Sabemos que há muitas formas, na sociedade, de exercer o uso do poder. Seja na profissão que exige um cargo de liderança mais acentuada, na família que nos reserva algum tipo de autoridade, na política que, sem dúvida, é o que mais representa poderes.

Das situações mais simples até às realidades complexas, o poder está presente como o responsável por pensar no lugar do outro ou conduzir a vida alheia.

A análise de Michel Focault (1986) aborda a questão da assimetria do poder ou como ele denominou ¨O poder sem o rei¨. Esta visão nos coloca frente a outra reflexão, que é a circulação do poder. Ou seja, ora um grupo domina, ora obedece e assim não há um só dominador.

Vemos, no entanto, que no mundo a luta pelo poder absoluto tem sido constante e o que nos espera é a dominação de poucos sobre uma grande maioria. Nem sempre esses poucos poderosos avaliam sua ações e estão dispostos a ouvir o lado mais frágil da sociedade.

Os interesses econômicos, por exemplo, tem sido o foco maior no exercício do poder em muitos países do ocidente e oriente, e chegando mais próximo encontramos esse domínio no Brasil.

Os conflitos políticos e sociais sempre estiveram vinculados aos interesses da economia quando as grandes instituições bancárias e empresariais ditam regras aos governantes da forma mais sutil ou vil.

¨O poder sem o rei¨ significaria um projeto político de governos em parceria com as sociedades civil em que os poderes se alternam. Sem isso, ocorre o que assistimos passivamente como a compra de votos de congressistas, subornos na negociação de alguns projetos de lei e o que é mais estarrecedor, a adesão de apoiadores originários de organizações criminosas fora do universo político.

Certos países da América do Sul, infelizmente, adotaram uma prática inaceitável de condução da política no que se refere à dominação sobre a camada mais carente da sociedade, com assistência populista que pouco produz de estabilidade econômica ou cria perspectivas futuras com solidez.

Venezuela e Brasil, guardadas as diferenças sociopolíticas, há décadas convivem com os poderes dominantes tanto da elite política que privilegia alguns grupos sociais quanto do populismo desenfreado, onde em ambos os poderes a sociedade é sempre dominada.

Os riscos que essas relações provocam parecem ser o da violência e das expectativas frustradas da população.

Finalmente, acredito que, olhando de uma maneira geral, ¨o poder sem o rei¨ resolveria muito dos nossos problemas em que o conjunto de relações de poder permitiria o desaparecimento de governos ditadores, corruptos, líderes terroristas, chefes criminosos ou qualquer poder ilegítimo que acaba engolindo a sociedade do bem.



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Informações do Autor

Maria Rosa de Miranda Coutinho

Sou mestre em Ciências Sociais pela UFSCar e além da experiência como professora, circulo na área literária com publicações para o público infantojuvenil. Administro uma loja virtual que comercializa livros de autores da cidade de Joinville e sou membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais da mesma cidade.

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