Trekking Ao Vale Encantado – Campos de Quiriri

Nos dias 23 e 24 de Julho pude estar novamente um dos lugares mais bonitos da região norte de Santa Catarina, os Campos de Quiriri. Nessa oportunidade, convidado por um casal de amigos do Grupo Cachorro do Mato, de Joinville, o destino era um trekking até a Pedra da Tartaruga, com direito a acampamento no Vale Encantado.

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Barraca e vista para o Vale Encantado, onde acampamos

Encontrei-me com o pessoal em Joinville, de onde saímos às 22 horas da sexta-feira, dia 22, com destino à cidade de Tijucas do Sul. O trekking iniciaria apenas no sábado, mas decidimos sair na sexta, acampar em um ponto estratégico da estrada que dá acesso à Fazenda Alto Quiriri, localizada a cerca de 1.280 metros de altitude, e no sábado pela manhã iniciar nossa caminhada.

Devido a alguns problemas no deslocamento, chegamos ao local do acampamento depois da uma da manhã, quando montamos as barracas, fizemos uma pequena fogueira e preparamos uma janta acompanhada de umas garrafas de vinho. A lua e as estrelas completavam o cenário. No sábado de manhã nos deslocamos até a sede da fazenda, sem esquecer a tradicional parada no “mirante” para fazer algumas fotos e vídeos. Entregamos as autorizações – sim, para acessar os Campos de Quiriri via fazenda é necessário solicitar autorização, pois se trata de propriedade particular – e começamos nossa caminhada.

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Foto tirada no cume do Morro das Antenas (Bradador)

Pouco mais de 700 metros de caminhada por uma estradinha e já começávamos a subida do Morro das Antenas, também conhecido como Bradador, com seus 1.520 metros de altitude. Uma subida íngreme devido ao certo ganho de altitude em uma curta distância. Parada para pequeno almoço junto às antenas, algumas fotos e seguimos caminho em direção ao Vale Encantado e ao Monte Padre Raulino, com seus 1.460 metros de altitude, onde passaríamos a noite. Lembrando que o objetivo inicial é de irmos até a Pedra da Tartaruga e acampar lá, mas acabamos optando por ficar no vale mesmo.

 

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Vista para Pedra da Tartaruga e um mar de nuvens ao fundo

Depois de 4,7 km e 4 horas de caminhada começamos a montar acampamento. Em seguida, saímos para explorar a região, subimos o Monte Padre Raulino, paramos para admiras a paisagem, avistamos a Pedra da Tartaruga ao longe. Retornamos ao acampamento, descaçamos um pouco até prepararmos o jantar. Conforme o sol ia se pondo, o frio ia surgindo. À noite, novamente, o céu estrelado e lua foram nossas companheiras, deixando os Campos de Quiriri mais lindos ainda. Na manhã de domingo, levantei bem cedo – enquanto os demais estavam em suas barracas – e fui até o topo do Monte Padre Raulino acompanhar o nascer do sol. Retornei ao acampamento, recolhemos as coisas e começamos nosso caminho de volta. Mais 4,8 km em pouco mais de 2 horas e 10 minutos e estávamos na estrada principal. Depois de buscarmos o carro na sede da fazenda, partimos em direção a Joinville.

 

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Vista para a rodovia BR-101, Garuva

Sobre os Campos de Quiriri

Quiriri significa “Silêncio Noturno” na língua tupi guarani. Essa região já foi morada de índios e bugres que percorriam o desconhecido Caminho dos Ambrósios. Segundo historiadores, esse caminho era um ramal do lendário Caminho do Peabiru, utilizado por índios e destemidos desbravadores do velho mundo, como o espanhol Álvar Nunes Cabeza de Vaca. O Caminho dos Ambrósios foi a primeira ligação entre os estados do Paraná e Santa Catarina. O nome “Ambrósios” vem do fato de ter sido encontrado nas proximidades da serra uma planta semelhante a dos prados de Portugal, conhecida também por esse nome. Apesar de o caminho ser difícil e penoso no trecho da subida da serra, foi utilizado intensamente até 1851 quando foi aberto o caminho que hoje é a Estrada Dona Francisca. O local faz parte de uma Área de Proteção Ambiental, que compreende os municípios de Campo Alegre, Garuva e Joinville. O conjunto de montanhas do Quiriri é formado por cerca de 30 cumes, cuja altura varia entre 1.300 a 1.580 metros, sendo a altitude média em torno de 1.200 metros do nível do mar. É possível enxergar o mar e algumas cidades do norte do estado como Joinville, Garuva, Itapoá, São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga em dias de tempo bom. O acesso ao topo das montanhas se dá a 56 km do centro da cidade de Joinville, por estrada não pavimentada, acessível a qualquer modelo/tração automotiva, exceto em dias chuvosos.

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Foto tirada no “mirante”. Todas as fotos: Alex Wisnieski

Minha opinião:

Conhecer os Campos de Quiriri mesmo sem realizar um hiking ou trekking é obrigação para todo aventureiro ou simples amante de natureza. As opções de trilha são muitas: Bradador, Padre Raulino, travessia até Monte Crista, Pedra do Lagarto, Vale Encantado, etc. É possível ficar horas e horas olhando para todas as direções e se apaixonar pela região. Mas não se engane com toda a beleza, pois a região apresenta mudanças repentinas de tempo e temperatura, incluindo ventos fortes. Procure ir com tempo bom, com equipamentos adequados, com autorização solicitada para evitar qualquer problema e se possível com guia ou alguém experiente que já tenha estado na região. Seguindo essas dicas, sua aventura pelos Campos de Quiriri será inesquecível.

Informações do Autor

Alex Wisnieski

Analista de Sistemas, turista, aventureiro, trekker/ hiker, ciclista, aficionado por natureza, viagens, esportes e agora colaborador do site Dom7.

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