Conheça a Escola do Futuro, onde tecnologia é coisa do passado

A Escola do Futuro já é uma realidade para vários estudantes ao redor do mundo. Já falamos um pouco sobre uma nova instituição inaugurada na Finlândia, uma referência no assunto. Agora, temos a oportunidade de apresentar a escola Chadwick International, que possui 2 campus, um na Califórnia (EUA) e outra em Songdo (Coreia do Sul).

O brasileiro, Soleiman Dias, compartilhou em uma entrevista um pouco sobre a educação inovadora.

Soleiman Dias nasceu em Fortaleza, mas vive há 11 anos na Coreia do Sul. Lá fundou a Associação Brasil-Coreia, da qual hoje é professor. É mestre em Educação Internacional. Ele recebeu o título de Cidadão Honorário de Seul em reconhecimento a sua dedicação à promoção do intercâmbio cultural e linguístico entre os dois países. Atualmente, é membro da diretoria da Chadwick Internacional e vice-presidente do Conselho Coreano de Escolas Internacional.

Acompanhe com a gente um pouco desse bate-papo.

Quais os níveis de educação, a Chadwick oferece?

A escola oferece educação desde o Pré-Jardim onde recebem crianças de 4 anos de idade até a preparação para a Graduação. Há também algumas Universidades Internacionais situadas nas Cidade Universitária. Nessa cidade encontram-se Universidades estrangeiras e coreanas no mesmo campus e dividem o espaço, cada qual com seus cursos.

Como são realizados os processos de avaliação?

A escola em si é muito progressiva, então não existe boletim tradicional, nem livro didático e as avaliações são feitas por meio de projetos. Em escolas do futuro, como a nossa, não existem mais esse modelo de ensino e a ideia, desde o início foi, justamente, ser uma referência em inovação. Por exemplo, a aula de Ciências é realizada no jardim, onde há plantas e galinhas. O objetivo é proporcionar a experiência de sair da sala de aula e ter contato direto com o que deve ser aprendido.

Como é a questão do uso da tecnologia?

Todo o material didático é digital. Cada aluno tem seu Tablet e depois seu Labtop, mas a tecnologia, propriamente dita, não é o foco. Nós passamos, entre os anos 50 e 2.000 direcionados para a tecnologia, mas isso já se tornou algo do passado. É tecnologia é, sim, algo importante, mas como uma ferramenta que vai auxiliar o processo.

Existem, inclusive, muitos programas educacionais que inclui a utilização de jogos, que fazem com que a criança se divirta e aprenda ao mesmo tempo.

Quais são os desafios que o professor enfrenta?

O professor tem um desafio grande, pois ele não pode mais elaborar aquele plano de ensino tradicional e ministrar sua aula. Aqui, para cada série, é colocada uma questão central e cada disciplina deve aborda-la em suas especificidades. Além disso, todos os alunos têm aulas para desenvolver suas aptidões artísticas e esportivas. Isso é fundamental. Até mesmo essas aulas devem contemplar o tema central. Ou seja, trata-se de um estudo, realmente, interdisciplinar.

Trata-se de um sistema que exige demais do professor, pois ele vai estar constantemente em reunião e na preparação desse programa.

Como é a participação dos pais na escola?

Eu sei que, no Brasil, há uma grande dificuldade da escola trazer os pais para o ambiente acadêmico. Aqui não. Vemos muitos pais participando das atividades como voluntários. A escola também oferecer workshops para que eles auxiliem no estudo do filho.

Outra questão é o tempo em que a criança passa na escola. Aqui na Coreia o aluno fica até às 10 horas da noite na escola, que pode ser até um exagero. Mas também ficar pouco tempo, não é adequado. É preciso ter um equilíbrio. Porém, o ponto principal não é a quantidade de tempo, mas sim como ele está sendo aproveitado.

No Brasil, há uma discussão sobre o papel do aluno e a necessidade dele ser mais protagonista do próprio aprendizado. Aí na sua escola é diferente?

Uma questão que precisa ser levada em consideração é a missão e os valores da escola e qual o perfil de aluno que ela espera. A missão da Chadwick tem bem claro as questões éticas e morais, mas nem todo mundo cabe neste conceito. Aqui formamos o estudante para ser líder e fazer diferença no mundo, mas, infelizmente nem todos têm esse perfil.

A seleção dos alunos para ingressar na escola é muito rigorosa e eu quem cuido disso. Em uma das etapas, a pergunta principal que faço é “O que você pode fazer para mudar o mundo?”.

O nosso conceito de educação exige muito do aluno, então se ele não estiver preparado para isso, quebra todo o esquema.

Após passar pela escola, vocês realiza o acompanhamento dos egressos?

Temos muitos exemplos de ex-alunos extraordinários, que cantam, dançam, praticam esporte e são inteligentíssimos. Há, inclusive, uma brasileira que passou pela nossa escola e foi aprovada em uma universidade concorridíssima em Abu Dhabi. É aí que percebemos que o que a gente passou para eles, realmente, ficou e isso é motivo de muito orgulho.

Os ex-alunos tem um potencial muito grande para ajudar a instituição em que estudou. É importantíssimo que eles se sintam parte da escola quando entram e não quando saem. Então é muito importante seguir os alunos, desde quando ingressam e inspirá-los no futuro. Aqui na Coreia essa ação com os ex-alunos é muito forte. Nas datas comemorativas, como por exemplo, no Dia do Professor, todos os egressos voltam à escola para celebrar a data.

Nessa conversa, foi possível entender que o principal da educação na nossa Escola do Futuro não é o uso do que há de mais moderno em tecnologia, pois isso já faz parte da realidade deles, mas sim, as múltiplas inteligências e a maneira como elas são desenvolvidas a partir da experiência.

O Brasil está caminhando para colocar em prática uma nova forma de ensinar, mas o caminho ainda é grande. Por isso, vale a pena se inspirar em bons exemplos e saber adaptar os processos à realidade brasileira, sempre com a visão de que a educação é o começo para tudo.

Para conhecer mais sobre a Escola do Futuro Chadwick International, acesse o site e assista ao vídeo no Youtube.

*Texto originalmente desenvolvido para a Plataforma JUNTOS.
Imagem: Intel Free Press

Informações do Autor

adriananeves

Compartilhadora de boas notícias. Conectora de projetos e pessoas. [Gestão de mídias digitais e produção de conteúdo.]

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