Crônica: Sócio-sofredor, o diário do futebol

Capítulo 1 do Sócio-sofredor, o diário do futebol: Crônica de Otávio, o santista (um dos poucos). A série que retrata histórias divertidas na visão de torcedores espalhados pelo mundo. Qualquer semelhança é mera coincidência… ou puro azar!

Chegou o grande dia! Acordo daquele jeito, final da Copa do Brasil contra o Palmeiras. Sinto cheiro de título, acho que seremos campeões!!!

(11:00) Coloco alguns vídeos históricos do Santos sendo campeão, só para ficar no clima. Separo a camisa da sorte, do Robinho de 2002.

Tudo esquematizado para a festa, hoje ninguém segura meu peixão.

(18:48) Meu amigo me chama no Whatsapp (Japonês, magrelo, de 1,70). Ele me chama para comer pastel com a crush dele e o possível cunhado. Fiquei de vela, mas hoje pode tudo.

(20:02) Me arrumo para comer pastel (fico gatão, Caio Castro do Litoral paulista) – (barulho de interfone). Vou atender, é o Japonês (aquele ser oriental está com um sorriso de orelha a orelha).

Saímos conversando pela rua, temos que andar 2km para chegar (bate um arrependimento), e para piorar reparo que esqueci de colocar minha camisa da sorte do peixão.

(20:21) Chegamos na casa da pretendente do japonês. Batemos na porta e ela aparece (Swirlene, uma mulata de 1,90). Seu irmão aparece logo depois (Sebá, um cara de 2 metros de altura, tipo o armário de casa).

Vamos andando e conversando até a pastelaria. Começa a chuviscar e já fico receoso. Chegamos na pastelaria, depois de andar que nem maratonista.

Mesas e cadeiras todas molhadas (já fico revoltado com a vida e com a minha existência). Ficamos em pé um bom tempo (e molhados). O cenário é: os dois pombinhos abraçados e eu molhado encarando o projeto de armário chamado Sebá.

(21:40) O jogo vai começar! (começo a ficar p*#[email protected]). O desespero começa a tomar conta do meu ser. Lembro que ainda tenho que passar em casa, para pegar a camisa da sorte.

Coração acelera, vamos embora conversando. Começa a chuviscar de novo, damos uma acelerada no passo. Chego em casa, saio correndo pelas escadas, pego minha camisa e visto.

Vamos indo lentamente para a casa do nosso amigo Ferreira ver o jogo. Os fogos começam a pipocar, e junto deles uma gritaria… Será que foi gol?

Começamos a correr loucamente, como se não houvesse o amanhã. O Japonês fica louco, e tira a camisa enquanto corre (seu peito é nu e seco).

Sebá não sabe correr, parece um boneco de Olinda. Começo a correr mais ainda, não sinto as minhas amadas pernas.

Ferreira abre a porta (ruivo e gordo). Todos estão tensos, Victor Ferraz tinha metido uma bola na trave. Jogo pegado. Haja coração, amigo. Palmeiras tem algumas chances, quero vomitar meu pâncreas.

(Fim do primeiro tempo) Fico nervoso, ando para lá e para cá.

(Começa o segundo tempo) Aos 11 minutos, Robinho invadiu a área e tocou para Dudu, sozinho, abrir o placar. Fico com cara de nádegas, o jogo está perigoso.

O tempo vai passando, e parece que meu amigo Ferreira vai ter um derrame.

Aos 39 minutos, Dudu aproveitou o cruzamento e marcou o segundo. Silêncio no meu bairro. (Japonês até foi embora!)

Finzinho de jogo, e escanteio para o Santos. Se o Santos fizer 1 gol, leva para os pênaltis. Escanteio cobrado, a bola sobra para Ricardo Oliveira, que marca. Pulo como um cabrito desmamado, e todos saem correndo como doentes.

Começo a gritar e xingar todo mundo na rua. Dei vários socos no meu próprio peito. A sanidade já ultrapassou dos limites. O jogo vai para os pênaltis.

Marquinhos Gabriel isola o primeiro, Gustavo Henrique também (azedou o pé do frango, companheiros!). A essa altura, Ferreira está igual a uma grávida na hora do parto, tamanho o desespero.

Vanderlei ainda pega um. No último pênalti, o goleiro Prass bate e faz. Palmeiras é campeão. Meu amigo Ferreira desliga a TV, e todos ficam com cara de paisagem.

No outro dia acordo sem voz, sem título e sem vaga na Libertadores.

 

 Imagem: danvieira

Informações do Autor

Rafyz Santos

Nascido em São Vicente-SP, apaixonado por futebol desde a infância. ''Formado'' em futebol no Campinho mais próximo da minha casa, e ''especialista'' em identificar vestígios do futebol-muleque!

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