América Latina de artigos para casa e decoração, em São Paulo. “Dividimos um estande com outros artesões e nosso espaço era de 2m², com uma prateleira onde exibimos nossa linha, que na época era de 16 artigos. “Mesmo com poucos recursos, a participação no evento foi uma experiência bem sucedida. “Voltamos de lá super felizes, com pedidos que totalizavam 8 mil reais”, conta o empresário.

O mercado comprou a ideia dos produtos com mensagens irreverentes e a empresa começou sua expansão. Com a visão estratégia de um bom gestor, Biasotto percebeu cedo que, para alcançar o sucesso, deveria estar cercado dos melhores profissionais. Sua primeira ação foi chamar o ex-colega de faculdade Ivan Oliveira, hoje um dos sócios-diretores da Uatt?. “O Ivan é meu complemento dentro da empresa. O que eu não consigo fazer da melhor maneira, ele vem e consegue”, revela.

 

Necessidade de importação

Somando esforços, os dois descobriram um “mercado totalmente novo, que era o da importação e de trabalhar com fornecedores estrangeiros”, relembra. “Chegamos ao limite de não termos fornecedores nacionais, então decidimos buscar oportunidades no mercado da China. Retornei à época de mochileiro, coloquei a mochila nas costas e fui para lá, para que pudéssemos encontrar formas de aumentar nosso mix de artigos”, conta Biasotto. “Foi super difícil, fiquei em hotéis ruins…A gente sempre se esforçou muito para que chegássemos ao resultado de hoje”, comenta.

A visita ao país asiático rendeu a criação da Wacky Importações, em 2005, responsável por trazer para a Uatt? produtos e matéria-prima do outro lado mundo. Para garantir a qualidade do material importado, a marca implantou um escritório e um centro de distribuição na China, que auxiliam o contato com fornecedores, distribuidores e aceleram o processo produtivo.

 

Nova marca, nova identidade

O ano de 2006 marcou uma nova etapa na trajetória da empresa. Foi quando os sócios conceberam a ideia de abrir lojas físicas e de renovar a identidade visual da marca. Um processo foi complementar ao outro e assim surgiu a marca Uatt?, variação da palavra inglesa What pronunciada com o sotaque “manezinho” dos floriapolitanos. “Tínhamos algumas inquietudes com o nome anterior. Achávamos que não soava como deveria, que não passava a alegria que deveria para o consumidor, por isso foi necessária essa readequação gráfica, mais lúdica e irreverente”, afirma Rafael.

A primeira loja foi aberta no Shopping Beira-mar e no mesmo ano, outra unidade foi inaugurada, dessa vez no Shopping Iguatemi, ambos centros de compras da capital catarinense. “Nós não tínhamos visão e nem experiência. Passamos um bom tempo planejando o mix e a exposição dos produtos”, recorda. O resultado, oito anos após a abertura da empresa, mostra que a inexperiência não é empecilho para o sucesso: a Uatt? possui, atualmente, 70 lojas próprias e franqueadas espalhadas por todo o território nacional, que são responsáveis por 70% do faturamento anual da marca. No início deste ano, a empresa apresentou um projeto de expansão para países da América do Norte e da Europa, que já está em andamento.

 

Fator desafiador

Entre os desafios que devem ser vencidos na construção de uma organização de sucesso, está a de conseguir, no mercado de trabalho atual, mão-de-obra qualificada. Rafael é categórico ao declarar que “o que impede o crescimento de uma empresa é o mesmo fator que a acelera: os colaboradores”. Hoje, a Uatt? possui cerca de 140 funcionários, que atuam na criação e produção  de cerca de 1200 artigos de todas as linhas desenvolvidas na companhia. Para promover o treinamento e estimular a constante atualização dos colaboradores, a empresa desenvolveu o programa Escola de Negócios, que oferece capacitação interna e online para aprimorar o desempenho de quem trabalha dentro da Uatt?. O material destes cursos fica disponível para consultores, franqueados, lojistas e vendedores, e seu conteúdo varia entre varejo de presentes, vendas, experiência de consumo, entre outros.  Para Rafael, buscar a progressão do conteúdo e a evolução dos colaboradores é primordial para trabalhar com pessoas comprometidas com o crescimento da empresa. “É a parte mais fantástica desse processo de formação”, avalia.

 

Perfil empreendedor

“A cada 20 mil pessoas, apenas uma será um empreendedor nato”. A estatística é citada por Biasotto quando questionado sobre a capacidade de ser líder. Ele acrescenta que quando não se nasce com a capacidade natural de ser bem-sucedido na selva capitalista, é possível buscar conhecimento técnico e alcançar êxito. Conhecimento, aliás, foi o fator de que Biasotto mais sentiu falta durante o início de sua caminhada empresarial. “Se eu pudesse voltar no tempo, eu planejaria melhor e investiria em formação profissional. Mas fui me adaptando e tenho consciência que fiz o melhor que pude com os recursos que eu tinha disponível na época”, relata.

Ao falar sobre o que considera mais importante, se o conhecimento de um colaborador mais experiente ou a capacidade de inovação dos jovens, Rafael afirma que é possível fazer um casamento equilibrado entre as duas opções. “Conseguir dialogar com pessoas de todos os tipos e idades é a característica de um bom líder, que vai sempre estar aberto ao novo e ter a percepção de ouvir sua equipe e conseguir extrair o melhor dela”, ensina.

 

Crescimento planejado

O perfil de empresa inovadora e com grande potencial de crescimento rendeu à Uatt?, em 2013, o reconhecimento como negócio de alto impacto pelo Instituto Empreender Endeavor, organização internacional de fomento ao empreendedorismo. A seleção é criteriosa e envolveu outras três mil organizações, que tiveram avaliados o potencial de crescimento e a vantagem competitiva saudável. “Fomos escolhidos naturalmente, após a análise do alinhamento de nossos líderes com o mercado e o que damos e recebemos da sociedade, entre outros aspectos”, conta Biasotto. Ele acrescenta que integrar o time de empresas assessoradas pela Endeavor alterou o DNA da Uatt?, que passou a contar com o apoio de profissionais de renome, que apresentam as melhores práticas de gestão, estratégias e tendências.  Antes isolada em Santa Catarina, agora a Uatt? planeja ingressar no mercado de negócios de São Paulo, centro financeiro do país; uma estratégia para tornar a empresa global e acelerar seu crescimento. Outra novidade foi a criação da diretoria de Finanças, Gente e Gestão, uma iniciativa da Uatt? para que haja um crescimento interno mais efetivo. No comando do recém-criado setor, está o ex-consultor e hoje o mais novo sócio-diretor da companhia, Darino Moreira Tenório.

 

Espalhando coisas boas por aí

Comprovando a liderança nata, Biasotto afirma que sua motivação para a labuta diária vem da vontade de materializar as próprias ideias, de mover as pessoas e de fazê-las acreditar em seus próprios sonhos. “Engajar o próprio time é muito importante. Temos que promover um encantamento para que as pessoas deem seu melhor no que estão fazendo, gerando o crescimento do empreendimento”, destaca. Cercado por um time cheio de talentos que levam o slogan de sua marca a sério, Rafael se prepara para alçar voos ainda maiores, espalhando coisas boas por aí. “Nosso grande sonho é vender, por ano, um presente a cada brasileiro”, diz, projetando o futuro da Uatt?, com a pretensão de torna-la a melhor solução em presentes do país.

 

 

 

 

 

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Equipe Dom7

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