Você é capaz de conciliar família e trabalho?

Conciliar família e trabalho. Sendo mais que sincero, nunca consegui separar as duas coisas. Sempre as tratei como esferas interligadas e indivisíveis, porém vejo que muitas pessoas fazem essa diferenciação, como se vivessem duas vidas diferentes (uma no trabalho e outra em casa).

Com absoluta certeza um homem verdadeiramente feliz é aquele que consegue equilibrar essas duas atmosferas, fazendo com que o devido tempo seja aplicado em ambas, de modo que ele possa alcançar um estado sólido que o permitirá desfrutar de uma vida plena e saudável.

Pegando um gancho nesse assunto, vale mencionar que nos últimos tempos, o mundo mudou e não podemos mais viver dias pacíficos e serenos, porquanto tudo está acontecendo muito rapidamente e se não nos adequarmos a essa volatilidade seremos facilmente engolidos pelo universo globalizado no qual estamos inseridos. Em outras palavras o que quero dizer é o seguinte: é necessário que tenhamos uma mentalidade moderna que fará com que nos preparemos para os desafios que nos aguardam, evitando ao máximo, as “surpresas negativas”.

Portanto, no campo profissional precisamos de atualização constante e muita produtividade, o que infelizmente, nos afasta automaticamente das reuniões familiares e nos faz passar muito mais tempo fora do nosso “ninho”. Desta forma, por consequência, vamos nos tornando criaturas frias, melancólicas e depressivas, pois vivemos apenas para o trabalho e esquecemos de cuidar daquilo que deve (ou deveria ser) o mais importante. Foi exatamente nessa linha de raciocínio que Sêneca sabiamente disse: “Pobre não é aquele que tem pouco, mas antes aquele que muito deseja.” O que o notável pensador quis dizer foi que a ganância não necessariamente nos torna ricos, tendo em vista que a felicidade humana não está no ajuntamento de tesouros e sim nos ideais e na virtude que cada um escolher para viver.

Citarei como exemplo o caso de um amigo meu que encontrei à alguns dias em um restaurante. Sem dúvidas, será uma aula para aprendermos a valorar nossos tesouros: era uma tarde ensolarada e eu estava prestes a entrar no referido estabelecimento quando ouvi uma pessoa me chamar com um tom de voz um tanto quanto “animado”. Quando me virei, percebi que era um grande companheiro que eu não via a anos.

Após dar um grande abraço nele e fazer algumas perguntinhas banais, resolvi convidá-lo para almoçar e conversar um pouco mais. Ele prontamente aceitou e no início do papo tudo caminhava para a normalidade até que algo inusitado aconteceu: ele começou a chorar repentinamente e a tremer, como uma criança que desaba após receber uma surra violenta e agressiva do pai.

Sem saber o que fazer, eu perguntei se ele estava bem e foi aí que ele se abriu para mim, de uma maneira que eu jamais poderia imaginar. Disse que era um mau pai, um marido medíocre e que deveria suicidar-se e dar um fim imediato em tudo. Eu sou uma pessoa equilibrada, mas confesso que sofri um choque ao ouvir tudo aquilo.

Suas roupas luxuosas, seu automóvel caríssimo e sua vida financeira eram de invejar qualquer mortal que ousasse conhece-lo, porém por dentro era exatamente o contrário. Ele parecia ser o mais miserável da Terra, semelhantemente a um mendigo que nada tem.

Relatando sua trajetória, ele externou sobre suas escolhas e enfaticamente me disse: eu faria tudo diferente se tivesse uma nova oportunidade. Disse que seus filhos eram o seu maior tesouro e que todo o dinheiro do mundo não representavam nada perto do amor que ele sentia por tais criaturinhas, contudo sua realidade mostrava exatamente o inverso e isso estava matando sua consciência. Seus olhos me mostravam uma grande nuvem negra e seu coração parecia ter desaparecido completamente naquele momento, tamanha era sua culpa e arrependimento.

Não contarei o resto da história, e nem é necessário para compreendermos o cerne da questão. Sem dúvidas, nossa existência é constituída de decisões que afetam nosso futuro e nos trazem regozijos ou frustrações. Daí a importância de nos conhecermos profundamente e, principalmente, de saber onde queremos chegar, para que possamos assim, não nos decepcionar com nossas próprias atitudes.

Evidentemente o trabalho é importante e devemos dar total valor a ele, haja vista que um homem sem serviço é semelhante a um elefante sem tromba, ou seja, é uma criatura incompleta. Sendo assim, a grande sacada é não deixar que ele se torne a única via de nossa vida, gerenciando para que possamos aproveitar o melhor de nossa curta existência.

Eu mesmo, por inúmeras vezes, deixei de atender pessoas ímpares em minha vida simplesmente por colocar meu trabalho em um pedestal supremo, mas as forças superiores e minhas derrocadas me ensinaram o verdadeiro caminho, e também, que atalhos não são bem vindos, além de que algumas coisas o dinheiro não pode pagar. Sob uma outra perspectiva é muito simples: se o objetivo de um homem é apenas obter objetos que foram criados por suas próprias mãos, ou pelas mãos de seus semelhantes, ele é escravo de sua própria ignorância e vive nas teias malignas da alienação que foi orquestrada por sua própria mente.

Portanto, que ganhemos nosso pão de cada dia, mas que tenhamos com quem dividi-lo, fazendo com que nossa casa seja próspera e ao mesmo tempo unida e alicerçada, gerando uma atmosfera onde o amor, a paz e a unidade sejam os principais pilares reinantes e onde as trevas jamais possam adentrar.

Crédito imagem: http://www.freedigitalphotos.net/by franky242

 

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Pablo de Paula Bravin

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